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Exercícios Resolvidos: Segunda fase do Modernismo

Leia o resumo A segunda fase do Modernismo e resolva os exercícios abaixo.

 

1. (ENEM) “A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um acontecimento para a meninada… Que talento ela possuía para contar as suas histórias, com um jeito admirável de falar em nome de todos os personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras!

Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E muito da vida, com as suas maldades e as suas grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis! O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. Quando ela queria pintar um reino era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os rios e florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.”

(José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980, p. 49-51 (com adaptações).

Na construção da personagem “velha Totonha”, é possível identificar traços que revelam marcas do processo de colonização e de civilização do país. Considerando o texto acima, infere-se que a velha Totonha:

a) tira o seu sustento da produção da literatura, apesar de suas condições de vida e de trabalho, que denotam que ela enfrenta situação econômica muito adversa.

b) compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do país colonizado, livres da influência de temas e modelos não representativos da realidade nacional.

c) retrata, na constituição do espaço dos contos, a civilização urbana européia em concomitância com a representação literária de engenhos, rios e florestas do Brasil.

d) aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos contos, do próprio romancista, o qual pretende retratar a realidade brasileira de forma tão grandiosa quanto a européia.

e) imprime marcas da realidade local a suas narrativas, que têm como modelo e origem as fontes da literatura e da cultura européia universalizada.

 

 

2. Graciliano Ramos é o autor que fez parte da

a) fase destruidora do modernismo, que procurou romper com o passado.

b) segunda fase do modernismo, em que se destacou a ficção regionalista.

c) fase irreverente do modernismo, que buscou motivos no primitivismo.

d) geração de 45 do modernismo, que procurou estabelecer uma ordem no caos anterior.

e) década de 60 do modernismo, que transcendentalizou o regionalismo.

 

 

3. (ENEM) “No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.”

(CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.)

Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que:

a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração
europeia.

b) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.

c) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.

d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.

e) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.

 

GABARITO

1. E

Comentário: Essencial para o modernismo, a obra de José Lins do Rego aborda a situação econômica dos latifúndios e engenhos da zona açucareira da Paraíba e do Pernambuco. A partir dos contos criados pela velha Totonha, o autor aproxima suas histórias da realidade, fazendo associações, o que confirma a alternativa E. O trecho avaliado não faz nenhuma menção à intenção da personagem de obter lucros a partir de seus contos literários, o que torna a alternativa A incorreta. Além disso, as associações ao personagem Barba-Azul refletem um senhor de engenho, mostrando as influências da colonização no país, e a contadora de histórias busca confluir uma perspectiva europeia junto a uma visão colonial do Brasil Colônia, tornando incorretas as alternativas B e C. Por fim, não há a intenção em retratar de forma grandiosa a realidade europeia, mas sim, internamente, promover uma denúncia social à realidade local, o que faz a alternativa D incorreta. 

 

2. B

Comentário: O autor Graciliano Ramos é um importante nome na criação de romances durante a segunda fase do modernismo, também conhecida como “a geração de 30”. Seus romances abordavam o universo do sertanejo nordestino e as condições sociais e do meio natural, mostrando a questão da subsistência humana, o que confirma a letra B. As alternativas A e C estão incorretas, uma vez que, durante a consolidação do modernismo na primeira fase, o autor ainda não havia se destacado no plano literário com seu foco regionalista. Também devemos desconsiderar as alternativas D e E, pois a obra de Graciliano Ramos é conhecida por seu conteúdo crítico, a linguagem rigorosa e os aspectos universalistas.

 

3. C

Comentário: No modernismo, o romance de 30 e a valorização do regionalismo contribuíram para a formação de uma cultura brasileira, além de incitarem uma perspectiva a partir da realidade local e das questões de subsistência enfrentadas pelo homem, como a fome, miséria, pobreza e os aspectos naturais, o que confirma a letra C. Embora o romance do Sul tenha abordado uma temática mais urbana, temos também a presença de contextos sociais e políticos sobre a formação da região, o que elimina a letra A. Além disso, quando mencionamos José de Alencar, que não fez parte do modernismo, é importante perceber que durante o século XIX ainda se vivia a partir de uma visão muito conservadora, e o autor não faz nenhuma denúncia social sobre o questões raciais, o que torna a alternativa B incorreta. As letras D e E também estão incorretas, uma vez que a literatura urbana brasileira não menciona a questão das raízes africanas e indígenas; além disso, na década de 30, o contexto histórico era muito conflituoso e os autores do modernismo estavam relacionados a um maior engajamento político e social sobre a realidade brasileira.