UFRJ: A Escravidão em perspectiva (parte II)
Olá aos amigos do Desconversa! Vamos continuar o papo sobre escravidão!
O escravo deve ser visto como uma mercadoria, na medida que não era dono de si próprio, podendo ser negociado, vendido pelo seu senhor. Contudo, é complicado imaginar que um ser humano seja irracionalmente incapaz de produzir valores e idéias, consciência de lutar pelos seus anseios.
Nesse sentido, a questão nos remonta a introdução de um importante elemento que contradiz todas essas teses: o casamento entre escravos. Não somente comprova a possibilidade na formação das relações sociais entre cativos de diferentes etnias, como se constitui em um importante elemento de negociação com o senhor.
Atualmente os autores não só argumentam a possibilidade dos escravos formarem família, como ainda afirmam que as famílias cativas seriam um elemento de paz nas senzalas e, dessa maneira, se constituiriam num valioso capital político para os senhores. As relações parentais introduziram a paz nas senzalas, isto é, criaram uma sociabilidade entre escravos de procedências diversas. Além disso, a família escrava funcionava como instrumento de estabilização social, ou seja, seriam reduzidas as tentativas de fugas dos escravos, na medida em que a família seria um elemento que evitaria as fugas.
Dessa forma, podemos entender o casamento como uma forma de negociação, pois ao casarem os escravos forçavam ao senhor que lhes desse uma residência a parte da senzala e em troca ofereceriam ao senhor a certeza de que não fugiriam. Segundo o viajante francês “nos cubículos dos negros, jamais vi uma flor”, ao apontar que os escravos viviam como “ninhadas” e, deste modo, concluiu que não havia entre eles nenhuma perspectiva de passado e de futuro. No entanto, é dentro da própria senzala que encontraremos a negação de suas idéias: “na chama reluzente do lar escravo, eis a flor”.
Boa prova! Façam com muita tranquilidade.
Abraços, até breve!



Redação 
