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Como ocorre a correção da Redação do ENEM?

Todo mundo conhece a importância que a prova de Redação tem no ENEM. A parte de produção textual é a única que não entra no TRI, no cálculo do peso das questões, e a sua pontuação (que pode chegar a 1000 pontos) fica intacta no boletim. Além disso, em algumas faculdades, o peso da Redação é muito maior que o das outras partes da prova, o que dá mais vantagem pro aluno que consegue uma boa nota. Se você quer chegar ao 1000 e ter todas essas vantagens, é fundamental conhecer toda a banca de correção e suas cobranças.  Vamos juntos?

 

Cada corretor do ENEM precisa analisar a sua redação de acordo com cinco critérios: modalidade escrita, tema e tipo de texto, coerência textual, coesão textual e propostas de intervenção. Cada uma dessas cinco competências recebem uma nota entre zero e 200 pontos que somam 1000 pontos, a nota máxima da sua redação. Conhecer cada um desses critérios é um passo bem grande em direção à nota máxima. Confie em mim.

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1. Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa

A competência 1 cuida basicamente da correção gramatical. Seu texto precisa se encaixar em uma norma padrão da língua portuguesa, seguindo o registro culto da língua, o que significa que coloquialismos não são tão bem-vindos na sua redação.  Este critério analisa desvios na escrita, problemas com pontuação, concordância e muitos outros erros muito comuns em textos de alunos médios. Para evitá-los, trabalhar um rascunho e revisar o texto podem ser importantes. Experimente! Você vai se lembrar de fazer isso, né?

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2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa

Neste critério, em primeiro lugar, é necessário que a sua redação esteja dentro da proposta temática. Não se esqueça disso: uma redação fora do tema no ENEM recebe nota zero. Preciso que você se lembre sempre disso, já que é muito comum encontrarmos problemas de fuga ao tema na redação do ENEM – na última prova, mais de 50% das provas zeradas fugiram à proposta apresentada pela banca. Para uma boa interpretação do tema, sugiro que você dê uma olhada no nosso resumo de Planejamento de texto!

O segundo ponto importante desta competência é a análise do tipo de texto. Assim como na questão da proposta temática, apresentar qualquer outro tipo textual também zera a redação. O texto cobrado na redação do ENEM é o dissertativo-argumentativo, e você pode conhecer um pouco mais dele no nosso resumo. Cuidado com isso, ok?

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3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista

 A competência 3 analisa a famosa coerência textual. Coerência é sentido, ou seja, seu texto não pode estar confuso. Isso significa que você não pode, por exemplo, começar seu texto com uma posição e terminar defendendo a posição contrária. Isso é um problemão! Além disso, este critério pontua a sua argumentação, a defesa da sua tese. Procure utilizar todas as estratégias que o Descomplica ensina. Eu duvido que você vá ter problemas com argumentos fracos!

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Calma! Teremos aula pra tudo isso. Não esqueça: tudo o que é devagar… 😛

 

4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação

A coesão textual é a expressão formal da coerência, ou seja, esta competência analisa o uso dos conectivos, as repetições presentes no seu texto e tudo o que ajuda (ou atrapalha) na construção de uma linha de raciocínio. Sim, seu texto precisa ter um início, um meio e um fim, e a coesão textual ajuda (e muito!) nessa construção. Abuse de conectivos, ok?

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5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos

Eu sei que esta competência dá medo. Mas ela não é um bicho de sete cabeças. Confie em mim. A redação do ENEM exige que o aluno formule propostas, soluções para o problema apresentado. Aqui, é importante que você apresente intervenções detalhadas (sabe o GOMIFES? Não!? Dê uma olhada na aula de parágrafo de conclusão!), articuladas à proposta temática e, principalmente, específicas a cada um dos argumentos apresentados. Procure sempre resolver os problemas mostrados no texto. Não tente ir além. Ok? Não é tão difícil assim!

Que ótimo! Esse é um passo importante pro 1000!

Que ótimo! Esse é um passo importante pro 1000!

 

Viu como é fácil? Ah, vai! O ENEM não é um monstro. Se você já conhece todas as competências, seguir todos os pontos apresentados na hora de fazer um texto não é uma tarefa muito difícil. Quer uma dica? Comece a procurar todas essas dicas nas nossas redações exemplares! Vai ajudar muito. Entendendo como cada competência se apresenta em um texto de verdade, fica mais fácil construir a sua redação pensando nelas. Vamos tentar?

Dê uma olhada nas questões aqui embaixo, analise seus erros e vá fazer uma redação!

Bom texto e bom 1000!

 

EXERCÍCIOS

1. (ENEM) Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra num desses meus badulaques. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, trata-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário, aquela que tem, no topo, a fotografia de uma “varroa”(sic!) (você não sabe o que é uma “varroa”?) para corrigir-me do meu erro. E confesso: ele está certo. O certo é “varrição” e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim porque nunca os vi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário com a “varroa” no topo. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção” quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado. ALVES, R. Mais badulaques. São Paulo: Parábola, 2004 (fragmento).

De acordo com o texto, após receber a carta de um amigo “que se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário” sinalizando um erro de grafia, o autor reconhece

a) a supremacia das formas da língua em relação ao seu conteúdo.
b) a necessidade da norma padrão em situações formais de comunicação escrita.
c) a obrigatoriedade da norma culta da língua, para a garantia de uma comunicação efetiva.
d) a importância da variedade culta da língua, para a preservação da identidade cultural de um povo
e) a necessidade do dicionário como guia de adequação linguística em contextos informais privados

Veja o passo-a-passo da resolução!

 

2. Assinale a opção que preenche, de forma coesa e coerente, as lacunas do texto abaixo.

O fenômeno da globalização econômica ocasionou uma série ampla e complexa de mudanças sociais no nível interno e externo da sociedade, afetando, em especial, o poder regulador do Estado. _________________ a estonteante rapidez e abrangência _________ tais mudanças ocorrem, é preciso considerar que em qualquer sociedade, em todos os tempos, a mudança existiu como algo inerente ao sistema social.

a) Não obstante – com que
b) Portanto – de que
c) De maneira que – a que
d) Porquanto – ao que
e) Quando – de que

Veja o passo-a-passo da resolução!

 

 

GABARITO

1. B

2. A