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Aula ao Vivo: Classes Gramaticais – Palavras Invariáveis

Hoje teremos mais uma aula sobre Classes Gramaticais – Palavras Invariáveis com os professores mais fofos do Descomplica: Rafael Cunha e Eduardo Valladares! <3

Para não perder essa aula incrível, confira os dias e horários aqui no post! E não esqueça de aproveitar para baixar o material de apoio 😀

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Português: Classes Gramaticais – Palavras Invariáveis
09/06 TERÇA-FEIRA
Turma da Manhã: 10:15 às 11:15, com o professor Rafael Cunha
12/06 SEXTA-FEIRA
Turma da Noite: 18:30 às 19:30, com o professor Eduardo Valladares

Baixe o material de apoio, é só clicar aqui embaixo icon razz Aula ao Vivo: Anabolismo Nuclear e Síntese Proteica

Material de Aula ao Vivo
Lista de Exercícios

 MATERIAL DE AULA AO VIVO

A Preposição

Conceito

• É a palavra que liga dois termos quaisquer, estabelecendo entre eles, em geral, uma relação semântica.
• É invariável: não possui plural, nem feminino.
Ex.: Estou com vocês. (companhia)

Observações:
• Locuções prepositivas são expressões de duas ou mais palavras que desempenham o papel de uma preposição. Nessas locuções, a última palavra é sempre preposição.
Ex.: Morreu por causa do frio.

• As preposições essenciais são:
a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás (em desuso).

• Existem certas palavras que, por derivação imprópria, podem se tornar preposições. São as chamadas preposições acidentais (consoante, segundo, mediante, exceto, durante, etc.).
Ex.: Agiu segundo impulsos.

• Uma mesma preposição pode traduzir uma série de valores semânticos:
Ex.: Ando a pé. (meio)
Fui a praias. (lugar)
Nasci a 22 de maio. (tempo)
Escrevi a lápis. (instrumento)
Vendi a dez reais. (preço)

• Algumas preposições possuem finalidade sintática, e não semântica.
Ex.: Lembrei-me de você. (introduz objeto indireto)
As Palavras Denotativas

Conceito

• São palavras que, conservando seu valor semântico, não podem ser incluídas nas outras classes gramaticais por apresentarem características diferenciadas. É o caso da palavra “só” na frase: “Só ela não veio.”

Embora se refira a um nome e o caracterize, não pode ser considerada um adjetivo por ser invariável (no plural, teríamos “Só elas não vieram.”).

Existem também as chamadas locuções denotativas:
Ex.: Eu é que falo a verdade. (loc. denotativa de realce)
1.
Preciso que um barco atravesse o mar
lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
(…)

Gosto e preciso de ti
Mas quero logo explicar
Não gosto porque preciso
Preciso sim, por gostar.
Mário Lago,
<www.encantosepaixoes.com.br>

Marina Colasanti, Gargantas abertas.

a) Nos poemas acima, as preposições “para” e “por” estabelecem o mesmo tipo de relação de sentido? Justifique sua resposta.
b) Sem alterar o sentido do texto de Mário Lago, transcreva-o em prosa, em um único período, utilizando os sinais de pontuação adequados.
2. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque […] sai à caça do soldado desertor que realizou assalto a trem com confederados.

O Estado de S. Paulo, 15 set. 1995

O uso da preposição com permite diferentes interpretações da frase acima.
a) Reescreva-a de duas maneiras diversas, de modo que haja um sentido diferente em cada uma.
b) Indique, para cada uma das redações, a noção expressa pela preposição com.
3. Ser mulher…
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior…

Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor…

Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais…

Ser mulher, e, oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

(MACHADO, Gilka. Poesias completas. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial:
FUNARJ, 1991. p.106)

Em três versos do texto acima, encontra-se um conectivo normalmente descrito com o sentido de finalidade/movimento. Em um desses versos, o efeito de sentido extrapola essa descrição. Identifique tal verso, destaque o conectivo e explique o referido efeito de sentido.
4. Texto 1: Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

(Adélia Prado)

Sobre aspectos gramaticais, assinale a opção correta:
a) O vocábulo “uma” (verso 1), por singularizar uma ocasião especificada ao longo do poema, deve ser tratado como numeral, e não como artigo.
b) No segundo verso, o vocábulo “toda” possui a mesma classificação morfológica que “alaranjado”.
c) A preposição “por”, genericamente, introduz uma indicação de tempo, já que participa de uma expressão adverbial de valor durativo.
d) O advérbio “constantemente” empresta, além de uma noção de modo, uma de frequência ao verbo “amanhecendo”, que ele modifica.
5. Qualquer Canção

Qualquer canção de amor
É uma canção de amor
Não faz brotar amor
E amantes
Porém, se essa canção
Nos toca o coração
O amor brota melhor
E antes

Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração
Rasgado
Porém, inda é melhor
Sofrer em dó menor
Do que você sofrer
Calado

Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen
Da chama
E essa canção também
Corrói como convém
O coração de quem
Não ama

CHICO BUARQUE, In: CHEDIAK, Almir. Chico Buarque song book 3

A coerência é determinada, entre outros fatores, por elementos que contribuam para a progressão do texto. Na letra da canção de Chico Buarque, a coerência do texto decorre da utilização dos seguintes recursos:
a) marcação rítmica, repetição vocabular, multiplicidade temática
b) repetição vocabular, paralelismo sintático, multiplicidade temática
c) marcação rítmica, paralelismo sintático, multiplicidade temática
d) marcação rítmica, repetição vocabular, paralelismo sintático
6. Assistimos à dissolução dos discursos homogeneizantes e totalizantes da ciência e da cultura. Não existe narração ou gênero do discurso capaz de dar um traçado único, um horizonte de sentido unitário à experiência da vida, da cultura, da ciência ou da subjetividade. Há histórias, no plural; o mundo tornou-se intensamente complexo e as respostas não são diretas nem estáveis. Mesmo que não possamos olhar de um curso único para a história, os projetos humanos têm um assentamento inicial que já permite abrir o presente para a construção de futuros possíveis. Tornar-se um ser humano consiste em participar de processos sociais compartilhados, nos quais emergem significados, sentidos, coordenações e conflitos.
A complexidade dos problemas desarticula-se e, precisamente por essa razão, torna-se necessária uma reordenação intelectual que nos habilite a pensar a complexidade.

(SCHNITMAN, Dora Fried. Introdução: ciência, cultura e subjetividade. In: Dora Fried Schnitman (org.) Novos paradigmas, cultura e subjetividade, p. 17)

O uso da preposição em, no termo “nos quais”, indica que a expressão nominal “processos sociais compartilhados” está empregada com qual valor semântico em relação a “emergem significados”?
7. Explique qual o valor argumentativo da palavra denotativa destacada no texto.
8.

p2

Por derivação imprópria, uma palavra de uma classe gramatical passa a exercer outra classe gramatical. Comente essa afirmativa, considerando a fala de Mafalda.
9. O advérbio varia em grau, basicamente, como o adjetivo. O superlativo absoluto só não está indicado em:
a) Ele agiu menos generosamente que você.
b) Maria se comportou educadissimamente.
c) Acordou cedinho, cedinho.
d) O médico nos recebeu tão solicitamente…
e) João arrumou-se rapidissimamente.
Gabarito

1. a) O sentido das preposições essenciais “para” e “por” empregadas nos textos de Marina Colasanti e Mário Lago, respectivamente, não é o mesmo. A primeira estabelece relação de finalidade (introduz oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo): manifesta o desejo (a intenção) que o poeta sente de fugir da inércia (do imobilismo) e de se libertar da rotina (da escravidão do trabalho). Já a segunda estabelece relação de causa (introduz oração subordinada adverbial causal reduzida de infinitivo), evidenciando a razão pela qual o enunciador gosta (o motivo que provoca a necessidade).

b) O texto de Mário Lago, transcrito em um único período, ficaria:
Gosto e preciso de ti, mas quero(,) logo(,) explicar: não gosto porque preciso, preciso sim por gostar.
Outra possibilidade seria:
Gosto e preciso de ti, mas quero(,) logo(,) explicar: não gosto porque preciso; preciso, sim, por gostar.

2. Acompanhe com o seu professor.

3. O verso que contém o conectivo de que trata o enunciado da questão é o seguinte: “para a larga expansão do desejado surto,”. Nesse verso, o conectivo “para” extrapola o sentido de finalidade/movimento e alcança efeito de relação ou comparação ou proporcionalidade (o infinito é curto em relação / em comparação / em proporção à larga expansão do desejado surto).

4. C

5. D

6. Gabarito pelo professor.

7. Gabarito pelo professor.

8. Gabarito pelo professor.

9. Gabarito pelo professor.

 

LISTA DE EXERCÍCIOS

Atente para os textos abaixo:

I
O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas. (…) A Biblioteca existe ab aeterno. Dessa verdade, cujo corolário imediato é a eternidade futura do mundo, nenhuma mente razoável pode duvidar. (…) Em alguma estante de algum hexágono (raciocinaram os homens) deve existir um livro que seja a cifra e o compêndio perfeito de todos os demais: algum bibliotecário o consultou e é análogo a um deus.

(Jorge Luís Borges, “A biblioteca de Babel”, Ficções)

II
Sertão velho de idades. Porque – serra pede serra – e dessas, altas, é que o senhor vê bem: como é que o sertão vem e volta. Não adianta de dar as costas. Ele beira aqui, e vai beirar outros lugares, tão distantes. Rumor dele se escuta. Sertão sendo do sol e os pássaros: urubu, gavião – que sempre voam, às imensidões, por sobre… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e se abaixa. Mas que as curvas dos campos estendem sempre para mais longe. Ali envelhece vento. E os brabos bichos, do fundo dele…

(João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas)

1. Encontram-se, nesses textos, dois espaços ficcionais bastante representativos, respectivamente, das obras de Borges e de Guimarães Rosa. Apesar das fortes diferenças entre esses espaços, eles apresentam uma característica essencial em comum, que nos ajuda a perceber a função simbólica que esse elemento pode assumir numa narrativa. Qual é ela?
a) O sentido de uma totalização: a biblioteca e o sertão são apresentados como universos de máxima abrangência.
b) O sentido de um anacronismo: a biblioteca e o sertão expressam valores ultrapassados.
c) O sentimento de superioridade do homem em relação à natureza.
d) O sentimento de auto-suficiência do indivíduo, confiante na razão.
2.
p1
Por fim, aprendeu a se proteger. (l. 13)

A forma de proteção desenvolvida por Berenice reforça um traço temático central do texto. A palavra que melhor define esse traço é:
a) submissão
b) intolerância
c) dissimulação
d) incomunicabilidade
3. À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa;
(l. 6)
A expressão grifada contribui para a construção da tensão narrativa, porque está relacionada com:
a) a passagem do tempo
b) a complicação crescente
c) o desfecho surpreendente
d) a evolução da personagem
4. No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930 © Graña Drummond)

Observe, nesse esquema visual da primeira estrofe, a posição que a palavra pedra e a locução no meio do caminho ocupam nos versos:

No meio do caminho … pedra
… pedra no meio do caminho
… pedra
no meio do caminho … pedra.

Verifique que o poema pode ser lido na horizontal, na vertical ou na transversal, sem grandes alterações. O que ocorre espacialmente com a palavra pedra e com a locução no meio do caminho nesse esquema?
5. A disposição formal da palavra pedra e da locução adverbial no meio do caminho reforça ou não o sentido conotativo que apresentam? Por quê?

 

Gabarito

1. A
2. D
3. B
4. As expressões criam uma espécie de paralelismo, dividindo o texto de forma que crie uma movimentação do plano de ideias.
5. Sim. Em função de elas estarem simbolizando várias situações hipotéticas em meio ao contexto do poema.