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O que os atentados na Bélgica têm a ver com o seu vestibular?

Na terça-feira, dia 22, uma tragédia atingiu a Bélgica. Descubra como isto pode cair no seu vestibular e se prepare para suas provas.

O que os atentados na Bélgica têm a ver com o seu vestibular?

Na manhã do dia 22 de março, terça-feira, uma série de atentados terroristas no Aeroporto Internacional Zaventem e na estação de metrô Maelbeek, em Bruxelas, Bélgica, deixou 34 mortos e mais de 200 feridos. Foram duas explosões no aeroporto e uma no metrô, com três suspeitos até agora, e pelo menos uma delas foi causada por um homem-bomba. Poucas horas depois, o Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques.

Como todo mundo sabe, o Estado Islâmico está preocupando muita gente desde sua criação, em meados de 2014. Já foram mais de 100 atentados em 24 países, e a Europa está em estado de alerta. Além da ameaça de novos atentados terroristas, grupos nacionalistas radicais começam a se mobilizar contra a imigração, e a xenofobia vem preocupando as autoridades.

Mas, como você provavelmente sabe, tudo isso faz parte de um problema maior que já existe há bastante tempo. Confira estes dois textos e fique por dentro de tudo para o seu vestibular!

 

TEXTO I

O que sabemos (e queremos saber) sobre atentados na Bélgica?

O que os atentados na Bélgica têm a ver com o seu vestibular?

Mais de 30 pessoas morreram e cerca de 250 ficaram feridas nessa terça-feira em Bruxelas vítimas de explosões no aeroporto de Bruxelas e em uma estação de metrô. Duas detonações atingiram o saguão de embarque do aeroporto e uma outra teve lugar em Maelbeek, estação próxima a uma série de prédios estratégicos da União Europeia – a capital belga é também a sede do bloco político-econômico.

O grupo extremista muçulmano autodenominado Estado Islâmico assumiu a autoria dos atentados, que ocorreram quatro dias após a prisão de Salah Abdeslam, um dos principais suspeitos dos ataques que causaram mais de 100 mortes em Paris, em novembro do ano passado.

O que sabemos até agora sobre a tragédia de Bruxelas?
Quem são os autores dos atentados?

Dois suspeitos foram identificados, de acordo com informações da mídia belga: eles são os irmãos Khalid e Ibrahim el-Bakraoui. Segundo a rede de TV RTBF, os irmãos eram conhecidos pela polícia, e Ibrahim teria sido reconhecido na análise de imagens de câmeras de segurança do aeroporto de Zaventem. Outro suspeito é Najim Laachraoui. Na quarta-feira um jornal belga chegou a divulgar informação de que Laachraoui tinha sido preso, mas a informação não chegou a ser confirmada pelas autoridades. Ele tinha sido identificado como um dos cúmplices de Salah Abdeslam.

A polícia acredita que Ibrahim cometeu um ataque suicida no aerporto, em que também houve a explosão de uma bomba escondida em uma bolsa. Khalid teria sido o autor do ataque suicida no metrô.

O que os atentados na Bélgica têm a ver com o seu vestibular?

Polícia teria identificado um dos autores da explosão no aeroporto

 

Como foram os ataques?

As duas explosões no aeroporto ocorreram por volta das 8h de Bruxelas (4h de Brasília), na área de check-in. Testemunhas relataram ter ouvido tiros e gritos em árabe pouco antes das explosões, e que vítimas que escaparam da primeira explosão foram atingidas pela segunda após correr em busca de refúgio.

A explosão no metrô ocorreu pouco mais de uma hora depois: um trem do metrô estava deixando a estação quando uma bomba explodiu, aparentemente no vagão central da composição, formada por três.

 

Quantas pessoas morreram?

Segundo as autoridades belgas, 34 pessoas morreram nas explosões, mas o total de fatalidades ainda não foi confirmado.
O Ministério da Saúde informou que 14 pessoas morreram e 81 ficaram feridas no aeroporto. Já a Prefeitura de Bruxelas disse que 20 pessoas morreram em Maelbeek.

Pelo menos 250 ficaram feridas, 17 delas com gravidade.

O que os atentados na Bélgica têm a ver com o seu vestibular?

Ruas da capital belga estão tomadas por forças de segurança

 

O que a polícia está fazendo?

A polícia federal belga fez uma série de operações em Bruxelas na terça-feira, concentradas no bairro de Schaerbeek e um porta-voz da Procuradoria-Geral anunciou que os agentes encontraram uma bomba de fabricação caseira, produtos químicos e uma bandeira do Estado Islâmico. No aeroporto, foram encontrados um colete explosivo e um fuzil Kalashnikov.

 

Por que Bruxelas?

O ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, disse na segunda-feira que os serviços de segurança do país temiam ataques em represália à prisão de Abdeslam. Mas Bruxelas é o que se pode chamar de um alvo tentador para militantes islâmicos por ser o centro nervoso da União Europeia. E as autoridades belgas há anos têm lidado com o crescimento do extremismo em sua população muçulmana.

Centenas de jovens belgas, por exemplo, se juntaram às fileiras do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Há células islamistas em diversas partes da Bélgica. Mas o subúrbio de Molenbeek, em Bruxelas, que tem grande população de origem étnica marroquina, ficou conhecido como um celeiro de radicais. Diversos militantes que participaram dos ataques de novembro em Paris, moravam em Molenbeek. Foi lá, por sinal, que Salah Abdeslam foi preso, em 18 de março.

Bruxelas já está em alerta há tempo: 10 dias depois dos atentados em Paris, os serviços de inteligência obtiveram informações sobre um ataque iminente e por diversos dias a cidade ficou sitiada, com o transporte público interrompido e a população obedecendo a recomendações para ficar em casa.

O que os atentados na Bélgica têm a ver com o seu vestibular?

Explosão ocorreu no saguão de embarque

 

Revanche ou planejamento?

A prisão de Adbeslam foi um golpe para o Estado Islâmico. Ele foi descrito pelas autoridades como um articulador dos militantes, responsável pela logística dos atentados – alugou apartamentos e comprou material para a fabricação dos explosivos. Dias antes de sua captura, um cúmplice, Mohamed Belkaid, foi morto pela polícia.

“A hipótese mais provável é que os ataques estavam sendo planejados e, por causa das prisões, foram antecipados porque os terroristas sabiam que estavam sendo procurados”, diz o acadêmico belga Dave Sinardet.

O que os atentados na Bélgica têm a ver com o seu vestibular?

 

Houve falha da inteligência?

A Bélgica desde novembro estava em alerta e forças de segurança tinham sido mobilizadas para diversas cidades do país. Mas, além dos problemas logísticos, há uma questão institucional: apesar de ser uma cidade pequena para os padrões de uma capital europeia, Bruxelas tem seis distritos policiais. E seu sistema de vigilância com câmeras de segurança é bem menos sofisticado que Paris e Londres.

“Temos problemas, porque durante anos não pusemos esforços suficientes na questão da segurança contra ataque islâmicos. Mas este tipo de ataque é muito difícil de ser evitado”, explica Sinardet.

 

Haverá mais ataques?

Essa é a pergunta que preocupa os belgas. A polícia ainda procura suspeitos de planejar atentados. Segundo o especialista americano em segurança Clint Watts, existe uma “teoria do iceberg” para explicar ataques jihadistas: para cada extremista, há uma série de ajudantes trabalhando nos planos. O que vemos é a ponta de um iceberg.

Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160323_perguntas_respostas_bruxelas_fd

 

TEXTO II

Os atentados da semana passada em Bruxelas se inscrevem numa sequência longa de atos de terrorismo praticados desde a proclamação do Daech, o auto-denominado Estado Islâmico, em junho de 2014. Uma pesquisa do “Le Monde” recenseou 129 atos de terrorismo praticados desde aquela data em 24 países pelo Daech ou por suas “franquias”.

Miaduguri, cidade de 600 mil habitantes situada no nordeste do Nigéria, é o lugar mais atingido, registrando 250 mortos atribuídos a afiliados do Daech. Paris, com 136 mortos causados por três ataques em 2015, é a oitava na lista das cidades visadas. Todas as outras são cidades de países árabes cuja população é quase toda muçulmana.

Os cinco continentes foram atingidos, visto que a matança de San Bernardino, na Califórnia, no mês de dezembro, também foi perpetrada em nome do Daech. A América do Sul é a única parte do mundo em que não foram registrados tais atentados.

Na Europa, há fatores que dão um relevo particular aos dramas atuais. De saída, é preciso observar que as reais responsabilidades do colonialismo e do neo-colonialismo europeu nas origens da crise árabe nem sempre explicam os últimos acontecimentos. O antagonismo entre os xiitas e os sunitas existe desde a morte do profeta Maomé em 632.

Formando a maioria (85%) dos muçulmanos do mundo, os sunitas, que compõem os batalhões do Daech, têm a Arábia Saudita como baluarte, enquanto os xiitas se apoiam na teocracia iraniana. Assim, por detrás do antigo conflito entre as duas confissões muçulmanas, há a rivalidade entre duas potências regionais, a Arábia Saudita e o Irã, entre os árabes e os persas. Daí o número elevado de vítimas muçulmanas registrado desde a guerra do Iraque (2003).

Na circunstância, os atentados na Europa tomam outra dimensão por causa da disseminação das redes terroristas e da desarticulação dos serviços nacionais de segurança. O primeiro ponto concerne um princípio básico da União Europeia (UE), a abolição das fronteiras internas no espaço Schengen, que inclui 26 países membros da UE, e também a Islândia, o Liechtenstein, a Noruega e a Suíça, Mônaco, San Marino e o Vaticano. A livre circulação nesses países facilita os movimentos dos terroristas, que podem pegar um voo para a Turquia, entrar na Síria, coligar-se com a militância do Daech e voltar ao seu ponto de partida europeu.

Outra via utilizada na volta passa pela Turquia, onde terroristas se juntam aos sírios e iraquianos que entram nas ilhas gregas (e no espaço Schengen) como refugiados. Acresce que, ao lado da cultura cidadã e legalista da maioria das comunidades muçulmanas, estabelecidas há décadas na França, no Reino Unido e em outros países, há uma radicalização de uma parcela mais jovem dos muçulmanos europeus ou oriundos do Magrebe e do Oriente Médio.

Como controlar as redes terroristas no espaço europeu? Os especialistas apontam a necessidade da criação de um FBI europeu para coordenar a segurança interna do espaço europeu. Mas os obstáculos, fundados no controle que cada país mantém sobre suas forças policiais, parecem intransponíveis. Um projeto muito mais simples, a criação de um registro único de informações sobre os passageiros aéreos (PNR), discutido há anos no Parlamento Europeu de Bruxelas, ainda não tem data para ser votado.

Numa certa medida, os problemas da Bélgica, o mais recente alvo do Daech, sintetizam os impasses europeus. Dividido entre a comunidade flamenga (neerlandófona) e a comunidade valona (francófona), o país cultiva clivagens políticas e culturais que bloqueiam o governo e atravancam as investigações. Depois da encrenca gerada pelas eleições parlamentares de junho de 2007, a Bélgica foi dirigida por um governo provisório até março de 2008. A crise seguinte, entre junho de 2010 e dezembro de 2011, bateu o recorde: o país ficou 541 dias sem governo, configurando a mais longa crise política da história contemporânea europeia.

O episódio desta semana é emblemático. Criticado por sua gestão depois dos atentados do dia 22, o ministro do Interior belga, Jan Jambon, um ultra-nacionalista flamengo, aguenta-se no cargo porque sua demissão pode derrubar o ministério todo e mergulhar a Bélgica em outra longa crise governamental.

Como escreve o site em inglês do “Spiegel”, o mais influente semanário alemão: a Bélgica “agora tem que combater sua reputação de Estado inviável (“failed State”).

Disponível em: http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2016/03/28/os-atentados-na-belgica.htm

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