Analisando o Primeiro exame de qualificação – Primeira Parte
Olá aos leitores do Desconversa! Voltamos agora, em ritmo de preparação para o primeiro exame de qualificação, buscando destrinchar o formato da prova para facilitar a vida de todos os leitores.
O edital das provas de vestibular e concurso é essencial para compreendermos o espírito das provas. Porém, muitos vestibulandos sequer lêem tal documento, ou quando lêem não conseguem realmente extrair os pontos centrais. A proposta dos próximos posts do Desconversa é ajudar nesse ponto: mostrar o que a UERJ se propõe a cobrar; e dar dicas e artifícios para resolver tais cobranças.
“A área de “Ciências Humanas e suas Tecnologias” inclui os conteúdos das disciplinas de Geografia, História, Sociologia e Filosofia, dialogando com as demais áreas das Ciências Sociais. Aplica-se a perspectiva interdisciplinar na identificação e análise dos fenômenos sociais, por meio da articulação entre experiências históricas, conceitos e dinâmicas culturais de forma contextualizada, ressaltando-se suas especificidades.”
Primeiramente, temos que desfazer o mito: a interdisciplinaridade não se propõe a ser só entre História e Geografia; Sociologia e Filosofia também estão envolvidas. A perspectiva interdisciplinar, em minha opinião, não necessariamente foi dominante nos exames de qualificação até então produzidos pela UERJ.
No entanto, a questão 60 do segundo exame de qualificação do ano passado trouxe claramente uma perspectiva interdisciplinar; e como era esperado, foi a questão que os alunos sentiram mais dificuldade. Neste ano, espero que a UERJ invista mais nisso. Os conceitos, pelo seu caráter abstrato, são de mais difícil entendimento por parte dos alunos, mas aparecem justamente como diferenciais na prova. Se tiver dificuldade com eles, invista nesse campo de estudo!
“A abordagem ancora-se em três eixos interdisciplinares – sociedade e natureza, política e cultura, trabalho e tecnologia – e busca integrar o contexto brasileiro ao mundial, respeitando as particularidades locais e regionais e privilegiando processos históricos situados entre meados do século XVIII e a atualidade.”
Os três eixos que norteiam a prova são mais explicitados pela UERJ no edital. Pretendo analisá-los com mais calma nos próximos posts. Entender o que a UERJ propõe é essencial para fazer as questões com mais certeza. Quanto ao eixo cronológico, a UERJ facilita para o vestibulando. Só cobra do século XVIII, especificamente o contexto de ascensão do Iluminismo e Liberalismo até os dias atuais. Pela busca de uma aproximação interdisciplinar, a tendência é uma concentração de questões no século XX, para melhor fazer a conexão entre Geografia e História.
“A partir da utilização de diferentes fontes teóricas e de registros e documentos variados – textos, imagens, gráficos, tabelas e mapas –, procura-se avaliar nos candidatos a associação entre os conhecimentos exigidos e a capacidade de observar, interpretar, relacionar, analisar e criticar, como sujeito, a historicidade de fenômenos sociais e culturais.”
Ou seja, a prova se propõe a ser mais interpretativa do que qualquer outra coisa. Claro que o candidato deve ter um conhecimento e domínio do conteúdo; mas o nível de cobrança desse conteúdo tende a não ser alto. Para estudar para a prova, portanto, concentre-se em questões que exijam a interpretação e a análise de fontes.
“O enfoque teórico-metodológico da avaliação interdisciplinar privilegia estratégias diversificadas que valorizam, e permitem verificar, a autonomia intelectual, as habilidades e competências na produção do conhecimento, além do desenvolvimento da criatividade.”
Aqui o edital puxa um pouco de sardinha para si mesmo, mas a tônica é a mesma que vem sendo discutida até aqui: o exame de qualificação não é conteudista, é interpretativo! Não adianta estar com o conteúdo afiado e não estar habituado ao tipo de questão; com a proximidade do exame, guarde parte de seu tempo para a resolução de provas antigas. Elas podem te ajudar muito mais do que você imagina.
Até o próximo post!



Camila 