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Modernismo: Tire todas as suas dúvidas sobre a segunda fase do movimento modernista!

Modernismo na literatura e a geração de 30

Na segunda fase do modernismo, os acontecimentos da década de 1930 contribuíram para uma literatura voltada para as diversidades regionais brasileiras.

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Após a consolidação do modernismo, a chegada da década de 1930 e os acontecimentos desse período contribuíram para uma literatura voltada para as diversidades regionais, sociais e culturais da realidade brasileira. Em especial, a prosa abordava temas como a subsistência humana, a miséria, o isolamento político e as relações de trabalho. 

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Cena do filme “Árido Movie”, de Lírio Ferreira. O filme aborda questões sobre as dificuldades do sertão nordestino.

O ROMANCE DE 30

O romance de 1930 é considerado um dos melhores períodos de produções literárias da ficção brasileira. Com o olhar mais crítico do modernismo, a realidade nacional passa a ser abordada a partir de uma nova perspectiva, com intenções claras de denúncia social e engajamento político por parte dos autores.

O contexto histórico da época afeta diretamente a produção literária, uma vez que, nesse período, tivemos vários eventos significativos de posição ideológica em todo o mundo, como a crise de 1929 na bolsa de Nova Iorque, a Revolução de 1930, a crise do café, a criação do Estado Novo, a Intentona Comunista, a ascensão do nazifascismo, a presença do socialismo e, por fim, a Segunda Guerra Mundial, que exigiu do homem do século XX um posicionamento político sobre o momento que estavam vivendo. Nesse sentido, conseguimos perceber que as obras do modernismo possuem claro engajamento.

Entre os grandes autores desse momento, podemos citar Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Dionélio Machado, Érico Veríssimo e Jorge Amado. Como já vimos desde o pré-modernismo, a literatura brasileira começa a ressaltar características de várias regiões do Brasil, valorizando o regionalismo e a identidade nacional. Na segunda fase do Modernismo, a abordagem ficcional sobre o sertão nordestino contribuiu para denunciar a condição do homem, relatar a questão da imigração e as dificuldades enfrentadas pela fome, miséria e pobreza.

Além disso, percebemos que as obras também destacam aspectos importantes, como o cangaço, o fanatismo religioso, a disputa entre terras, o coronelismo e a crise dos engenhos. É válido ressaltar que a região do Nordeste não foi a única a ser abordada na ficção literária: o Sul do país foi retratado nos romances de Érico Veríssimo e Dionélio Machado.

Desse modo, percebemos a presença de relatos do cotidiano da vida urbana na região Sul, de valores sociais e morais, de uma abordagem mais abrangente sobre a formação do Rio Grande do Sul e das questões políticas da área. O autor gaúcho Dionélio Machado aprofundou suas obras com a presença de um romance urbano e, também, psicológico.

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A 2ª versão da minissérie “O tempo e o vento”, baseada na obra de Érico Veríssimo, retrata as questões políticas e sociais do Rio Grande do Sul.

Outro ponto importante para a segunda fase do modernismo é a questão de uma linguagem coloquial que se aproxima das variedades linguísticas de cada local. Assim, percebemos que a língua é super significativa para uma maior interação entre a ficção literária e a realidade.

Leia um trecho da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, e observe como o próprio personagem tem consciência de sua condição e da maneira como vive:

Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado a camarinha escura, pareciam ratos – e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera.

 

Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. Tirou do aio um pedaço de fumo, picou-o, fez um cigarro com palha de milho, acendeu-o ao binga, pôs-se a fumar regalado.

 

– Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.

 

Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.

 

Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:

 

– Você é um bicho, Fabiano.

 

Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades. Chegara naquela situação medonha – e ali estava, forte, até gordo, fumando o seu cigarro de palha.

 

– Um bicho, Fabiano.

 

Era. Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passara uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara. Fabiano fizera-se desentendido e oferecera os seus préstimos, resmungando, cocando os cotovelos, sorrindo aflito. O jeito que tinha era ficar. E o patrão aceitara-o, entregara-lhe as marcas de ferro.

A música de Luís Gonzaga, “Vozes da Seca”, também aborda um pouco da realidade da região nordeste. Ouça:

 

EXERCÍCIOS

1. (ENEM) “A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um acontecimento para a meninada… Que talento ela possuía para contar as suas histórias, com um jeito admirável de falar em nome de todos os personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras!

Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E muito da vida, com as suas maldades e as suas grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis! O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. Quando ela queria pintar um reino era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os rios e florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.”

(José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980, p. 49-51 (com adaptações).

Na construção da personagem “velha Totonha”, é possível identificar traços que revelam marcas do processo de colonização e de civilização do país. Considerando o texto acima, infere-se que a velha Totonha:

a) tira o seu sustento da produção da literatura, apesar de suas condições de vida e de trabalho, que denotam que ela enfrenta situação econômica muito adversa.

b) compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do país colonizado, livres da influência de temas e modelos não representativos da realidade nacional.

c) retrata, na constituição do espaço dos contos, a civilização urbana européia em concomitância com a representação literária de engenhos, rios e florestas do Brasil.

d) aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos contos, do próprio romancista, o qual pretende retratar a realidade brasileira de forma tão grandiosa quanto a européia.

e) imprime marcas da realidade local a suas narrativas, que têm como modelo e origem as fontes da literatura e da cultura européia universalizada.

CONFIRA A RESOLUÇÃO PASSO A PASSO

 

2. Graciliano Ramos é o autor que fez parte da

a) fase destruidora do modernismo, que procurou romper com o passado.

b) segunda fase do modernismo, em que se destacou a ficção regionalista.

c) fase irreverente do modernismo, que buscou motivos no primitivismo.

d) geração de 45 do modernismo, que procurou estabelecer uma ordem no caos anterior.

e) década de 60 do modernismo, que transcendentalizou o regionalismo.

CONFIRA A RESOLUÇÃO PASSO A PASSO

 

3. (ENEM) “No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.”

(CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.)

Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que:

a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração
europeia.

b) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.

c) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.

d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.

e) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.

CONFIRA A RESOLUÇÃO PASSO A PASSO

 

GABARITO

1. E
2. B
3. C