• Aumentar Fonte
  • Diminuir Fonte
  • Trocar contraste

Os mitos da escrita

Olá!

Como sabemos, a prova de redação costuma ser uma das mais temidas em qualquer vestibular país afora, além de ser o terror das séries do ensino fundamental e médio. Por detrás disso, milhares e milhares de justificativas simplistas e mitos que, de tão repetidos, soam como mantras e adquirem status de verdades absolutas. Porém, para sermos bem honestos,  há muito menos dificuldade em produzir um texto do que supõe nossa vã filosofia de botequim.

Dentre as justificativas mais usuais para esse medo, muito me diverte aquela que diz que “eu não tenho inspiração”.  Ora, convenhamos, inspiração para uma redação? Tudo bem, isso faria total sentido ao pensarmos em um texto cujo tema seja livre ou em historinhas que temos que criar quando estamos no ensino fundamental (e onde sempre colocamos amigos da sala como heróis e a menina com quem queremos sair como a pessoa a ser salva). Contudo, para o vestibular, essa desculpa não cola. Primeiro, porque os limites do texto são dados claramente – afinal, critérios precisam ser estabelecidos para criarmos um mínimo de igualdade. Segundo, porque qualquer ser humano sabe que, em uma situação de prova, o menos provável é que um aluno tenha calma para poder se inspirar.  Então, não faria sentido valorizar apenas aquele que tenha uma idéia divina. Caso contrário, acredite, ficaria muito difícil dar uma nota alta.

Outra afirmação que me fascina é a “eu não nasci para escrever”. Veja que curioso: parece que os alunos, de maneira geral, acreditam que os avaliadores estão à procura de um novo Machado de Assis ou Guimarães Rosa.  Relaxa, amigo, não é para tanto. Na verdade, o que os corretores e professores esperam, na maior parte das vezes, é se deparar com um texto cujas idéias sejam bem expressas e apresentem coerência entre si e em relação ao mundo. Nada de grandes devaneios poéticos ou eventos mirabolantes, portanto. Estamos diante de textos que precisam se adequar a determinados parâmetros e que serão julgados a partir deles, nada mais do que isso. Tanto é que os poucos alunos que, realmente, têm gosto pela escrita além da produção de uma redação, com muita freqüência enrolam-se mais para produzir um texto de prova do que os outros que se acostumam ao modelo pedido. Isso porque, para quem costuma escrever sem tantas regras, adequar-se a elas pode virar um imenso problema. Nada melhor, pois, do que você já aprender se acostumando às exigências dadas.

Na verdade, se observarmos bem, o processo de escrita da disciplina redação em muito lembra o estudo das demais matérias. Não à toa, é uma disciplina. Isso significa dizer que, de uma boa nota, resultam muito mais os trabalhos de prática, concentração e dedicação do que, propriamente, uma condição natural de escritor. Ou, como se fala muito por aí, mais transpiração do que inspiração. Entender essa idéia significa pensar o texto como um exercício cuja repetição da feitura leva à perfeição. E, por isso mesmo, saber reconhecer falhas e encontrar os passos para se criar uma redação nota dez é tarefa que se faz aos poucos e em partes. A partir de agora, é assim que tentaremos trabalhar com vocês.

Assim, traremos nesse blog um pouco daquilo que é necessário para um bom texto: idéias de temas, dicas de produção textual, recomendações de leitura, discussões de assuntos, análise de redações… enfim, a base formadora de um aluno crítico, consciente. Esperamos que você faça desse espaço um aliado, e não mais um lugar onde lê coisas chatas e obrigações escolares.

Até a próxima!

Compartilhe

Avatar

Marcelo,

excelente post!

Podemos transferir os “mitos” para a física, em que o “nunca iria pensar nisso” serve perfeitamente de análogo ao “não tenho inspiração”.

Disciplina e esforço (para resolver questões de física ou para encadear idéias de maneira coesa e lógica) são a chave para o ótimo desempenho. Insipiração ou talento sempre ajudam, mas não são determinantes.

Parabéns pela estréia!

responder
Avatar

Muito bom Marcelo!
Vou acompanhar o blog, gostei do vídeo e do texto.
Parabéns e boa sorte no projeto.
Até mais,
Clara.

responder
Avatar

Adorei Caldas! Concordo com Clara, muito bom mesmo!
Vou sempre tentar vir aqui e pegar algumas dicas.
Até semana que vem e não falte por favor porque eu quero descobrir o que você tem a dizer sobre o pecado da gula!
Beijo grande

responder
Avatar

Muito bom o post Marcelo.

Ajuda uma grande parte dos alunos a perder o medo da redação(eu por exemplo). Afinal, temos a idéia que a redação é algo que a pessoa só faz bem, se nascer destinada para isso.

Certamente irei acompanhar o blog. Achei realmente interessante

responder
Avatar

Gostei do texto, Caldas!
Bela desconstrução dos mitos que rondam a redação.
Abraço.

responder
Avatar

Realmente, o que não falta ao aluno é desculpa para justificar a nota baixa. Mais ainda, é comum a justificativa de que “redação não deveria ter peso maior, afinal, eu não sei escrever e não devo ser obrigado a gostar de algo que não sei.”. Com o tempo, as desculpas crescem em número e criatividade, mas eles não querem é enxergar que fazer redação não deve ser encarado como um problema, um empecílio, mas como uma oportunidade de crescer comunicando-se, expressando suas idéias, sem medo de achar que são absurdas (mesmo que algumas realmente o sejam – não se deve ser confiante demais) ou que não nasceram para um simples ato da escrita. Por isso, a redação é um prova. Uma prova de auto-teste.

responder
Avatar

eu presiso fazer uma redação com as palavras:
doce evolução felicidade fada estrela armadilha saúde noite amor vermelho .
nesta ordem sera que poderia me ajudar ?

responder
Avatar

Muito bom o texto. Faltam observações como essas nas aulas de gramática de nossas escolas. Também falta o professor entender que escrever bem não significa saber todas as regras de gramática, ortografia. Também não quer dizer que quem lê muito é excelente escritor. E, ainda, segundoa Marcos Bagno, estamos atrasados nas regras de gramática e redação uns dois mil anos. Pouquinho, né?

responder
Avatar

ENEM 2007-O desafio de se conviver com as diferenças

A cultura do preconceito

Foi pelo pioneirismo português que na tentativa de descobrir novos caminhos para as índias se aventuraram pelo atlântico, passando assim interagir com o mundo conhecido e desconhecido, e dessa forma, apresentar o novo mundo ao velho, que as civilizações começaram a se modificar e por vezes até extinguir seus costumes milenares, para fundir suas tradições muitas vezes forçadas por outros povos, tradições estas, responsáveis por todo tipo de preconceito existente até hoje.

Em primeiro lugar é pertinente pontuar que a dificuldade de se conviver com o diferente nem sempre está atrelada à crueldade como muitos julgam. Toma-se como exemplo Pero Vaz de Caminha que ao escrever a carta dirigida ao rei de Portugal, se refere aos nativos brasileiros, como selvagens. Tal afirmação aparentemente xenofóbica pode parecer ao homem pós-moderno, pejorativa, porém, não podemos nos esquecer de que os europeus que aqui chegaram, nunca haviam tido contato com uma cultura tão diferente, pois se na atual conjuntara seria estranho ver pessoas nuas andando pelas ruas, que dirá, há séculos. Então, assim como não podemos exigir hoje que um jovem tenha a mesma perspectiva de mundo que um idoso, também não podemos exigir que uma pessoa de família com costumes extremamente arraigados e de forte influência religiosa veja com naturalidade o homossexualismo.

Por outro, lado não se pode ignorar a consequência que essa diversidade cultural por tantas vezes desrespeitada tem causado. Em meio a tantas culturas e religiões diferentes existentes numa mesma sociedade, onde valores se misturam e se contradizem, como por exemplo, o conflito árabe-israelense, onde dois povos de culturas e razões diferentes guerreiam pela supremacia de um território sendo impossível definir quem está certo, assim também acontece em todas as esferas da sociedade. Então, como definir quem está certo se todos vivem numa sociedade onde são livres para expressar suas opiniões? A verdade é que ninguém está errado a não ser que tente de algum jeito impedir que o diferente continue a ser diferente, agir e pensar como tal. A necessidade não está em mudar os conceitos sociais, e sim em transforma-lo de forma a assegurar o bom convívio e respeito ao próximo.

Contudo, existem casos em que mesmo não havendo contradições de ideais, o preconceito persiste, referentes a costumes antigos, por saírem dos padrões de normalidade, como no caso da deficiência. Em casos como esse cabe à sociedade educar gradativamente, através de campanhas e estratégias educacionais, desde o cidadão mais jovem até o idoso, para que a sociedade possa um dia ver a diferença com naturalidade.

Em síntese, é coerente dizer que sempre haverá dificuldade de se lidar com a diferença, até porque, mesmo quando os antigos preconceitos já houverem sido sanados, novidades virão e causará novamente espanto em quem não estiver preparado para elas, e virá junto a elas o preconceito. Portanto, é indispensável que o homem aprenda a respeitar aquilo que não concorda ou admira, pois caso contrário à sociedade imergirá no caos causado pelo dissemelhança.

responder