O que uma cafeteria, o Brasil e a UNICAMP possuem em comum?
Quer saber o que uma cafeteria, o Brasil e a UNICAMP têm em comum? Só lendo este super resumo de Geografia que vai descomplicar a sua vida no vestibular!
OMG! Que título louco! Mas é isso aí mesmo, galera! Você sabia que a UNICAMP, a sua cafeteira e o BNDES têm pelo menos três coisas em comum que explicam razoavelmente o porquê do sudeste ser a região mais industrializada e competitiva do Brasil? Duvida? Vamos ao que interessa.
1. Sobre a sua cafeteira
Todo mundo sabe ou deveria saber que, nos primórdios do país, a primeira grande economia brasileira era o açúcar. Após a crise do açúcar, motivada por uns cabras holandeses nas Antilhas, o café despontou como a menina dos olhos do Império do Brasil; São Paulo e Rio de Janeiro se tornaram as regiões mais importantes da cultura cafeeira — mais precisamente, a região do Vale do Paraíba —, no que ficou conhecido como a Marcha do Café.
São Paulo acabou consolidando uma burguesia cafeeira mais forte, ligada à exportação, que pouco a pouco foi investindo no setor de industrialização. Entretanto, seus recursos eram baixos demais para criar uma industrialização de fato, ou mesmo um mercado consumidor digno de um sábado de shopping lotado. Lembrem-se: a sociedade era escravocrata, ou seja, poucos podiam consumir e a produção era majoritariamente ligada ao setor de exportação. É aí que entra o Estado Brasileiro.
2. Sobre o Estado Brasileiro
Como os recursos destes barões do café eram menos do que o necessário e o mercado consumidor não era tão desenvolvido assim, coube ao Estado a tarefa de incentivar, através de grandes subsídios, a industrialização, e criar mercado interno, aumentando o número de funcionários públicos. Desta forma, o número de cargos e universidades foi ampliado drasticamente na região sudeste para dar maior suporte ao crescimento ainda modesto, mas promissor, das atividades industriais. Em um primeiro momento, você, lindo e belo aluno, pode achar isso ótimo, mas vamos problematizar um pouco? #SouDeHumanas
O Brasil é um país de extensão territorial continental e de população muito grande. Imaginem o impacto de concentrar universidades e verbas públicas em um único ponto no território brasileiro? Você pode acabar criando cidades gigantes e criar um descompasso entre as regiões… opa! Caro aluno, você acaba de entender onde começou a concentração sócio-espacial do desenvolvimento brasileiro na região sudeste. E acaba de aprender também que o próprio Estado é um grande agente desta concentração. Parabéns!


3. Sobre a UNICAMP
Então, você já deve estar se perguntando o porquê da UNICAMP aparecer no meio deste rolo, não é mesmo? Pois bem, a UNICAMP foi um investimento do Governo do Estado de São Paulo, em 1966, visando justamente esse fomento em recursos estratégicos – visão do Regime militar que preconizava assegurar alguns pontos chave para garantir a soberania nacional.
A UNICAMP é uma das melhores universidades do País, e alguns autores também destacam sua participação na produção de alta tecnologia. Além disso, é uma grande ferramenta na concentração sócio-espacial. Toda universidade é. Duvida? Universidades atraem mão de obra e empresas que precisam de mão de obra qualificada, além de normalmente precisarem de uma certa infraestrutura digital e física, o que também acaba atraindo empresas de alta tecnologia.
Desta forma, você já começa a entender a palavra chave que conecta o Brasil, a cafeteira e a Unicamp: são todos agentes de concentração e explicam a grande competitividade e industrialização do sudeste. Era até aqui que eu queria trazer você, querido aluno, e espero que tenha sido uma boa viagem. Frequentemente vocês ouvem falar de migração Nordeste-Sudeste, mas quando surgiu? Por que surgiu? O que motivou? Agora você já sabe alguns motivos, alguns atores e certamente quer entrar na UNICAMP.
Até a próxima semana, boa prova, câmbio, desligo! Encerro pedindo que deixem seus comentários e que deem uma olhada no mapa que explicita essa concentração da qual tratei nesse resumo:



Camila 



