Enganando o seu cérebro por apenas 1,99 (inclusive para o vestibular!)

14/10/2014 Camila Paula

Já parou pra pensar em porque as lojas tem “mania” de colocar preços finalizados em “9”?

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Ah… Vendedores!

 

 

Quando número são muito grandes a tendência é que a gente os arredonde na hora de nos referirmos a eles. Se alguém te pergunta quantos habitantes tem o planeta Terra, certamente você não vai responder “ah, são 7.249.867.154 bilhões”, vai? O normal é que sempre arredondamos esse tipo de número grande, nos referindo a eles como “7,2 bilhões”, neste caso. E, por algum motivo bizarro, o nosso cérebro acaba achando que o número com todos os dígitos (7.249.867.154) é menor do que o número arredondado. É como se não absorvêssemos o quão grande ele é, quando tem tantos algarismos pra ler.

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Tá ficando meio cheio aqui!

Segundo o psicólogo Manoj Thomas, isso acontece porque tendemos a pensar que números pequenos são mais precisos, então quando vemos um número grande com muitos dígitos (mais precisos), acreditamos que ele é menor do que realmente é.

E o que isso tem a ver com os preços? Bom, acontece que essa associação do nosso cérebro faz com que instintivamente a gente pague mais por algo que tenha preço não redondo, mesmo que ele seja mais caro. Thomas realizou um experimento onde casas eram vendidas por valores redondos e precisos como, por exemplo, $390.000 e $420.000, e mais caros, porém com números precisos, $391.534 e $421.772. Surpreendentemente, mais da metade das pessoas estavam mais dispostas a pagar pelos preços não redondos, mesmo eles sendo mais altos.

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rcadinho Miragem sabe… Se você quiser ganhar dinheiro, não venda seu produto com preço redondo!

Isso tudo funciona para coisas que tem valores altos. Mas e aquelas promoções de tudo por 12,99? Qual é o sentido de se colocar 99 em tudo?

A explicação pra isso é que nós somos mais influenciados pelo dígito da esquerda, que é o que lemos primeiro. Para o nosso cérebro, 799 é muito mais barato que 800, porque é como se ainda estivéssemos na casa dos 700.

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Essa estratégia tá manjada!

O mais legal disso é que essa coisa de terminar em 9 acabou “contaminando” nosso cérebro com o passar dos anos e, agora, a gente acaba associando números 9 com barganha, mesmo eles sendo mais caros.

Um exemplo disso foi um estudo feito por Eric Anderson, da Universidade de Chicago, onde eles colocaram o mesmo vestido por $34, $39 e $44 dólares. Qual foi o resultado? O vestido foi mais vendido quando tinha o preço de $39! Sim, mais até do que quando ele era mais barato, custando $34.

Outro caso interessante foi um estudo feito pela Universidade de Cornell, onde um restaurante em Nova York tirou o cifrão do cardápio. Os preços passaram de “$24” para apenas “24”, por exemplo. O resultado foi que as pessoas começaram a gastar muito mais dinheiro no restaurante, levando a crer que o mero “$” já faz o nosso cérebro associar que estamos pagando alguma coisa e nos desencorajando a escolher, quem sabe, pratos melhores e mais caros.

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E eis que eu encontrei um cardápio assim num restaurante aqui do Rio essa semana. Não sei se eu nunca tinha reparado antes, só sei que nessa estratégia eu não caio mais! :b

Outra estratégia também é sempre colocar coisas caras perto daquelas que você quer vender. Não é a toa que em concessionárias de carro, por exemplo, sempre tem um carro de $100.000 perto de um de $30.000. A gente acaba relacionando os valores e achando que aquele de $30.000 é mais barato, mesmo que ele esteja fora do padrão dele.

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E o fusca fica ainda muito mais barato do que você pensaria.

Existem mais uma série de estratégias numéricas para “enganar” o consumidor, desenvolvida às vezes sem querer, às vezes por estudo. Mas o triste disso tudo é que como quase todas essas coisas são inconscientes, nem adianta a gente ficar sabendo delas, vamos acabar sendo enganados mais uma vez. Portanto, arredonde os número na sua prova do vestibular!

O jeito é aproveitar a promoção e ser feliz assim mesmo! :b

Bacon por 3,49, CORRAM!!

Camila Paula

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