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Os holandeses no Brasil

Olá, amigos do Desconversa!

O papo de hoje será sobre o Brasil holandês. Essa invasão que ocorre primeiro na Bahia com uma tentativa fracassada em 1625 e posteriormente em Pernambuco em 1630 se deve principalmente a restrição espanhola na participação dos holandeses no comércio do açúcar. Lembremos que a coroa portuguesa estava agregada a espanhola (União Ibérica) e que a Holanda lutava pela sua independência frente à  monarquia espanhola (guerra dos Oitenta anos 1568 – 1648). Podemos dividir este período em três fases:

1ª fase: Guerra de resistência (1630 – 1637): Período em que os holandeses enfrentaram as tropas luso-brasileiras para se fixarem no nordeste açucareiro. Muitos senhores de engenho abandonaram, fugindo para a Bahia, queimando seus engenhos para que os holandeses não dessem continuidade no plantio. Este período é marcado por uma vertiginosa queda na produção do açúcar.

2ª fase: Período Nassoviano (1637 – 1644): conhecido como “A Era de Ouro” do Brasil holandês. Marcado pela recuperação da economia açucareira. Nassau vendeu a crédito os engenhos que foram abandonados, formando uma nova classe de senhores de engenho. Além disso, o período de Maurício de Nassau foi marcado por uma grande tolerância religiosa. Cabe lembrar a diversidade religiosa do nordeste holandês neste período. Conviviam no mesmo ambiente portugueses católicos ou cristãos-novos, os holandeses calvinistas e alguns comerciantes judeus que chegaram junto com os holandeses. No período Nassoviano vivenciou-se um importante desenvolvimento cientifico e cultural, graças à chegada de alguns cientistas e artistas europeus que descreveram e investigaram o território brasileiro principalmente a fauna e a flora. A  separação entre Portugal e Espanha também ocorreu durante o governo Nassau . No entanto, apesar de alguns acordos celebrados, Portugal não conseguiu a devolução de Pernambuco e ainda viu Nassau anexar, em 1641, o Estado do Maranhão e Angola importante região fornecedora de escravos.

3ªfase (1645 – 1654) Guerra de Restauração: diferente da guerra de resistência – uma guerra tipicamente européia, com batalhas em campos abertos -,  serão guerras que a historiografia convencionou chamar de guerras brasílicas ou guerra volante, são ataques tipicamente indígenas. As duas mais importantes são as duas batalhas dos Guararapes (1648-9), onde o exército luso-brasileiro obteve importantes vitórias sobre os holandeses. Batalhas que serão concretizadas com a Restauração Pernambucana (1654). É curioso perceber a composição desse exército e a formação de um panteão restaurador, um conjunto de heróis, como por exemplo, o negro (forro) Henrique dias, e o terço dos Henriques (exército de negros), o branco André Vidal de Negreiros e o índio (Felipe Camarão).

A composição deste exército demonstraria que a relação entre brancos, negros e índios nem sempre se apresentou somente nas relações escravistas ou de forma conflituosa, questionando, desta forma, algumas correntes historiográficas que versam sobre o assunto.

Abraços,

Até breve!