• Aumentar Fonte
  • Diminuir Fonte
  • Trocar contraste

O que são figuras de linguagem?

As figuras de linguagem são recursos capazes de tornar o texto, falado ou escrito, mais expressivo. O famoso gramático, professor Evanildo Bechara, usa a expressão “figuras de estilo” para tratar desses recursos. De fato, ao buscar meios de garantir a expressividade de seu texto, elaborando a mensagem, o emissor está imprimindo o seu estilo de escrita.

As figuras de linguagem são divididas em: figuras de som, figuras de palavras, figuras de pensamento e figuras de construção. Neste resumo, vamos nos ater às figuras de palavra e de pensamento.

 

Figuras de Palavras

“Também palavras são uma espécie de conchas, às quais temos de encostar o ouvido com humilde atenção, se quisermos apreender a voz que dentro delas ressoa.”

Antônio Pagliaro – citado por Evanildo Bechara em sua Moderna Gramática da Língua Portuguesa)

 

As palavras nem sempre guardam seu significado original. O significado delas está relacionado ao mundo das ideias e dos sentimentos. Sabendo disso, muitos escritores e falantes usam determinados recursos para tornar ainda mais expressivo o sentido de algumas palavras. As chamadas figuras de palavras são responsáveis por alterar a semântica original, atribuindo um sentido diferente do convencional. São elas: metáfora, metonímia, comparação, catacrese, antonomásia, perífrase e a sinestesia.

1

Para entender um pouco as figuras de linguagem, responda: você já viu alguém “pisando em ovos”?

Metáfora e comparação

É o uso de palavras ou expressões em seu sentido figurado. Dizemos que a metáfora é uma espécie de comparação implícita, pois aproxima os sentidos de palavras distintas, atribuindo características próprias de um termo a outro de classe diferente.

Exemplo: Cabelos de neve – a expressão “de neve” atribui ao cabelo a característica da brancura, própria da neve. Normalmente, essa locução adjetiva não seria utilizada para qualificar o substantivo cabelo, mas sim outro como “flocos”, por exemplo.

Atenção: não confunda a comparação feita pela metáfora om a comparação explícita.

Observe:

  • Seus olhos são diamantes brilhantes (metáfora)
  • Seus olhos são como diamantes brilhantes (comparação)

 

Quando temos o uso da palavra “como”, demonstrando claramente a comparação, temos outra figura de palavra, a comparação. Portanto:

  • Metáfora – comparação implícita
  • Comparação – explícita

 

Olhos de diamante: metáfora. Afinal, você conhece alguém tão rico assim?

 

Metonímia

Consiste em empregar um termo no lugar de outro, com o qual mantém relação de proximidade ( autor pela obra, a parte pelo todo, continente pelo conteúdo, lugar pelo produto, efeito pela causa, entre outros)

 

 

Exemplos:

“O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos não perguntam nada.”

(Carlos Drummond de Andrade , Poema de Sete Faces)

 

 

No exemplo acima, Drummond usa “pernas” no lugar de “pessoas”: é a parte pelo todo.

 

“E lágrimas nos olhos de ler o Pessoa
E de ver o verde da cana.”

(Belchior, fotografia 3×4)

 

“Pessoa”, no trecho acima, remete a Fernando Pessoa , escritor português. Trata-se de uma metonímia, pois Belchior usou o autor para se referir a sua obra.

 

 

Catacrese

Trata-se de uma metáfora que foi cristalizada pelo uso contínuo. A catacrese ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, toma-se outro “emprestado”.

Exemplos: Pé de Mesa – Por falta de um termo específico para designar o objeto que sustenta o tampo da mesa, tomamos por empréstimo a palavra .

Outros exemplos: Dente de alho; asa da xícara; embarcar no avião (embarcar deveria ser um verbo utilizado para se referir ao barco). Observe que na catacrese, assim como na metáfora, há sempre uma relação de semelhança.

4

A “asa” da xícara não é, realmente, uma asa. Certo? Figura de Linguagem, na certa!

 

Antonomásia ou Perífrase

A antonomásia consiste a substituição de um nome por uma expressão que o identifique com facilidade.

Exemplos:

O rei do futebol (ao invés de Pelé)

O poeta da Vila (ao invés de Noel Rosa)

O maior estádio do mundo ( em vez de Maracanã)

5

O rei do futebol? Mais uma figura de linguagem!

 

Sinestesia

Consiste em mesclar numa mesma expressão sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.

Exemplos:

Ela usava um perfume doce

No silêncio negro do seu quarto, aguardava os acontecimentos.

 

 

6

Perfume doce…

 

Figuras de pensamento

“Figuras de pensamento são processos estilísticos que se realizam na esfera do pensamento, no âmbito da frase. Nelas intervêm fortemente a emoção, o sentimento, a paixão.”

(Novíssima Gramática Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla)

As principais figuras de pensamento são:

Antítese

Aproximação de palavras ou expressões de sentido oposto.

Exemplos: “A areia, alva, está agora preta, de pés que a pisam.” (Jorge Amado)

Na música “Certas coisas”, escrita por Lulu Santos em parceria com Nelson Mota, tem excelentes exemplos de antítese. Observe:

“Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim.”

Observe que nesse breve trecho da canção já percebemos claramente um encadeamento de oposições. Essa aproximação de palavras opostas dentro do mesmo contexto é o que chamamos de Antítese.

 

Eufemismo

Consiste em suavizar a expressão de uma ideia triste ou desagradável, substituindo o termo por palavras mais “leves”.

Exemplos: João foi desta para melhor. (morreu)

“Você faltou com a verdade.” (mentiroso)

Gradação

Trata-se de uma sequência de ideias dispostas em sentido ascendente ou descendente.

Exemplos: “Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor”. (Olavo Bilac)

“O trigo… nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se.” (Padre Antônio Vieira)

Observe que Olavo Bilac cria uma gradação partindo do individual ( mim) até chegar ao sentimento maior que é o amor. No segundo exemplo temos uma sequência ascendente marcada pelos verbos nascer, crescer, espigar, amadurecer e colher, representando as etapas da do ciclo do trigo.

 

Hipérbole

Trata-se de uma afirmação exagerada, visando a um efeito expressivo.

Exemplos: Chorou um rio de lágrimas.

Estava morto de sede.

Faz uma eternidade que não a vejo.

Observe que em todas as frases acima há certo exagero nas afirmações, com a intenção de criar uma sentença expressiva.

Ironia

É a figura pela qual dizemos o contrário do que pensamos, quase sempre com intenção sarcástica.

Exemplos: 

“Um carro começa a buzinar… Talvez seja algum amigo que venha me desejar Feliz Natal!. Levanto-me, olho a rua e sorrio: é um caminhão de lixo. Bonito Feliz natal! “

Rubem Braga

 “Há recessão, há desemprego, há miséria, mas tudo está sob controle de geniais economistas.”

Evandro Lins e Silva

Paradoxo

Consiste em usar, intencionalmente, um contrassenso. Ou seja, uma organização de ideias aparentemente ilógica.

Exemplos: 

“O que não tenho e desejo é o que melhor me enriquece.”

Manuel Bandeira

“Ninguém é menos rei que quem tem reino

Observe que nas frases acima há um confronto de ideias opostas e simultâneas.  No primeiro exemplo, há uma relação entre a ideia de “não ter” e enriquecer, ou seja, ideias opostas, mas que fazem sentido dentro desse contexto. O mesmo acontece no segundo exemplo, pois, teoricamente, o rei é aquele que tem um reino.

Personificação

É a figura pela qual fazemos seres inanimados e irracionais agirem , sentirem como humanos.

Exemplo:

Os sinos chamam para o amor”

Mário Quintana

A morte roubou-lhe mais um filho querido.

 

EXERCÍCIOS

1. (ENEM-2004)

Cidade grande
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a:

a) Metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
b) Intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
c) Ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.
d) Denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
e) Prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

 

2. (ENEM-2001) Oxímoro (ou paradoxo) é uma construção textual que agrupa significados que se excluem mutuamente. Para Garfield, a frase de saudação de Jon (tirinha abaixo) expressa o maior de todos os oxímoros.

13

Folha de S. Paulo. 31 de julho de 2000.

 

Nas alternativas abaixo, estão transcritos versos retirados do poema “O operário em construção”. Pode-se afirmar que ocorre um oxímoro em:

a) “Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.”

b) “… a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.”

c) “Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.”

d) “… o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.”

e) “Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.”

MORAES, Vinícius de. Antologia Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Veja como resolver passo-a-passo essa questão! 

 

3. (ENEM-2004) Nesta tirinha, a personagem faz referência a uma das mais conhecidas figuras de linguagem para:

14

a) condenar a prática de exercícios físicos.
b) valorizar aspectos da vida moderna.
c) desestimular o uso das bicicletas.
d) caracterizar o diálogo entre gerações.
e) criticar a falta de perspectiva do pai.

 

 

GABARITO

1. C

2. B

3. E