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Aula ao Vivo: Romantismo – Poesia – 1ª e 2ª Geração

Na aula de Literatura de hoje, você vai aprender sobre Romantismo – Poesia – 1ª e 2ª Geração com o professor Diogo Mendes! 🙂 Aproveite esse post para conferir os dias e horários das aulas, baixe o material de apoio e não fique de fora dessa aula incrível! <3 😀

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Literatura: Romantismo – Poesia – 1ª e 2ª Geração
SEXTA-FEIRA 24/04
Turma da Noite: 19:45 às 20:45, com o professor Diogo Mendes.
SEXTA-FEIRA 08/05
Turma da Manhã: 10:15 às 11:15, com o professor Diogo Mendes.

Faça download do material de apoio! É só clicar aqui embaixo 🙂

Material de Aula ao Vivo
Lista de Exercícios

MATERIAL DE AULA AO VIVO

Texto I

Dei o nome de Primeiros Cantos às poesias que agora publico, porque espero que não serão as últimas.
Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezo regras de mera convenção; adotei todos os ritmos da metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir.
Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas em épocas diversas – debaixo de céu diverso – e sob a influência de impressões momentâneas. Foram compostas nas margens viçosas do Mondego e nos píncaros enegrecidos do Gerez – no Doiro e no Teia – sobre as vagas do Atlântico, e nas florestas virgens da América. Escrevi-as para mim, e não para os outros; contentar-me-ei, se agradarem; e se não… é sempre certo que tive o prazer de as ter composto.
Com a vida isolada que vivo, gosto de afastar os olhos de sobre a nossa arena política para ler em minha alma, reduzindo à linguagem harmoniosa e cadente o pensamento que me vem de improviso, e as ideias que em mim desperta a vista de uma paisagem ou do oceano – o aspecto enfim da natureza. Casar assim o pensamento com o sentimento – o coração com o entendimento – a ideia com a paixão – cobrir tudo isto com a imaginação, fundir tudo isto com a vida e com a natureza, purificar tudo com o sentimento da religião e da divindade, eis a Poesia – a Poesia grande e santa – a Poesia como eu a compreendo sem a poder definir, como eu a sinto sem a poder traduzir.
(…)

(Magalhães, Gonçalves de. Primeiros cantos. Disponível em: http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/primeiroscantos.pdf. Acesso em 01 de maio de 2014.)

Texto II

Marabá
Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”

— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
“Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!”

— É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
— Da cor das areias batidas do mar;
— As aves mais brancas, as conchas mais puras
— Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.

Se ainda me escuta meus agros delírios:
— “És alva de lírios”,
Sorrindo responde, “mas és Marabá:
“Quero antes um rosto de jambo corado,
“Um rosto crestado

“Do sol do deserto, não flor de cajá.”
— Meu colo de leve se encurva engraçado,
— Como hástea pendente do cáctus em flor;
— Mimosa, indolente, resvalo no prado,
— Como um soluçado suspiro de amor! —
“Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira”,
Então me respondem; “tu és Marabá:
“Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
“Que as flóreas campinas governa, onde está.”

— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram
— De os ver tão formosos como um beija-flor!

Mas eles respondem: “Teus longos cabelos,
“São loiros, são belos,
“Mas são anelados; tu és Marabá:
“Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
“Cabelos compridos,
“Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá,”

————
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:

Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!

(Gonçalves Dias)

Texto III

Meus oito anos
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

(Casimiro de Abreu)

Texto IV

Morte (hora de delírio)
Pensamento gentil de paz eterna
Amiga morte, vem. Tu és o termo
De dous fantasmas que a existência formam,
— Dessa alma vã e desse corpo enfermo.

Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o nada,
Tu és a ausência das moções da vida,
do prazer que nos custa a dor passada.
(…)
Amei-te sempre: — pertencer-te quero
Para sempre também, amiga morte.
Quero o chão, quero a terra, — esse elemento
Que não se sente dos vaivéns da sorte.
(…)
Também desta vida à campa
Não transporto uma saudade.
Cerro meus olhos contente
Sem um ai de ansiedade.

E como um autômato infante
Que ainda não sabe mentir,
Ao pé da morte querida
Hei de insensato sorrir.

Por minha face sinistra
Meu pranto não correrá.
Em meus olhos moribundos
Terrores ninguém lerá.

Não achei na terra amores
Que merecessem os meus.
Não tenho um ente no mundo
A quem diga o meu — adeus.
(…)
Por isso, ó morte, eu amo-te e não temo:
Por isso, ó morte, eu quero-te comigo.
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.

(Junqueira Freire)

1. Soneto
Já da morte o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!… já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.

O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é
a) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte.
b) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.
c) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade.
d) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.
e) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.

 

LISTA DE EXERCÍCIOS

Minha terra
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá

(Gonçalves Dias)

Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha;

Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.

Correi pr’as bandas do sul:
Debaixo dum céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil;
É uma terra de amores

Alcatifada de flores
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de Abril.

Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal,
Que nem as sonha um poeta
E nem as canta um mortal!
É uma terra encantada
Mimosa jardim de fada
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.

Não, não tem, que Deus fadou-a
Dentre todas – a primeira:
Deu-lhe esses campos bordados,
Deu-lhe os leques da palmeira,
E a borboleta que adeja
Sobre as flores que ela beija,
Quando o vento rumoreja
Na folhagem da mangueira.

É um país majestoso
Essa terra de Tupã,
Desd’o Amazonas ao Prata,
Do Rio Grande ao Pará!
Tem serranias gigantes
E tem bosques verdejantes
Que repetem incessantes
Os cantos do sabiá.
(…)

(Casimiro de Abreu)

1. O nacionalismo foi uma característica romântica que, no Brasil, ganhou contornos próprios. Partindo do texto, explique como foi utilizada a natureza, no Romantismo, para marcar a identidade nacional brasileira.

2. Cite uma característica da linguagem romântica presente no poema de Casimiro de Abreu.
Despedidas à…
Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!

Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando…
Sinto o peito doer na despedida…
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida…

Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer,
Em teus braços minh’alma unir à tua
E em teu seio morrer!

Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem…
De noite mandarei-te os meus suspiros
No murmúrio da aragem!

Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em prantos
Verei os olhos teus!

Mas antes de partir, antes que a vida
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!

Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar eu o primeiro!
A ventura negou-me… até mesmo
O beijo derradeiro!

Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade;
Adeus, meu anjo, adeus!

(AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Grandes poetas românticos do Brasil.
São Paulo: LEP, Tomo 1,MCMLIX, p. 273)

3. A poética de Álvares de Azevedo filia-se a uma das fases mais representativas da literatura romântica no Brasil, o “mal-do-século” ou ultrarromantismo. Destaque duas características dessa fase presentes no poema, exemplificando a sua resposta com versos retirados do texto.
A ***
Falo a ti – doce virgem dos meus sonhos,
Visão dourada dum cismar tão puro,
Que sorrias por noites de vigília
Entre as rosas gentis do meu futuro.

Tu m’inspiraste, oh musa do silêncio,
Mimosa flor da lânguida saudade!
Por ti correu meu estro ardente e louco
Nos verdores febris da mocidade.

Tu, que foste a vestal dos sonhos d’ouro,
O anjo-tutelar dos meus anelos,
Estende sobre mim as asas brancas…
Desenrola os anéis dos teus cabelos!
(20/08/1859)

(ABREU, Casimiro. Obras. Rio de Janeiro: MEC, 1955, p. 49-50.)

Vocabulário:
estro = imaginação criadora
vestal = mulher casta ou virgem
anelo = desejo ardente
4. O eu-lírico no texto se dirige a uma mulher com características específicas. A alternativa em que se atribuem à mulher características semelhantes às definidas nesse texto é:
a) “Pra distrair minhas mágoas / Namoro e toco vitrola.” (Murilo Mendes)
b) “É um característico do século: a mulher está perdendo a superstição do homem.” (Machado de Assis)
c) “Não creias, não, mulher: ele te engana! / As lágrimas são galas da mentira” (J. Manuel de Macedo)
d) “Eu senti-a tremer, e a transluzir-lhe / nos olhos negros a alma inocentinha” (Álvares de Azevedo)
Gabarito

1. A visão romântica é ufanista, procurando valorizar a nação independente.
2. Abundância de adjetivação, tom retórico e exclamativo.
3. Dentre as inúmeras características do “mal-do-século” presentes no poema, destacam-se as seguintes: o sentimentalismo exagerado (“Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando…”, “Mas antes de partir, antes que a vida, / Se afogue numa lágrima de dor”); o subjetivismo (“Só contigo eu podia ser ditoso, / Em teus olhos sentir os lábios meus!”); o clima onírico (“Na solidão onde eu sonhava em ti” , “Sonhei muito! sonhei noites ardentes”); o culto do sofrimento e da morte (“Sinto o peito doer na despedida” , “Eu morro de ciúme e de saudade…”).
4. Letra D. Como era comum no ultrarromantismo, a mulher é retratada como um ser inocente, casto. O trecho em que isso também está presente é o de Álvares de Azevedo, principalmente quando fala da “alma inocentinha”.