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3 coisas que você precisa saber sobre filosofia antiga

Fala, rapaziada, tudo em ordem? Pois é, como vocês viram, em meu último texto, eu havia dito que o recesso estava chegando e que nosso resumos de 2014 chegavam ao fim. Só que… rá! Eu mesmo fui enganado hehe. Nossas monitorias de fato entraram em recesso, mas nosso blog continua firme e forte. Assim, nessa semana e na próxima, eu farei uma série de listas sobre os quatro grandes períodos históricos da filosofia: a filosofia antiga, a filosofia medieval, a filosofia moderna e a filosofia contemporânea. É isso mesmo. Nada melhor para virar o ano se preparando para o ENEM do que ter um panorama geral de toda a história do pensamento filosófico.

Começando nossos trabalhos, nossa primeira lista traz três coisas que você precisa saber sobre filosofia antiga:

 

  1. Filosofia não é simplesmente sair falando qualquer coisa

            Pois é, há uma coisa que é inevitável: toda primeira aula de filosofia antiga tem que esclarecer o que é filosofia. E aí há um grande risco. Em parte por causa do uso cotidiano que se faz do termo, em parte por um preconceito com a disciplina, muitos alunos veem a atitude filosófica como uma falação sem sentido e o filósofo como uma espécie de velho maluco que mora numa gruta. É, mas as coisas não são assim! A filosofia, tal como surgiu na Grécia antiga, não tem nada a ver com noções vagas como “filosofia de vida” ou “filosofia da empresa”. Ao contrário, ela é uma atividade bastante específica, uma postura diante do mundo que se caracteriza pela busca racional por explicações para a realidade. Em outras palavras, o surgimento da filosofia representa o primeiro momento da história em que os homens procuraram construir teorias, explicações da realidade que não estivessem simplesmente ancoradas na fé, mas sim na razão, na nossa capacidade argumentativa. E isso não é pouca coisa.

 

  1. A filosofia surgiu na Grécia por razões históricas bem específicas

            Ao observar que a filosofia surgiu na Grécia antiga, no século VII a. C., um aluno espertinho poderia perguntar: por que as coisas foram assim? Por que a filosofia não surgiu em outro lugar ou em outro contexto histórico? De fato, essa seria uma excelente pergunta, afinal, ela foi feita por boa parte dos grandes especialistas em filosofia antiga, que tentam até hoje respondê-la. Depois de décadas de debate, o consenso razoavelmente assentado hoje nos meios acadêmicos é que o nascimento da filosofia se deveu a diversos fatores, mas que um foi o principal: a ascensão da pólis. Com efeito, quando os gregos criaram as suas cidades-Estado, eles não desenvolveram apenas um novo tipo de exercício do poder, mas sim uma nova forma de encarar a política – e isso só aconteceu na Grécia. O ponto é que, diferente de todos os outros modelos de governo da Antiguidade, as pólis enxergavam o fundamento da ordem política na ação do homem e não na dos deuses. Assim, mesmo as cidades-Estado que não eram democráticas tinham em alta conta a discussão entre os cidadãos. Debater na praça pública o futuro da cidade era algo comum na vida grega antiga. Tal característica cultural, evidentemente, favoreceu em muito o desenvolvimento da capacidade crítica e argumentativa entre os gregos, elemento central para o surgimento da filosofia.

 

  1. Filosofia é uma coisa, mito é outra

Como todo professor acaba falando de mitologia grega nas primeiras aulas de filosofia, muitos estudantes ficam com a sensação equivocada de que os mitos são parte da atividade filosófica. Mas não é não, meus caros. Se tomamos contato com a mitologia grega em nossos estudos, é simplesmente para efeito de comparação entre ela e as teorias racionais elaboradas posteriormente pelos filósofos. Na verdade, não há porque confundir essas duas abordagens da realidade: enquanto o mito é uma narrativa religiosa, que explica o real de maneira simbólica e apela para a fé, isto é, para a confiança daquele que o ouve, dando grande valor à autoridade sagrada; a atividade filosófica, por sua vez, é inteiramente racional, fruto da reflexão, e se expressa por meio de raciocínios, sujeitando-se unicamente à qualidade do melhor argumento.

 

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