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3 tipos de narração que você precisa conhecer para prestar vestibular

Você sabe a importância da narrativa? Basta dizer que, em nosso dia a dia, a todo instante estamos narrando: seja um fato ocorrido, um encontro com certa pessoa, uma viagem, um passeio etc. Todos sentimos um natural impulso para narrar, pois narrando reconstituímos a vida vivida em momentos importantes. Vai me dizer que você nunca contou pra sua amiga como foi aquela festa bombástica ou aquele momento em que você estava no estádio e seu time fez aquele gol decisivo? Pois é, é nesse momento que você se torna o narrador do acontecimento.
No entanto, para ser narrador, não basta só contar algo, né? Então, vamos descomplicar agora e te mostrar por que o narrador pode ser geralmente classificado em três tipos:

 

1- Como ser um narrador-personagem?

O narrador-personagem é aquele que conta e participa da história como personagem principal ou secundário. Esse tipo de narrador consegue passar maior subjetividade ao texto, pois está envolvido emocionalmente com o acontecimento relatado. Por esse mesmo motivo, seu relato é bastante parcial e não pode ser tomado totalmente como verdadeiro. Então, para ser narrador-personagem, deixa se envolver! Olha aqui:

“Quando voltei a casa era noite. Vim depressa, não tanto, porém, que não pensasse nos termos em que falaria ao agregado. Formulei o pedido de cabeça, escolhendo as palavras que diria e o tom delas, entre seco e benévolo. Na chácara, antes de entrar em casa, repeti-as comigo, depois em voz alta, para ver se eram adequadas e se obedeciam às recomendações de Capitu: ‘Preciso falar-lhe, sem falta, amanhã; escolha o lugar e diga-me.’”

(ASSIS, Machado de. Dom Casmurro)

Se eu participo, eu falo!

2- Como ser um o narrador onisciente?

O narrador onisciente conhece os fatos dos quais está falando, mas não participa das ações. Apesar de não participar, além de contar o acontecimento, relata os sentimentos, os desejos e até mesmo os pensamentos dos personagens; ou seja, é como aquela melhor amiga que sabe o que você está pensando e sentindo sem nem participar do rolo. Olha esse exemplo aqui embaixo na nossa literatura:

“Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina e acabada.”

(ASSIS, Machado de. Quincas Borba)

Eu sei o que você está pensando!

3- Como ser um narrador observador?

O narrador observador não participa da ação e conta o que aconteceu a partir do seu ponto de vista. Ele se comporta como uma testemunha do fato, mas não sabe nada a respeito dos personagens. Olha só esse exemplo:

“Ninguém ali sabia ao certo se a Machona era viúva ou desquitada, os filhos não se pareciam um com os outros. A Das Dores sim afirmavam que fora casada e que largara o marido, para meter-se com um homem do comércio (…)”.

(AZEVEDO, Aluisio. O cortiço)

“Não foi comigo, mas eu vi!”