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Vegetação e clima: tudo sobre as paisagens climatobotânicas do Brasil

Conheça a vegetação e o clima que compõem as paisagens climatobotânicas do Brasil!

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Paisagens climatobotânicas do Brasil

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Charge que evidencia a relação entre o desmatamento e o aumento da temperatura, ou seja, entre a vegetação e o clima.

Devido a sua grande extensão territorial de aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados, o Brasil apresenta características diversas de clima – várias zonas climáticas – e vegetação – Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Floresta Amazônica e outros –, que caracterizam cada região do país e originam as paisagens climatobotânicas, também conhecidas como domínios morfoclimáticos.

A classificação do Brasil a partir dos domínios morfoclimáticos permite visualizar a influência dos elementos na composição das paisagens naturais presentes no território, além da mútua influência entre estes elementos.

Aziz Ab’ Saber foi o pesquisador e geógrafo que definiu, na década de 1970, os domínios morfoclimáticos brasileiros, identificando 6 domínios e faixas de transição resultantes da interação entre relevo, clima e vegetação, tipos de solo, hidrologia e outros aspectos que originaram paisagens singulares. Aqui, destacaremos dois destes aspectos: o clima e o tipo de vegetação.

Domínios morfoclimáticos brasileiros segundo Aziz Ab’Saber

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Domínios morfoclimáticos brasileiros

1. Domínio Equatorial Amazônico

Vegetação: Este domínio apresenta a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, que, no território brasileiro, estende-se por 3,7 milhões de quilômetros quadrados, mas que também foi alvo de intenso desmatamento.

A vegetação deste domínio pode ser dividida em três:

  • Igapó: área permanentemente alagada ao longo dos rios. Esta vegetação é de pequeno porte, a exemplo da vitória-régia;
  • Várzea: área que sofre inundações periódicas. Esta vegetação é de porte médio, em torno de 20 metros de altura;
  • Terra firme: área que não sofre inundação e onde é encontrada a vegetação de grande porte, que geralmente ultrapassa os 60 metros de altura.

Clima: O clima característico desta região é o Clima Equatorial Continental, em que a Massa Equatorial Continental atua ao longo do ano, trazendo muita umidade através das chuvas convectivas que ocorrem geralmente nos finais das tardes. Além disso, por receber uma elevada intensidade dos raios solares, as temperaturas são elevadas.

2. Domínio da Caatinga

Vegetação: A vegetação deste domínio é xerófila e adaptada ao clima semi-árido, a exemplo das cactáceas e arbustos caducifólios e espinhosos, que durante a estação seca armazenam água para se manter. No verão, com a ocorrência de chuvas, brotam folhas e flores.

Clima: O clima deste domínio é o Semi-árido, caracterizado por ser um clima seco, já que esta região é o ponto final das massas de ar que ali atuam, não havendo disponibilidade de umidade. É uma região quente e com poucas chuvas.

 3. Domínio dos Mares de Morros

Vegetação: Este domínio, que se estende pelo litoral do país, desde o estado do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, foi um dos mais devastados desde o período colonial, o que gerou a degradação da vegetação. Hoje, restou apenas 7% da Mata Atlântica. Muitas das espécies encontradas neste domínio são consideradas endêmicas, ou seja, espécies que só são encontradas neste domínio.

Clima: Neste domínio, o clima é o Tropical Úmido. No verão, a Massa Tropical Atlântica traz as chuvas convectivas e as chuvas de relevo, enquanto no inverno leva à queda da temperatura e chuvas ao encontrar-se com a Massa Polar Atlântica, formando frentes frias.

 4. Domínio do Cerrado

Vegetação: Na chamada “savana brasileira”, 40% da vegetação original não existe mais, devido às atividades exploratórias como o cultivo de soja. A vegetação ainda existente é caracterizada por ser caducifólia, adaptada às duas estações bem definidas, além de ser em sua maioria arbustiva, com raízes profundas e cascas grossas que dificultam a perda de água, visto que não é um recurso tão abundante na região.

Clima: O clima deste domínio é o Tropical Típico, que apresenta duas estações bem definidas. Há a atuação da Massa Equatorial Continental no verão, que se expande do Norte do país para a região central, acarretando a elevação da temperatura e a ocorrência de chuvas; no inverno, esta massa de ar restringe-se à região Norte, fazendo com que as chuvas cessem na região central do país. Neste sentido, o verão é quente e úmido e o inverno é mais ameno e seco.

5. Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias

Vegetação: Estes dois domínios localizam-se na região sul do Brasil, o primeiro mais ao norte da região e o segundo no extremo sul. A Floresta de Araucárias é uma floresta de pinheiros, em que a vegetação é adaptada às condições climáticas de temperaturas que variam entre moderadas a baixas no inverno, além de contar com solos férteis. Já os Pampas ou Pradarias apresentam uma vegetação rasteira, em que há o predomínio de gramíneas.

Clima: Este domínio apresenta o clima Subtropical, em que a Massa Polar Atlântica atua no inverno, trazendo queda das temperaturas.

Além destes domínios morfoclimáticos, existem ainda as faixas de transição. Estas faixas estão compreendidas entre os domínios e apresentam características de vegetação e clima de dois ou mais domínios, sendo portanto uma área de características heterogênea. Destacam-se como faixas de transição as Zonas do Cocais, a Zona Costeira, o Agreste, o Meio-Norte, as Pradarias, o Pantanal e as Dunas.

Degradação da vegetação dos Domínios Morfoclimáticos brasileiros

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Evolução do processo de degradação da Mata Atlântica.

Floresta Amazônica

Esta vegetação tem sido incessantemente alvo de devastação ao longo dos anos. Isto ocorre porque, apesar da existência de leis ambientais, a fiscalização ainda é ineficaz, devido à grande extensão e à dificuldade de acesso à região, entre outros fatores. Dentre as principais atividades que causam a devastação desta vegetação, destacam-se as queimadas para a retirada de madeira, a contaminação de rios com o mercúrio utilizado na mineração e os alagamentos para a construção de hidroelétricas.

Mata Atlântica

Esta vegetação foi a mais explorada pelo homem, visto que se encontra no litoral do Brasil, região por onde se iniciou o processo de ocupação do território. Os impactos mais comuns são as queimadas para fins da agricultura e o desmatamento, devido ao crescimento urbano-industrial, o que levou à existência de apenas 5% desta vegetação.

Cerrado

Por localizar-se na região central do país, área que fez parte de um projeto de ocupação na década de 1950, a partir da construção de Brasília, esta vegetação foi degradada para a instalação de infraestruturas, como, por exemplo, a abertura de rodovias. Além disso, a expansão da fronteira agrícola – cultivo de soja e áreas de pastagem –, oriunda da região Sul, acentuou o desmatamento.

Mata das Araucárias e Pampas

Ambas vegetações da região sul, foram impactadas pela retirada de madeira oriunda de árvores, como o pinheiro-do-paraná, para a construção de moradias, a ocorrência de desertificação, devido à compactação do solo pelo gado, e à perda de fertilidade, devido às práticas agrícolas extensivas.

Caatinga

A vegetação típica da Caatinga sofre o processo de desertificação, devido à agricultura e à pecuária manejadas de forma inadequada.

 

Exercícios

1. (FUVEST) Conforme proposta do geógrafo Aziz Ab’Saber, existem, no Brasil, seis domínios morfoclimáticos.

Assinale a alternativa correta sobre o Domínio Morfoclimático das Araucárias.

a) A urbanização e a exploração madeireira pelas indústrias da construção civil e do setor moveleiro tiveram papel central na redução de sua vegetação original.

b) O manejo sustentável permitiu a expansão de parreirais em associação com a mata de araucária remanescente, na faixa litorânea.

c) As araucárias recobriam as planícies da Campanha Gaúcha no sul do país, tendo sido dizimadas para dar lugar à avicultura e à ovinocultura.

d) A prática da silvicultura possibilitou a expansão desse domínio morfoclimático para a porção oeste do Planalto Ocidental Paulista.

e) A expansão do processo de arenização no sul do país provocou a devastação da cobertura original de araucária.

2. (UECE) A derrubada em grande escala da caatinga provoca, entre outros efeitos:

a) o aumento da absorção de matérias orgânicas pelo solo.

b) o aumento dos processos de desertificação.

c) o aumento das chuvas durante o ano.

d) o aumento exagerado da evapotranspiração.

3. (UNAMA) Impactos ambientais sobre os domínios morfoclimáticos do Brasil

Impacto ambiental deve ser entendido como resultados de ações que modifiquem o ambiente, podendo produzir danos, muitas vezes irreversíveis.Ao longo da história, a ocupação humana dos domínios morfoclimáticos brasileiros provocou impactos ambientais de diversos tipos.

Adas, Melhem; Adas, Sergio. Expedições Geográficas, 7o ano. São Paulo: Moderna, 2011.

A partir do texto acima e dos seus conhecimentos geográficos sobre os impactos ambientais que resultaram da ação antrópica nos domínios morfoclimáticos brasileiros, é correto afirmar que no (as)

a) domínio amazônico e no domínio do cerrado o avanço dos projetos agropecuários, grandes projetos minero-metalúrgicos, garimpos e hidrelétricas, causam desmatamento e queimadas, com graves consequências para a flora e a fauna, além de erosão do solo, inundações, assoreamento, contaminação de rios, que afetam diretamente as comunidades locais e os povos que sobrevivem da floresta.

b) faixas de transição e no domínio das pradarias, o avanço da cultura da soja e a pecuária intensiva causam desmatamento e lixiviação do solo, pois utilizam imensas áreas para desenvolver o processo produtivo, fato que deixa o solo desprotegido e sujeito às intempéries da natureza.

c) domínio das araucárias e no domínio dos mares de morro, é visível a expansão urbana e industrial, inclusive na faixa litorânea, fato que acarreta a contaminação do solo e das vertentes de rios, trazendo como consequência a lixiviação do solo, o assoreamento e a eutrofização.

d) domínio da caatinga, ocorre intenso desmatamento praticado por grandes grupos econômicos e a exploração de lenha para uso doméstico e produção de carvão, fatos que têm causado a perda da biodiversidade, a erosão do solo bem como sua “arenização”.

 

Gabarito

1. A

2. B

3. A