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E se os presidentes do Brasil virassem seus tios em uma viagem de férias? Como cada um seria?

Te chamaram para passar o final das suas férias de julho em uma casa de praia. Claro que você vai aceitar esse convite, não é? Afinal, todos os seus tios vão também! Quem diria passar um final de semana com seu tio Dutra, tio Getúlio, tio Juscelino, tio Jânio e tio Jango? Incrível! Agora, cada um tem aquelas manias que todo o tio tem.

Depois de 1945, ao apagar das luzes da Segunda Guerra Mundial, o Estado Novo de Getúlio Vargas foi intensamente criticado por uma grande contradição: o país lutou ao lado da democracia na II Guerra, mas vivia sob um regime ditatorial. Pressões internas e externas fizeram com que Vargas renunciasse, abrindo caminho para a redemocratização. Mas, vamos começar nossa viagem pra casa de praia!

1 – Tio Dutra, o “perseguidor”.

Eurico Gaspar Dutra foi o décimo sexto presidente do Brasil. Com a saída de Getúlio Vargas, José Linhares assumiu interinamente até serem convocadas novas eleições, que ocorreriam em 1945. Dutra candidatou-se pelo PSD (partido apoiado por Vargas) e venceu a oposição que lançara o Eduardo Gomes, candidato pela UDN. O governo de Dutra foi importante, pois: marcou o processo de redemocratização com a aprovação de uma nova Constituição em 1946, alinhou-se com os EUA no contexto de Guerra Fria e colocou o PCB na ilegalidade. Por conta disso, o Tio Dutra será o tio “perseguidor”, ou seja, aquele que fica atrás de você pra não deixar que você jogue bola, que não entre na piscina, mas principalmente, que não faça BAGUNÇA!

2 – Tio Getúlio, o “cheio de energia”!

“Bota o retrato do velho no mesmo lugar, bota outra vez!”. Algumas pessoas cantarolavam isso nas ruas em 1951, pois queriam Getúlio Vargas novamente como presidente do Brasil. E ele venceu as eleições. Seu governo foi importante, pois iniciou um processo de fortalecimento da indústria do ramo energético brasileiro. Assim como em sua primeira passagem, Vargas foi responsável por dar prosseguimento no processo de industrialização brasileira. Estatais foram criadas: Petrobras e a Eletrobras. Uma campanha ganhou força: “O Petróleo é nosso!”, o que reforçava o caráter nacionalista de seu governo. Logo, o Tio Vargas é aquele que não para um minuto! Dá aquela corridinha na praia, volta, faz um churrasco, lava o carro e se reclamar ainda dá uma festa! Tio Getúlio, cheio de energia pra dar.

3 – Tio Juscelino, o “bossa-nova”

“50 anos em 5.” Mas como assim? Realizar 50 anos de desenvolvimento em apenas cinco anos de mandato presidencial? Não seria difícil para JK. Através do Plano de Metas e de seu modelo tripé de desenvolvimento (entenda aqui neste mapa mental), JK conseguiu investir na indústria de bens e iniciar um projeto de integração nacional baseado no rodoviarismo. Não é à toa que o período que esteve como presidente foi chamado de “Anos Dourados”. O otimismo pairava na sociedade que via o Brasil crescer: nossa seleção de futebol campeã em 1958 na Suécia, a “bossa-nova” dava seus primeiros acordes e a garota de Ipanema desfilava e nova capital, Brasília, alçava voo com os traços de Oscar Niemeyer. O Tio Juscelino é aquele que vive com um sorriso no rosto, gosta de pegar um violão, sentar na varanda, e começa a tocar “Chega de Saudade”

4 – Tio Jânio, o menos popular.

Enquanto Juscelino Kubitschek se destacou pelo governo intensamente populista, seu sucessor no poder, Jânio Quadros foi pelo caminho inverso. Candidato por um partido de pequena expressão – o PTN – foi apoiado pela UDN e eleito em 1961. Seu slogan era “Varre, varre, vassourinha”, pois dentre suas promessas acabaria com a corrupção. Governou meses quando renunciou em 25 de Agosto de 1961. Seu governo foi marcado por medidas extremamente impopulares: proibiu o uso de biquíni na praia, as brigas de galo e o lança-perfume. A sociedade contestava como o Congresso também o fazia. O Tio Jânio, é aquele que briga por causa do tamanho do seu biquíni na praia, fica implicando por causa das brincadeiras e ao invés de falar diretamente, manda bilhetinhos (exatamente como fazia Jânio Quadros com seus ministros).

5 – Tio Jango, o reformista.

Assumiu o governo no meio de uma tempestade. As forças conservadoras queriam impedir sua posse afirmando que Jango era um político de esquerda. Os militares tentaram dar um golpe, que foi impedido por Brizola, defendendo o princípio da legalidade. João Goulart assumiu a presidência com uma condição: submeter-se ao modelo parlamentarista. Este modelo durou até 1963 quando um plebiscito decidiu pelo modelo presidencialista. Tentou implementar as Reformas de Base, porém sem sucesso, sofreu um duro golpe de estado, onde os militares iniciaram a Ditadura. Tio Jango, é aquele que vive tentando reformar a casa de praia, tenta mudar tudo (fachada, piso, telhado), mas forças mais conservadoras não o deixam =(.