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Não há ideia melhor do que estudar o Mundo das Ideias de Platão para o vestibular

Fala, galera, tudo em ordem? Olha, nas últimas duas semanas, como vocês têm visto, nosso tema nos resumos de filosofia tem sido o glorioso e divino Platão. Primeiro, procuramos entender um pouquinho de seu projeto filosófico, de seu objetivo ao fazer filosofia. Depois, na última semana, vimos como é que o nosso compadre criou a Teoria das Ideias, síntese de todo o seu sistema filosófico. Hoje, para arrematar de vez o nosso estudo, nós iremos conhecer e analisar o famoso mito da caverna.

Talvez você já se pergunte: “Mito? Mas o mito não é uma narrativa religiosa, Pedro? O que isto tem a ver com Platão?”. Calma, jovem gafanhoto! Sem sede demais ao pote! De fato, os mitos são, originalmente, histórias sagradas contadas pelas religiões com o objetivo de explicar a realidade à nossa volta. Platão, porém, foi responsável por dar outro sentido e outra função ao mito. Ao longo de sua obra, o filósofo grego conta uma infinidade de histórias que chama de mitos: o mito de Er, o mito da carruagem, o mito do anel de Giges, etc. Evidentemente, Platão é um filósofo. Seus mitos não tem qualquer significado sobrenatural. Na verdade, em seu pensamento, o mito é uma alegoria, uma narrativa simbólica criada sempre para ilustrar uma teoria filosófica. Primeiro Platão argumenta em favor da teoria, depois conta um mito para ilustrá-la.

mito da caverna

Dentre todos os mitos platônicos, a alegoria da caverna é de longe o mais importante, afinal, é ele que simboliza a Teoria das Ideias. Contado no livro VII da República, o mito pede que imaginemos um grupo de pessoas presas em uma caverna desde que nasceram. Com grilhões presos não só aos braços e pernas, mas também no pescoço, tais pessoas não conseguem girar a cabeça e, assim, só podem ver o fundo da caverna, para o qual estão sempre viradas. Do lado de fora da caverna, há um muro e, depois dele, uma série de indivíduos passando de um lado para o outro, com objetos nas mãos. A luz do Sol é claro, se projeta sobre o muro, os indivíduos e seus objetos, iluminando, assim o fundo da caverna. Tais feixes de luz, é claro, formam sombras. Assim, desde nascidos, os presos da caverna, veem somente as sombras da realidade exterior. Como é só isso que veem, os prisioneiros pensam que as sombras é que são a verdadeira realidade. Pois bem – continua Platão -, imagine agora que uma das pessoas presas se deu conta de que as sombras são apenas o reflexo de uma realidade superior e que, libertando-se dos grilhões que a prendiam, tal pessoa foi capaz de sair da caverna. É óbvio que, acostumada com as trevas em que vivia, tal pessoa ficaria, a princípio, cega ao ver a luz forte do Sol. No entanto, acostumando-se à luz, a pessoa liberta poderia enxergar a verdadeira realidade e se dar conta da ilusão em que havia vivido por tantos anos. Imagine então que ela, radiante da alegria pela verdade que encontrou, voltasse à caverna para anunciar aos demais prisioneiros o que havia descoberto. Será que os homens da caverna acreditariam na pessoa liberta? É claro que não. Eles a tratariam como louca. E mais, acrescenta Platão: eles a matariam.

Certamente, não é difícil para aqueles que entenderam a Teoria das Ideias através do texto da semana passada, sacar agora como a alegoria da caverna ilustra perfeitamente o pensamento de Platão. Os prisioneiros da caverna são uma imagem de todos os seres humanos. As sombras no fundo da caverna são um símbolo do Mundo Sensível, realidade secundária, porém mais imediata para nós. Os grilhões são os sentidos, que nos prendem à matéria e só nos permitem apreender o que é sensível. A realidade exterior à caverna, da qual as sombras são apenas reflexo imperfeito, é o Mundo das Ideias, modelo perfeito a partir do qual existe o Mundo Sensível. O homem que consegue se libertar dos grilhões e alcançar a realidade exterior é o filósofo, único capaz de alcançar o Mundo Inteligível, mas sempre tratado como louco pelos demais homens, chegando até mesmo a ser condenado à morte, como aconteceu com Sócrates. Por fim, o Sol é um símbolo da Ideia suprema, base tanto do Mundo Inteligível quanto do Mundo Sensível: a Ideia do Bem, que alguns depois identificarão com o próprio Deus. Até a próxima!