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Aula ao Vivo: Conclusão

O tema da aula ao vivo de hoje será: Conclusão! 😀 Os professores Rafael Cunha e Eduardo Valladares vão te explicar tudo sobre Conclusão para você arrasar nas redações dos vestibulares e ENEM! 🙂

Confira os dias e horários das aulas aqui embaixo e não se esqueça de baixar o material de apoio! 🙂

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Redação: Conclusão
SEXTA-FEIRA 24/04
Turma da Manhã: 9:00  às 10:00, com o professor Eduardo Valladares.
TERÇA-FEIRA 28/04
Turma da Noite: 19:45 às 20:45, com o professor Rafael Cunha.

Faça download dos materiais, é só clicar aqui embaixo 😉

Material de Aula ao Vivo

MATERIAL DE AULA AO VIVO

Objetivos/Funções:

Após a análise das duas primeiras partes da Redação – a introdução e o desenvolvimento -, chegou a hora de tratarmos do desfecho ou encerramento da dissertação. È o parágrafo que convencionamos chamar de conclusão.

É comum o aluno, no momento em que se prepara para escrever o último parágrafo do texto, sofrer de um mal súbito de relaxamento. Isso porque, após ter “quebrado a cabeça” na Introdução e ter criado argumentos coesos, coerentes e consistentes para embasar seu pensamento durante o desenvolvimento, é normal que se tenha a impressão de que o “pior” já passou. Nada mais equivocado. Sem dúvida, a falta de preocupação com as últimas linhas que compõem o texto é uma estratégia totalmente falha, na medida em que a nota pode ser diminuída nessa etapa.

Explique-se: ora, se o grau atribuído pela banca examinadora só vem após a leitura de toda a Redação, parece óbvio que uma má impressão ao fim do texto pode diminuir a nota a ser dada ao aluno. Por isso, devemos atentar para a conclusão, que pode ser convertida em mais um instrumento de aquisição de pontos pelo candidato.

Nesse sentido, uma boa conclusão é aquela que cumpre três objetivos, identificados a seguir:
Em primeiro lugar, deve-se ter a preocupação de fazer o leitor perceber que o texto acabou. Do mesmo modo que é frustrante assistir a um filme em que o final só é percebido no momento em que as letras dos créditos começam a aparecer na tela ou quando um comediante não consegue fazer o público perceber que sua piada chegou ao fim, uma conclusão que mais parece um outro parágrafo do desenvolvimento jamais será apreciada pelo examinador. O que fazer, então? As possibilidades são inúmeras, mas uma boa dica é começar o parágrafo com uma palavra ou expressão que tenha valor conclusivo. Palavras e expressões denotativas como “desse modo”, “sendo assim”, “portanto”, “então”, “dessa forma” e outras afins constituem ótimas sugestões.
Em segundo lugar, a boa conclusão deve buscar ser uma decorrência “natural” daquilo que foi dito ao longo do texto. Em outras palavras, ela deve ser uma espécie de síntese ratificadora da argumentação do enunciador. A dica aqui consiste em tentar parafrasear aquilo que foi sugerido como tese ou ponto de vista na introdução. Sem dúvida, trata-se de uma excelente “pedida” para iniciar o parágrafo final.

Por fim, devemos sempre nos preocupar com aquela boa impressão – já mencionada – que deve ter a banca examinadora. Por isso, no espaço que ainda estiver disponível para a confecção do texto, o aluno deverá, no mínimo, manter (e, se possível, elevar) o nível de interesse do leitor. Trata-se de um “algo mais” em relação aos outros candidatos, o que, com certeza, renderá bons frutos em termos de nota. Sobre o cumprimento dessa função, falaremos no próximo item.

Estratégias de Diferenciação:

• Proposta de Intervenção
Em uma análise superficial, poderíamos nomear esta estratégia como “Proposta de Solução”. No entanto, tal terminologia acabaria por se revelar inadequada, já que, em tão poucas linhas, é quase impossível se propor uma verdadeira solução – de modo que o problema em foco na discussão seja extinto. Na verdade, a nomenclatura com “Intervenção” parece mais adequada, pois o aluno tecerá propostas para que aquela realidade negativa seja, ao máximo, minimizada/atenuada. Segue um exemplo, retirado de uma redação já estudada na apostila 2.

Tema – Consumismo: comportamento natural ou prejudicial?
“Fica evidente, portanto, que o consumismo exagerado contribui para o agravamento das mazelas do país. Para reverter tal quadro, deve-se procurar o resgate da cultura nacional e a recuperação de valores através da mídia. Assim, em vez de propagarem o “comprar”, os veículos de comunicação propagarão o “educar”, fundamental na construção de um país justo. O tênis perfeito será, finalmente, substituído por um Brasil mais igualitário.”
• Sugestão de Figuras
Consiste em utilizar figuras de linguagem para causar impacto no leitor. As mais indicadas são a metáfora, a comparação, a metonímia, a ironia e a hipérbole. Observe os exemplos a seguir:

Tema – Por que os políticos brasileiros são os primeiros a transgredir as leis?
“Assim, é nítido que a transgressão às leis é um comportamento moralmente aceito – e enraizado – pelos políticos. A julgar por suas últimas ações, a única solução plausível seria a legalização do comportamento corrupto. Talvez desse modo, em se mantendo a coerência de nossos estimados representantes, o brasileiro poderia orgulhar-se de viver em um país mais honesto.”
• Intertextualidade
Consiste em fazer referências culturais, relacionadas a escritores famosos, filósofos, cientistas, enfim, personalidades em geral. Observe o exemplo:

Tema – A valorização do corpo humano.
“Desse modo, fica fácil perceber que vivemos em um contexto de valorização relativa do corpo, com os indivíduos preocupando-se muito mais com a aparência e menos com a essência. Nunca a frase de Vinicius de Moraes – “as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental” – foi seguida tão literalmente. A despeito do pedido de desculpas, o poeta estava equivocado: saúde e inteligência é que são fundamentais.”
• Conclusão por Reflexão
Consiste em buscar a essência do tema. É uma tentativa de superar a simples discussão da questão, atingindo um plano mais elevado de raciocínio. Veja:

Tema – O trabalho infantil na realidade brasileira (ENEM 2005)
“Fica claro, então, que o trabalho de nossas crianças não deve ser visto de modo generalizado, sob uma ótica maniqueísta, ou para o bem ou para o mal. Um posicionamento mais objetivo dependerá de como a função desempenhada vai influenciar a vida do menor. Contudo, o ponto central jamais pode ser ignorado: nessa questão, o que está em jogo são a felicidade e o futuro de um ser humano.”
• Introdução de Ressalva
Trata-se de uma tentativa de antecipação a críticas mais contundentes. O enunciador protege-se, reconhecendo algum ponto mais frágil de sua argumentação. Esta estratégia pode ser facilmente relacionada a outras, principalmente no caso da proposta de intervenção. Analise o caso abaixo:

“Portanto, um dos maiores flagelos do Brasil atual, o desemprego, pode ser amenizado de modo relativamente simples. Obras públicas, atuação mais severa de sindicatos, incentivos fiscais e cuidados com a economia podem produzir resultados antes inimagináveis. Resta saber se o governo e a sociedade civil organizada estarão dispostos a atuar juntos nesse processo.”

 

O Título

“Perco pontos se não colocar o título na redação?” Essa dúvida, com certeza, passa pela cabeça de muitos vestibulandos. Independentemente da resposta (que, por sua vez, dependerá de cada banca), o que deve ser compreendido é que uma boa redação sempre deve começar por um bom título. O bom título deve ser sugestivo, fazendo com que o leitor tenha vontade de ler o texto do aluno. Deve também, de algum modo, sugerir em linhas gerais a abordagem que o aluno dará ao tema. E o mais importante: deve fazer tudo isso em poucas palavras, causando o maior impacto possível no leitor. Simples, não?
Não, não é. Muitas redações apresentam títulos inócuos, sem qualquer efeito sobre o leitor, pois diversos redatores simplesmente têm preguiça de pensar. Essa despreocupação é totalmente anti-estratégica, na medida em que o título também faz parte da estrutura da redação. Portanto, a partir de agora, o título torna-se obrigatório e deve ser pensado com muito cuidado!

Observação: Evite ao máximo fórmulas desgastadas. O uso da conjunção “ou” e do sinal que indica “versus”, como em “Homens ou robôs” e “Criador x criatura” é um exemplo dessa prática. Slogans publicitários, provérbios copiados literalmente, referências muito genéricas ao tema (“Amor”) e títulos que repetem palavras já presentes no tema também são dispensáveis. Seja criativo!
1. Avalie a pertinência e o impacto que cada um dos títulos sugeridos para os temas abaixo possui. Eleja a melhor sugestão para cada caso.
a) Tema 1 – Brasil, pluralidade e contrastes
• O Brasil e sua diversidade
• Singular porque plural
• Quadro cubista

b) Tema 2 – Até que ponto a corrupção é uma marca da nossa cultura?
• Navio sem rumo
• Brasil x corrupção
• Corrupção: como evitá-la?

c) Tema 3 – Efeitos negativos da tecnologia
• Tecnologia má
• @lienados
• Tecnofobia
Conclusão 1

Tema: “Qual a importância do voto na sociedade brasileira?”
Fica claro, portanto, que a importância do voto hoje está relegada a uma minoria que, incrivelmente, ainda se interessa pela política futura do país. Por isso, é preciso resgatar o verdadeiro significado de democracia. Porém, isso de nada adiantará se não se iniciar antes um processo de conscientização das massas, mostrando que o voto deve ser feito de forma responsável e consciente.

Conclusão 2

Tema: “O vestibular deve acabar?”
Logo, a extinção desse sistema que funciona apenas como um meio de manter as elites no poder é mais do que necessária. Afinal, não é justo que apenas uma parcela da população tenha acesso às universidades, e atitudes demagógicas como o sistema de cotas de nada servem se não houver um preparo anterior de cada aluno que deseja ingressar em um curso superior. Resta saber se há interesse político em modificar esse quadro.

Conclusão 3

Tema: “Terrorismo: uma guerra suja ou uma luta ideológica?”
Por fim, pode-se dizer que o terrorismo hoje representa mais do que uma luta ideológica, estando acima do bom senso da humanidade. Além disso, é uma guerra irresponsável e insana, com atitudes baixas nos ataques aos demais povos que possam vir a discordar ou serem diferentes, em algum aspecto, de seus praticantes. Dessa maneira, em meio a tantos conflitos, a paz mundial torna-se cada vez mais distante, rumo à utopia definitiva.

Conclusão 4

Tema: “Como resolver o problema da seca no Nordeste?
Assim sendo, fica evidente que o problema da seca continuará a existir enquanto providências sérias não forem tomadas, tais como a exploração de lençóis freáticos e a doação de incentivos por parte do governo. A mobilização social também é necessária, como no caso do fornecimento de mantimentos por parte das classes mais altas. Mas será que os governos entendem que, no caso da seca, agir intensivamente não seria “chover no molhado”?

(todas as conclusões por M.C., AGOSTO/2010)

2. A ressalva é um recurso que consiste em apresentar uma restrição a um determinado aspecto. Essa forma valoriza a conclusão de um texto, já que demonstra uma visão mais ampla por parte de quem escreve. Destaque de uma das conclusões acima um exemplo desse recurso.
3. Outra forma de enriquecer sua conclusão é fazer uso de uma reflexão aprofundada, demonstrando que você possui consciência crítica. Identifique, em um dos exemplos, um tipo de reflexão proposta pelo autor.
4. Na conclusão 3, o autor demonstra claramente sua posição em relação à pergunta feita no tema. Após reler esse parágrafo, responda:
a) Que posicionamento é esse?
b) Você concorda ou discorda? Justifique.
5. Apresentar soluções também é uma estratégia bastante válida para terminar um texto – em alguns casos, é até mesmo essencial que se proponha algo. No caso da conclusão 4, o autor realiza muito bem esse trabalho, mostrando realizações concretas para se resolver o problema da seca. Caso ele não tivesse nenhuma solução prática, em última instância, de que forma ele poderia usar essa mesma tática?
6. Como se denomina o recurso utilizado pelo autor no último período da conclusão 4?
7. Na conclusão 1, o autor constrói a seguinte frase: “por isso, é preciso resgatar o verdadeiro significado de democracia”. Explique-a.
8. Apesar de serem de estilos diferentes, as quatro conclusões apresentam um aspecto comum, essencial para um parágrafo desse tipo. Qual?
9. O que o autor quer dizer quando afirma que medidas como o sistema de cota são “atitudes demagógicas”?
10. A frase “está relegada a uma minoria que, incrivelmente, ainda se interessam pela política futura do país” contém um erro quanto à norma culta da língua. Corrija-o e explique o porquê de estar errado.

 

Gabarito

1. Resposta aberta

2. “Porém, isso de nada adiantará se não se iniciar antes um processo de conscientização de massa, mostrando que o voto deve ser feito de forma responsável e consciente.”

3. “(…) não é justo que apenas uma parcela da população tenha acesso às universidades, e atitudes demagógicas como o sistema de cotas de nada servem se não houver um preparo anterior de cada aluno que deseja ingressar em um curso superior.”

4. a) A ideia de que o terrorismo é uma guerra insana, acima dos dois conceitos propostos pelo tema.
b) Resposta aberta

5. Apresentando uma solução utópica e deixando claro que ela é desse tipo. (Ex.: “Por mais que seja utópico, o ideal seria fazer…”)

6. Ironia

7. A real democracia seria aquela que pressupõe direitos e deveres iguais para todos, o que, no caso do sistema eleitoral, seria obedecer a uma estrutura em a população como um todo aprendesse a realizar o ato de votar de forma consciente.

8. Respondem diretamente à pergunta do tema.

9. Ele demonstra que medidas desse tipo só servem para cativar a população, mas não são soluções práticas de fato, já que não avançam sobre a raiz do problema.

10. No caso de “a minoria”, a concordância deve ser feita no singular, já que não há um termo posterior que tornaria essa concordância opcional. Assim, o correto seria dizer “está relegada a uma minoria que, incrivelmente, ainda se interessa pela política futura do país.