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6 erros que podem arruinar a sua redação do ENEM

Oi, pessoas, tudo bem?

Como todos sabem, o Fantástico, programa da Rede Globo, levou ao ar, no último domingo, uma reportagem sobre as correções da redação do ENEM. Após assistir à reportagem, comecei a pensar no que poderíamos discutir a respeito do que foi dito e, claro, como identificar mais estratégias que pudessem garantir nosso tão sonhado mil.

Estratégias + Concentração = Sucesso e Felicidade.

A matéria começou com uma pergunta interessante: “até que ponto a avaliação corresponde ao desempenho de cada um dos candidatos?”. A própria apresentadora questiona, seria a variedade de erros fruto de ignorância, deboche ou criatividade? Entre os erros, hinos de futebol, linguagens distantes da formal, trechos de músicas, recados para o avaliador, para o Papai Noel, erros históricos e até cópias de textos da coletânea e das provas de Português e Matemática. Apesar de pontuais, são erros que precisam ser evitados. Vamos discuti-los, então?

1) Cópia dos textos de apoio

O treinamento de corretores é claro ao dizer que as linhas com cópias literais de qualquer dos textos da prova – coletânea ou questões – serão desconsideradas na correção. Uma redação, como no exemplo da matéria, com 5 ou 6 linhas autorais e 20 linhas plagiadas certamente tangenciará a nota zero. Obviamente, como há competências que exploram capacidade argumentativa, coerência, coesão, propostas de intervenção, conhecimento de mundo, a nota pode ser um pouco maior. Mas, vamos ser sinceros: você, que treina redações, assiste às aulas, estuda os eixos temáticos e tira notas boas não vai ter argumentos faltando para o seu texto a ponto de copiar a coletânea, né? Erro pontual.

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Entrar em desespero na prova: escrever várias coisas aleatórias que anularão sua redação.

 

2) Deboche

Não vou perder nem tempo discutindo algo desse tipo. Minha opinião? Nenhum aluno que sonha com a vaga na faculdade vai pensar em colocar o hino do Flamengo na prova – muito menos o do Ibis, diga-se de passagem. Como estamos tratando de notas e correções, a nota zero é a principal orientação quando deboches são encontrados na prova. Apresentar a anulação de três mil provas com deboches e a pontuação de três ou quatro provas com o mesmo problema só prova que o sistema não é tão falho assim, certo? É uma prova em um milhão. Mais uma vez, erro pontual.

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Você pode até debochar na hora, zoar na redação…

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…mas sabemos o que vai acontecer depois.

 

3) Você pode até escrever “seja o que Deus quiser”, mas não envie recado para o avaliador!

Essa é uma orientação bem interessante. Afinal, quem nunca colocou um recado para a tia na prova da escola? Se você nunca fez isso, deve ser por isso que não é feliz (desculpe). O ENEM zera sim redações que tragam qualquer tipo de contato do aluno com o avaliador. Cuidado com isso. Ainda que a proposta seja “qual a melhor forma de avaliar a sua prova de redação?”, por favor, não se dirija ao corretor!

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Aprenda com a Avril Lavigne: mantenha distância até mesmo do corretor de redações. Ou seja: sem recados engraçadinhos.

 

4) Sobre o recado ao Papai Noel

Não pretendo me estender muito nessa parte, simplesmente porque é muito subjetiva – e isso ficou claro na própria reportagem. Ao meu ver, em uma prova muito inocente, ingênua, o recado ao Papai Noel serviu, sim, como proposta de intervenção. Um corretor mais rigoroso poderia ter considerado o deboche, mas repito: é um pouco subjetivo. Vamos deixar essa passar. Para não termos problemas, não faça isso. 🙂

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Deixa para escrever a cartinha pro Papai Noel depois. Aproveita e pede tudo o que você tem direito.

 

5) Aquele erro mais provável: a linguagem

Obviamente, você, aluno, não vai redigir sua argumentação na língua do “p” ou em internetês, mas a questão da linguagem precisa ser tratada com muita atenção. A prova do ENEM exige o padrão culto, formal da norma, o que condena variações como as gírias, linguagens de internet e até deboches – afinal, a língua do “p” é, sem dúvidas, um deboche que zera a prova. Entretanto, o uso de variações de forma criativa, como parte da argumentação, é tolerável, o que torna a discussão subjetiva. Como estamos tratando de uma prova que corrige as redações rapidamente e muitas vezes superficialmente, minha dica é: evite o uso. Simples assim. Se seu texto for construído de forma inteligente e a variação proposital ficar clara, ótimo, ponto pra você, mas corremos o risco de seu uso não ficar tão claro, o que pode ser um problema. Na dúvida, repito: evite. Ah, claro, lembrando: a modalidade escrita é avaliada na competência um, ou seja, 200 pontos estão em jogo quando você utiliza tais ferramentas. Deu pra pensar duas vezes, agora?

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Na redação do ENEM pode ser assim: um errinho básico (como escrever gírias de internet) e toda a sua nota cai por terra.

 

6) Erros de conteúdo

Durante a discussão da nota da redação que apresentou erros históricos, na entrevista, um dos professores levantou a possibilidade de falta de conhecimento por parte do aluno que escreveu o texto. Preciso ser sincero: é difícil, muito difícil, um aluno do Ensino Médio, no auge de seus 17, 18 anos, acreditar – ou arriscar – que a Lei Seca foi criada durante o AI-5. Ainda que seu ensino não tenha sido tão bom, isso não é conhecimento adquirido na escola, e sim na vida. Porém, é possível sim que se encontre uma variedade de erros que sejam fruto da falta de conhecimento do aluno. Dessa forma, é importante que se tenha muito cuidado na hora de trazer à prova a interdisciplinaridade. A dica é: na dúvida, não coloque. Simples, né? Como você estuda, e treina, sua contextualização vai vir à mente de forma muito mais natural, mas dúvidas sempre surgem, então, como estamos tratando de sua vaga na faculdade, esqueça aquilo que você não sabe se está certo e tente achar algo que você tenha certeza que aconteceu. Conhecimento não falta. Além disso, acredito que, depois de um filme do Getúlio nos cinemas, você nunca vai pensar em dizer que ele bebeu muito vinho e morreu em um acidente de carro. Espero.

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Imagina o corretor lendo sua prova e vendo erros básicos de conteúdo, como “Sim, quem descobriu o Brasil foi Tiradentes”. Tchau, nota 1000!

 

Ufa! Acho que conseguimos abordar todos os pontos, né? Entretanto, sendo bem sincero, creio que nenhum deles deva preocupá-los. Muitos alunos já me perguntaram “mas Bernardo, se a prova é um ‘sorteio’, por que se preparar tanto, por que aprender tantas estratégias, por que se preocupar? Não é só chegar na hora da prova e escrever qualquer coisa?” e eu, como sempre, ressaltei o número desprezível de erros na correção em milhões de provas, o que anula a existência de “sorteio”. Um texto bem escrito, bem apresentado, limpo, paragrafado, com letra legível e argumentação clara certamente chamará a atenção do corretor, que corrigirá a redação com mais atenção e interesse – já ouvi muitos corretores dizendo “foram tantos textos ruins que os que eu percebia que poderiam ter algum potencial, lia com muito mais prazer”. Se ainda não te convenci com meus argumentos, parto para a parte apelativa: você vai mesmo arriscar e não fazer um bom texto? Vai que o corretor decide ler… 😛

 Vamos treinar e garantir o mil?

Bom texto e bom 1000!

Esse resumo foi produzido pelo monitor Bernardo Soares.