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Confira como as ideias de Zygmunt Bauman podem aparecer no seu vestibular!

Autor de Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman faleceu nesta segunda-feira, dia 9. Vem conferir um resumão da obra deste grande filósofo e sociólogo que tem tudo para cair no seu vestibular!

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Apesar de torcermos para que 2017 seja melhor que 2016, já começamos o ano com uma grande perda: o grande filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman faleceu nesta segunda-feira, dia 9.

Bauman não é nenhum estranho para o aluno Descomplica. Seu conceito de Modernidade Líquida já foi cobrado em diversos de nossos materiais. Duvida? Dá uma olhada nessas quatro redações exemplares: A importância da humanização no atendimento ao paciente no BrasilA relação entre o indivíduo e a beleza na contemporaneidadeO livro na era da digitalização do escrito e da adoção de novas ferramentas de leitura e Alimentação irregular e obesidade no Brasil.

Já deu pra notar que Bauman é super importante para fazer um vestibular sensa, né? Mas, afinal, o que é essa tal de Modernidade Líquida que todo mundo está falando?

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Bem, Bauman lançou esse conceito em um livro de mesmo nome, publicado em 2000. Para ele, vivemos em “tempos líquidos”, e a Modernidade Líquida é a própria contemporaneidade em que as relações se tornam cada vez menos concretas. Nela, “as relações escorrem pelo vão dos dedos” e nada mais é sólido: nem as relações interpessoais, nem mesmo o governo. “Nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso”, dizia. Bauman também era crítico à ideia de “pós-modernidade”, dizendo que não havia uma perspectiva histórica que marcasse o fim da modernidade; em vez disso, estaríamos vivendo uma espécie de versão mais radical, tardia, da modernidade, em que a privatização é regra.

Não entendeu nada? Calma, a gente explica: Zygmunt Bauman defendia que a “era do compromisso mútuo” tinha acabado. Agora, teríamos maior fluidez em diversos pontos, de forma que o indivíduo se sentiria um turista em sua própria vida, podendo fluir através de empregos, moradias, cônjuges, valores, etc, constantemente trocando-os e, assim, transformando a si mesmo perante ao mundo. Por isso a liquidez dessa nova fase da modernidade: nada mais é sólido, nada mais se mantém, tudo pode ser mudado em questão de segundos.

A incerteza, portanto, é parte constante do indivíduo contemporâneo: “padrões tradicionais” são substituídos por “padrões auto escolhidos”, isto é, o próprio indivíduo tem responsabilidade sobre seu próprio gerenciamento e não mais se encaixa numa comunidade tradicional. Estas, por sua vez, seriam apenas temporárias, não mais “sólidas”, assim como, por exemplo, as relações amorosas, que deixam de partir do princípio da união e passam a ser um mero acúmulo de experiências, como dito em “Amor Líquido”.

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Percebe-se que Bauman era um baita pessimista e tinha muito para falar. Aos 91 anos, ainda tinha forças para estabelecer críticas ferrenhas à desigualdade, à perseguição das diferenças (que ele mesmo experienciou, na Polônia dominada pelos nazistas e, mais tarde, na perseguição aos comunistas), à superficialidade dos debates e até mesmo às redes sociais e ao “ativismo de sofá”: Bauman as considerava “uma armadilha” que, segundo ele, nos fechavam em “zonas de conforto”, em que só interagimos com quem pensa da mesma forma que nós, não gerando, assim, um debate com aqueles que têm opiniões diferentes.

Bauman deixa uma imensa obra e ideias provocantes que ainda vão dar muito o que falar.