Afinal, o que é ambiguidade?
Olá, meu povo!
Como foram de fim de semana? Estudaram muito? Olha só, vestibulando não tem direito a pular carnaval não, hein! Brincadeirinha, pode sim, mas só se tiver adiantando os estudos ao longo dessa semana…
Hoje vamos ver um tema recorrente no Enem que fala a respeito da Ambiguidade. Você sabe o que é? Sabe como evitá-la? Sabe quando usá-la? Veja só!
Em termos gerais, a palavra ambiguidade traduz a ocorrência de mais do que um sentido em palavras, frases, proposições ou textos.
Um exemplo-limite de ambiguidade, caso de verdadeiro exagero, é a frase:
Deixo os meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.
O exemplo serve para mostrar como, ao escrever, deve-se estar atento à pontuação, de maneira a expressar o que realmente se deseja. No caso, o autor da frase teria deixado sérios problemas a seus herdeiros, pois as interpretações que o período permite são múltiplas. Vejamos:
Deixo os meus bens a minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.
Deixo os meus bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.
Deixo os meus bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.
Deixo os bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate? Nada. Aos pobres.
Deixo os meus bens? Não a minha irmã e a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaitate. Nada aos pobres.
O exemplo acima, contudo, é um caso extremo, que serve apenas como recurso didático. Há casos mais simples – e mais comuns -, que devem ser evitados ao redigir:
1. O cadáver foi encontrado perto do banco.
– Não sabemos se o cadáver foi encontrado perto de uma casa bancária ou ao lado de um banco de jardim. A ambiguidade nasce da palavra banco, que pode ser usada em diferentes acepções.
2. Pedro pediu a José para sair.
– Neste caso, a ambiguidade não nasce de uma palavra de duplo sentido, mas, sim, da própria estrutura da frase. Que ideia a frase expressa: a) Pedro pediu permissão a José para sair um pouco ou b) Pedro pediu a José que fizesse o favor de sair um pouco?
3. O advogado disse ao réu que suas palavras convenceriam o juiz.
– As palavras de quem convenceriam o juiz: do réu ou do advogado?
4. Crianças que comem doce frequentemente têm cáries.
– A posição do adjunto adverbial complica tudo na frase: as crianças têm cáries porque comem doce com frequência ou há mais probabilidade de ocorrerem cáries em crianças que comem doces?
Recurso estilístico
A ambiguidade, contudo, nem sempre é um erro de expressão ou um vício de linguagem. Em literatura, o texto pode ser polissêmico, ou seja, apresentar multiplicidade de sentidos.
O professor Berthold Zilly, tradutor de Machado de Assis na Alemanha, cita, em uma entrevista, exatamente essa qualidade do texto machadiano: “Ele [Machado de Assis] é notório pelas suas expressões e frases ambíguas. Há pouco, por exemplo, estive refletindo sobre uma frase do livro [Memorial de Aires]. O narrador diz: ‘Já tenho embarcado e desembarcado muitas vezes, devia estar gasto. Pois não estou’. O que ele quer dizer com ‘gasto’? Acostumado, cansado, insensível – acho que é por aí. Mas não é o sentido normal da palavra, não é o convencional. E ele reiteradamente usa palavras fora do seu sentido convencional. Praticamente a cada duas frases há uma dificuldade semelhante. Não se sabe também 100% o que ele quer dizer, há várias interpretações”.
Então, por hoje é só, meus queridos!
Até a próxima!
(fonte Vestibular Uol)



Redação
Camila 