Capitalismo em risco: Revolução Russa e a Crise de 29

15/06/2016 Larissa Coelho

Aprenda tudo sobre a ascensão do Capitalismo, a deflagração da Revolução Russa e a crise de 29 nos Estados Unidos e prepare-se para gabaritar o vestibular!

Desde seu início, o capitalismo foi cada vez mais sendo aprimorado, chegando ao seu auge. Com o surgimento do capitalismo monopolista, se viu ainda mais forte e necessário. Porém, com a Revolução Russa de outubro de 1917 e sua adesão ao socialismo, o mundo percebeu que existiam outras possibilidades, além do então desigual capitalismo. Além disso, a crise de 1929, decorrente em muito da primeira guerra mundial, considerada uma guerra puramente capitalista, pôs em xeque o capitalismo como era visto.

Início da divisão mundial: capitalismo X socialismo

Antecedentes da Revolução

A estrutura semifeudal russa (resquício da Idade Média) dava à Rússia um caráter rural e agrícola, o que ajudava em muito a manter a fraca industrialização, restrita a algumas cidades e dependentes de capital externo. Além disso, os russos criticavam o absolutismo monárquico, o que fez com que o contato com novas ideologias e influências externas possibilitasse a formação de partidos políticos (Partido Constitucional Democrata – Kadetes, burgueses / Partido Operário Social Democrata Russo – POSDR, camadas médias, intelectuais, soldados, operários e camponeses). Em 1903, houve a cisão do POSDR e a formação de dois novos partidos com sua “quebra”:

  • Os Mencheviques: socialismo em aliança com a burguesia. Segundo eles, a Rússia deveria primeiro se fortalecer e enriquecer com o capitalismo e depois fazer a Revolução;
  • os Bolcheviques: com os líderes Trotsky e Lênin, aspiravam o socialismo sem qualquer tipo de aliança com o burguesia. Além disso, segundo eles, se fosse necessário que a Rússia se industrializasse, seria pelas mãos do governo.

Posterior a isso houve o chamado “Domingo sangrento” (22 de janeiro de 1905), no qual uma manifestação contra o Czar (que ficou conhecida como ensaio geral) fez com que ele enviasse tropas para reprimir violentamente a população. Apesar da maioria dos soldados se negar a cumprir as ordens contra a população, cidadãos foram mortos e houve uma reação violenta dos russos ao episódio.

A Revolução: outubro de 1917

Os bolcheviques lideram a Revolução com as chamadas teses de abril, “Paz, pão e terra” e “todo poder aos sovietes” (que se uniram para a queda do governo provisório iniciado por uma revolução em fevereiro de 1917 e implantaram o socialismo na Rússia). A Guerra Civil para conclusão desse processo durou de 1917 a 1921 com aproximadamente 11 milhões de mortos. O exército brando lutou contra o exército vermelho revolucionário, que optou pelo comunismo de guerra, fechando a Rússia para o mercado, confiscando fábricas para entregar ao proletariado e nacionalizando bancos e empresas. Em 1918, Rússia sai da guerra (Tratado de Bret-Litovsky com a Alemanha) e em 1921 o exército vermelho tem sua vitória.

Revolução Russa de 1917

1929: A Crise Capitalista

Após a primeira guerra mundial, os Estados Unidos se tornaram a maior potência. Isso deu ensejo para o “American Way of Life”, a euforia norte-americana, com seu liberalismo e ajuda financeira à Europa devastada. Porém, devido a essa ajuda, a Europa se recupera e volta a produzir, passando a não mais precisar dos produtos americanos. Mesmo com isso, os EUA não diminuem sua produção, então o subconsumo causa uma superprodução. Devido a isso, há um corte de gastos no país, causando um desemprego de aproximadamente 13 milhões de pessoas. Foi, então, em 4 de outubro de 1929, na chamada “quinta feira negra”, que houve a quebra da bolsa de valores de Nova York, com cerca de 4.000 bancos quebrados e 80.000 empresas falidas. Essa crise liberal, ou crise do capitalismo, em um sensível momento fez com que o socialismo se tornasse um atrativo aos olhos de muitos países que sofreram imensamente com a crise. “Se os EUA pegaram um resfriado, o mundo todo pegou uma pneumonia”, já que o mundo dependia da potência norte-americana.

Imagem de pessoas esperando na fila por comida, contrastando com o cartaz da euforia americana antes da crise

 

Exercícios

1. (ENEM)

Texto I

A Europa entrou em estado de exceção, personificado por obscuras forças econômicas sem rosto ou localização física conhecida que não prestam contas a ninguém e se espalham pelo globo por meio de milhões de transações diárias no ciberespaço.

ROSSI, C. Nem fim do mundo nem mundo novo. Folha de São Paulo, 11 dez. 2011 (adaptado).

Texto II

Estamos imersos numa crise financeira como nunca tínhamos visto desde a Grande Depressão iniciada em 1929 nos Estados Unidos.

Entrevista de George Soros. Disponível em: www.nybooks.com. Acesso em: 17 ago. 2011 (adaptado).

A comparação entre os significados da atual crise econômica e do crash de 1929 oculta a principal diferença entre essas duas crises, pois

a) o crash da Bolsa em 1929 adveio do envolvimento dos EUA na I Guerra Mundial e a atual crise é o resultado dos gastos militares desse país nas guerras do Afeganistão e Iraque.

b) a crise de 1929 ocorreu devido a um quadro de superprodução industrial nos EUA e a atual crise resultou da especulação financeira e da expansão desmedida do crédito bancário.

c) a crise de 1929 foi o resultado da concorrência dos países europeus reconstruídos após a I Guerra e a atual crise se associa à emergência dos BRICS como novos concorrentes econômicos.

d) o crash da Bolsa em 1929 resultou do excesso de proteções ao setor produtivo estadunidense e a atual crise tem origem na internacionalização das empresas e no avanço da política de livre mercado.

e) a crise de 1929 decorreu da política intervencionista norte-americana sobre o sistema de comércio mundial e a atual crise resultou do excesso de regulação do governo desse país sobre o sistema monetário.

VEJA COMO RESOLVER PASSO-A-PASSO ESTA QUESTÃO!

 

2. (FUVEST) Da Grande Depressão, ocorrida no mundo capitalista com a crise econômica de 1929, resultou:

a) o desemprego, o reforço do liberalismo e a modernização do setor industrial.

b) a arte expressionista, um avanço dos movimentos anarquistas e o Nazi-Fascismo.

c) o intervencionismo estatal, múltiplos problemas sociais e nova corrida armamentista.

d) o surgimento do neoliberalismo, o fim da hegemonia europeia e a popularidade das correntes culturais existencialistas.

e) o sucesso dos partidos socialistas ocidentais, o recuo do desemprego e o início de uma aproximação com a União Soviética.

VEJA COMO RESOLVER PASSO-A-PASSO ESTA QUESTÃO!

 

3. (Fgv) Em abril de 1917, o líder bolchevique Lenin, exilado em Zurique (Suíça), voltou à Rússia lançando as Teses de Abril. Nesse programa político é incorreto afirmar que Lenin propunha a/o:

a) formação de uma República de sovietes;

b) concessão à defesa nacional, dando total apoio ao governo provisório;

c) nacionalização dos bancos e das propriedades privadas;

d) reconstituição da Internacional;

e) controle da produção pelos operários

VEJA COMO RESOLVER PASSO-A-PASSO ESTA QUESTÃO!

 

Gabarito

1. D

2. C

3. B

Larissa Coelho

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1 Comentário para este artigo

  • KARINA
    16/07/2016

    O gabarito da 1) esta errado.

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