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Aula ao Vivo: Desenvolvimento

Hoje a aula será sobre Desenvolvimento com os professores mais maravilhosos do mundo:Rafael Cunha e Eduardo Valladares! Vai ficar fora dessa? 😉

Corre para conferir os horários das aulas aqui embaixo e não se esqueça de baixar o material de apoio! 😀

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Redação: Desenvolvimento
TERÇA-FEIRA
Turma da Noite: 
19:45 às 20:45, com o professor Rafael Cunha.
SEXTA-FEIRA
Turma da Manhã: 9:00 às 10:00, com o professor Eduardo Valladares.

Faça download do material de apoio! É só clicar aqui embaixo 🙂

Material de Aula ao Vivo

MATERIAL DE AULA AO VIVO

Definição

O desenvolvimento constitui a maior parte do texto dissertativo, e é nele que a introdução é expandida. Sua função principal consiste em defender a visão de mundo do enunciador, explicitada ou sugerida no primeiro parágrafo do texto. É desnecessário dizer que o desenvolvimento é a parte mais importante da dissertação, pois é nele que surgem os principais recursos argumentativos – justamente aqueles que vão ser responsáveis pelo convencimento do leitor.

Parágrafo

Quando pensamos no conceito de “parágrafo”, é comum o imaginarmos sob o escopo puramente formal, como um emaranhado de linhas que se distinguem do todo por haver um espaçamento entre a primeira palavra e a margem esquerda da página. Essa visão é nitidamente equivocada, uma vez que a verdadeira noção de parágrafo vem do plano semântico – e não estrutural.

Como dissemos, a maior parte do espaço do texto é “consumida” na fase do desenvolvimento. Para que seja possível ao leitor compreender o todo textual, é imperativo que o raciocínio do enunciador seja dividido em “etapas’ ou “segmentos’ menores. Cada um desses segmentos é o que chamamos parágrafo. Então, podemos definir assim:

Parágrafo é a unidade do texto que desenvolve um núcleo semântico principal, associado a núcleos acessórios, que devem ser articulados entre si para produzir sentido.

Em outras palavras, o parágrafo de desenvolvimento jamais poderá desenvolver duas ideias principais. Cada uma dessas ideias, separadamente, deverá estar contida em um único parágrafo.

Além disso, devemos considerar também como deve ser a estrutura interna de um parágrafo-padrão de desenvolvimento. Nesse sentido, podemos afirmar que duas partes são inerentes a um bom parágrafo: o tópico-frasal – um período-síntese da ideia que será desenvolvida – e a ampliação – que nada mais é do que o “desembrulhar” do tópico-frasal.

Leia com atenção o exemplo abaixo, escrito para uma redação sobre a criminalidade no Brasil:

“Além disso, deve-se atentar para os fatores socioeconômicos implicados no processo. Ao contrário do que pensa a maioria, não é a pobreza, mas sim o contato desta com a riqueza, que faz com que a criminalidade seja tão presente em nossa sociedade. De fato, em um país em que crianças descalças, sem qualquer perspectiva de ascensão social, fazem malabarismos para pessoas trancadas no interior de seus confortáveis veículos, é mais provável que o crime surja como uma grande “válvula de escape”.”

No parágrafo de desenvolvimento anterior, o primeiro período constitui o tópico frasal; os demais períodos são responsáveis pela ampliação – no caso, feita pelo processo de exemplificação.

Coerência

Em uma análise superficial, ser coerente significaria “não cair em contradição”. Entretanto, uma análise mais aprofundada permitiria trabalhar a coerência como a produção de sentido para o texto dissertativo. Essa “produção de sentido” deve ser buscada sob duas perspectivas distintas, mas complementares; é o que chamamos de coerência interna e de coerência externa.

Entende-se por coerência interna o conjunto de informações não contraditórias e sequenciadas logicamente que compõem o todo textual. Por exemplo, em um texto em que se busca avaliar as causas, as consequências e propor soluções para uma determinada questão – cada um desses tópicos desenvolvido em um parágrafo -, parece coerente fazer com que os parágrafos do desenvolvimento sigam exatamente a ordem anunciada. Do contrário, teríamos uma situação no mínimo “estranha”: a proposição de soluções para um problema pouco conhecido em profundidade (devido à ausência das causas) pelo leitor.

A coerência externa, por sua vez, trata da associação do texto com o mundo em que vivemos. Em outras palavras, de nada vale uma redação que produz sentido internamente se ela não possui um vínculo de razoabilidade com a realidade exterior. Um exemplo disso ocorreria em uma redação em que, ao buscar as soluções para o problema da violência no Brasil contemporâneo, o enunciador propusesse o fim das favelas e o extermínio dos traficantes de drogas. Ora, essa “possibilidade” prescinde de coerência externa por diversos motivos: a) a maioria dos habitantes das comunidades carentes não são violentos; b) mesmo que fossem, seria impossível simplesmente dar um “fim” aos conglomerados habitacionais (onde colocar tanta gente?); c) não existe, oficialmente, pena de morte no Brasil; d) os traficantes não são os únicos responsáveis pela violência. Assim, é claro que o grau de apreciação do corretor sobre um texto desse tipo seria baixo, o que implicaria uma nota ruim.

Coesão

A coesão e a coerência estão intimamente ligadas. Se a segunda é responsável pela parte do conteúdo, pode-se dizer que à primeira cabe a responsabilidade sobre o plano formal do texto. Sem dúvida alguma, é impossível um texto produzir sentido sem que haja algum tipo de ligação entre suas partes. É aí que entra o conjunto de mecanismos conhecido como recursos de coesão.

Os recursos de coesão são inúmeros: pronomes, advérbios, sinônimos, epítetos, metonímias, frases de apoio, termos-síntese, entre outros, contribuem para um melhor entendimento do texto. No futuro, uma aula específica trará maiores esclarecimentos e considerações sobre tais mecanismos.

Na aula de hoje, é válido destacar dois recursos principais: os conectivos (ou conectores), entre os quais se destacam as conjunções coordenativas e subordinativas, as palavras ou expressões denotativas e os advérbios; e os chamados “ganchos” semânticos, que são espécies de “pontes” para a continuação do raciocínio.

A seguir, listamos alguns dos principais recursos argumentativos de que o aluno pode dispor para construir seu desenvolvimento. Analise-os com cuidado.

Argumentação

Argumentação é, grosso modo, um conjunto de procedimentos lingüísticos utilizado pelo enunciador para convencer o leitor, obtendo sua adesão. A seguir, listamos alguns dos principais recursos argumentativos de que o aluno pode dispor para construir seu desenvolvimento. Analise-os com cuidado.

• Recursos Argumentativos

– Argumento de Autoridade

Caracteriza-se pela citação de um pensamento ou frase de uma autoridade no assunto que está sendo debatido. Entenda-se como autoridade o indivíduo que possui algum tipo de “especialização” no assunto em pauta e é reconhecível pelo homem médio.

Há prós e contras na utilização desse tipo de argumento. O seu emprego é positivo quando permite evidenciar capacidade de leitura e reflexão por parte do enunciador, inter-relacionando discursos. É o que chamamos de intertextualidade. O caráter negativo, por sua vez, resulta do perigo de o pensamento que compõe o texto seja mais expressivo e contundente que o discurso do próprio enunciador. É por isso que o argumento de autoridade deve ser utilizado sempre com comedimento e bom senso, sob pena de retirar a marca de pessoalidade do discurso.

– Argumento de Prova Concreta

É extremamente eficiente se utilizado com correção, pois aparece em forma de dados estatísticos, leis, definições do dicionário, fatos de conhecimento público, entre outros. Dá força e consistência à idéia defendida, uma vez que se baseia na realidade.

– Argumento Organizado pelo Raciocínio Lógico

Existem três processos principais de organização da argumentação: o dedutivo, o indutivo e o dialético. Em uma aula futura, veremos especificidades acerca de cada uma dessas possibilidades de estruturação do raciocínio.

– Argumento de Competência Linguística

Se partirmos do pressuposto de que a palavra é o veículo do pensamento, é necessário, antes de tudo, que tenhamos plena consciência do uso dela (e da linguagem como um todo) para que expressemos com clareza e poder de convencimento o que pensamos. É o que acontece, muitas vezes, em um tribunal: o advogado que possui maior domínio da linguagem pode ganhar o caso em tela se for capaz de convencer o juiz, mesmo sem “provas” concretas daquilo que afirma.

– Argumento por Ilustração ou Exemplificação

É o mais comum dos expedientes argumentativos. O uso do exemplo na redação traz duas vantagens principais para o enunciador: a) ilustra a idéia, tornando-a clara para o leitor. b) revela que o enunciador baseia-se na realidade para construir seu argumento, o que faz com que o texto fique mais convincente. É por essa dupla função que o exemplo costuma ser bem-vindo em um texto dissertativo.

Contudo, o excesso de exemplos pode ser prejudicial. Isso porque muitos alunos acabam recorrendo a esse expediente sem qualquer tipo de interpretação da realidade, atendo-se apenas à exposição dos fatos. O texto perde sua força de convencimento e acaba por incorrer em um problema fundamental: torna-se um texto expositivo. Por isso, o expediente do uso de exemplos deve vir sempre acompanhado de bom-senso por parte do enunciador.
1. O texto abaixo é um texto literário cujos períodos foram desarticulados entre si e divididos em parágrafos. Sua tarefa consiste em restaurar a configuração original do texto, unindo os períodos sem alterar-lhes a ordem e diminuindo o número de parágrafos. Lembre-se: cada parágrafo desenvolve uma – e apenas uma – ideia principal.

Estávamos em plena seca.
Amanhecia. Um crepúsculo fulvo alumiava a terra com a claridade de um incêndio ao longe.
A pretidão da noite esmaecia. Já começava a se individualizar o contorno das florestas, a silhueta das montanhas ao longe.
A luz foi pouco a pouco tornando-se mais viva.
No oriente assomou o sol, sem nuvens que lhe velassem o disco. Parecia uma brasa, uma esfera candente, suspensa no horizonte, vista através da ramaria seca das árvores.
A floresta completamente despida, nua, somente esqueletos negros, tendo na fímbria aceso o facho que a incendiou, era de uma eloquência trágica.
Amanhecia, e não se ouvia o trinado de uma ave, o zumbir de um inseto!
Reinava o silêncio das coisas mortas.
Como manifestação da vida percebiam-se os gemidos do gado; na agonia da fome, o crocitar dos urubus nas carniças.
2. Leia o parágrafo de desenvolvimento abaixo, feito por um aluno para uma redação sobre a questão ambiental no mundo contemporâneo.

“É preciso considerar, antes de tudo, que é nítido o descaso dos políticos com o meio-ambiente. De fato, nossos representantes privilegiam o plano econômico em detrimento da natureza, parecendo esquecer-se do quanto ela é fundamental para a manutenção da humanidade. Além disso, a sociedade também tem sua parcela de culpa. Justamente aqueles que poderiam exigir ações mais eficazes são os primeiros a dar mau exemplo: poluem as águas e o solo, usam produtos ofensivos à camada de ozônio e fazem vistas grossas à destruição das grandes florestas.”

a) O parágrafo acima, embora bem escrito do ponto de vista gramatical, apresenta uma falha no que diz respeito a sua estrutura. Identifique esse problema, tecendo os comentários pertinentes.
b) Destaque, do trecho, dois elementos que realizam coesão seqüencial, indicando, ainda, seus valores semânticos.
3. Sublinhe o tópico frasal de cada parágrafo a seguir:

Tema: O mundo virtual é, de fato, um benefício para o ser humano?

Parágrafo 1
É notável que a descrença nos sentimentos tidos verdadeiros vem de cedo. De fato, na infância a criança é bombardeada por computadores, video-games e afins, que, além de a retirarem do convívio familiar, trazem a insensibilidade. Dessa forma, a vida virtual “mecaniza” o coração e afasta da realidade demonstrações humanas e reais de afeto, como se certas sensações perdessem a transparência. Evidencia-se a fragilidade do ser, e tal “vácuo sentimental” será aberto pelo avanço tecnológico.

Parágrafo 2
Além disso, o individualismo crescente, em muito incentivado pela mídia, deturpa e perverte uma série de valores. Nesse contexto, uma onda de pessimismo muito grande é espalhada sobre a sociedade. Com isso, os meios de comunicação recriam um mundo de ilusão – a sociedade do sonho – na tela da TV, no cinema e nos “sites”, tentando encobrir, com uma noção de modernidade, a mediocridade que não condiz com sua situação.
4. Avalie o parágrafo a seguir, retirado de uma redação sobre o uso de drogas pelos jovens na atualidade.

“Além dos aspectos psicológicos, não podemos esquecer que é a família o núcleo responsável por ministrar os valores morais, éticos e relativos à cidadania para o indivíduo. Ela também pode ser apontada, ao menos indiretamente, como um dos responsáveis pelo uso de substâncias entorpecentes. Sem dúvida, a falta de orientação adequada pode fazer com que o jovem desvirtue seu comportamento, praticando atos “reprováveis” aos olhos da sociedade, mas que, para ele, nada trazem de danoso.”

 

5. Uma excelente forma de conseguir realizar a coesão entre os parágrafos é fazendo uso dos chamados “ganchos”, isto é, expressões que remetem a outro parágrafo – anterior ou posterior. Nesse sentido, responda: existe “gancho” no parágrafo lido? Se houver, transcreva-o.

 

6. Transcreva o tópico frasal do parágrafo e diga se seu uso foi adequado ou não.

 

7. Analise o desenvolvimento da redação abaixo, fazendo os comentários que se mostrarem pertinentes:
Tema: Juventude de hoje: rebeldia ou desamor?

A involução do homem
Como marca da sociedade intitulada moderna, a chamada “cultura do ficar” tornou-se bastante popular. Consequentemente, é cada dia menor o número de casais que buscam o casamento, em seu formato tradicional, como uma forma de celebrar a estabilidade da relação. O superficialismo e a efemeridade são sintomas de uma juventude abandonada. A família moderna deixa a desejar, a competição acirrada afasta os amigos, o mundo de Narciso é o que resta. Agressivos. Violentos. Mal-educados. Rebeldes? Apenas mal amados.
Carência afetiva não é exclusividade da juventude, mas, com certeza, na faixa etária dos 18 anos, o ser humano requer maior atenção. Sem tempo para dispensar aos aborrecidos adolescentes, os pais, muitas vezes, negligenciam as pistas que indicam se seus filhos apresentam um risco à sociedade. Quem eram os pais daqueles que atearam fogo em um índio? Quem eram os pais daqueles que afogaram um calouro na piscina? Eram, possivelmente, pais ausentes, incapazes de transmitir valores morais básicos.
Básicos, porém, facilmente descartáveis. Quando a lei do mais forte impera, tudo se torna válido, a fim de alcançar sucesso e vitória. Ao menos, é isso que, desde cedo, o mundo ensina àqueles que ainda têm seu caráter em formação. Como fortes e vigorosos gladiadores, os jovens aprendem a ver o “próximo”, em seu sentido bíblico, como um oponente a ser destruído. Mestre em analisar o comportamento humano, afirma Machado de Assis: “O menino é o pai do homem”.
Tendo recebido, enfim, a formação “adequada”, o jovem é capaz de sobreviver, guardando em si um exército de um homem só. A juventude de hoje nasce carente e cercada de inimigos em potencial; cresce certa de que o amor só existe nos contos de fada e só reproduz porque deseja, narcisicamente, garantir a eternidade de sua existência. Sozinho e descrente, o menino marcha rumo ao nada.