Quem são os filósofos da tradição?

22/04/2016 Leidiane Oliveira

Você sabe quem são os filósofos da tradição? Venha aprender mais um pouco sobre esse assunto que com certeza será abordado no seu vestibular!

Quem sao os filosofos da tradicao?

Vamos abordar um pouco de Platão e começaremos a estudar Aristóteles. Já vimos a influência de Sócrates sobre o pensamento platônico, a alegoria da caverna, a dialética e sua ascensão. Agora, trataremos da reminiscência e da alma de Platão. Em Aristóteles veremos sua metafísica.

Platão

A teoria do conhecimento em Platão tem seu ponto alto na reminiscência. Talvez essa palavra não te diga muita coisa, mas você vai entender. Já sabemos que a realidade é dividia em duas esferas: mundo sensível e mundo inteligível. No primeiro todo conhecimento é limitado e ilusório, o homem é prisioneiro dos sentidos, que não podem revelar nenhuma verdade. Tudo que vemos nesse mundo é mímesis (cópia) do que realmente existe no mundo superior. No segundo as coisas existem não como matérias, mas em essência, como de fato são. É nele que se encontra a verdade.

Quando falamos da alegoria da caverna, vimos que o filósofo deve governar a cidade porque ele é o único que saiu da caverna e viu a luz. Isso significa que de algum modo ele conseguiu transcender esse mundo transitório e contemplou a verdade, mas como ele alcançou isso?  Aí entra a reminiscência platônica. Todo conhecimento já nasce conosco. Pasme, mas para Platão você já sabe tudo de trigonometria, por exemplo, tudo que é preciso é rememorar esse conhecimento que foi adquirido quando você esteve no Hades (mundo dos mortos). Ficou claro? A alma é eterna e sendo assim ela já viu toda verdade, mas quando nos degradamos e nos tornamos prisioneiros do corpo novamente, nos esquecemos de tudo que já sabemos. De esse modo, conhecer é rememorar.

Ainda há outra teoria que não podemos ficar sem saber: a ética platônica. Já sabemos que para Platão a realidade inteligível é superior à sensível, sendo assim, é lógico que para ele a alma é superior ao corpo. Desse modo surge o dualismo psicofísico, que consiste na separação da alma em duas partes:

  • Alma superior, alma intelectiva
  • Alma inferior, a alma do corpo

Essa última ainda possui duas variações:

    1. Alma irascível: impulsiva e rica em coragem, localizada no peito.
    2. Alma Apetitiva: destemperada e fonte dos desejos intensos, localizada no baixo ventre.

O homem que deixa que sua alma inferior domine seu corpo é imprudente. A ética platônica consiste no domínio da alma intelectiva sobre o corpo.

Aristóteles

Esse é sem dúvida um dos homens mais encantadores de todos os tempos. Aristóteles é a cabeça que sustenta o ocidente. Dele veremos aqui somente a metafísica, mas procure conhecê-lo, pois ele falou de um tudo.

Aristóteles é muito diferente de Platão, embora tenha sido seu discípulo. Nele, o conhecimento sensível e o conhecimento racional também são distintos, mas interligados. Ninguém pode começar conhecendo o racional, chegamos nele através dos sentidos. Entendeu? O conhecimento se dá através de abstrações, mas abstraímos através de um dado sensível e aí procuramos os conceitos universais. Para ele é a metafísica que fornece os objetos de estudo para todas as ciências, pois todas as distinções que fazemos que sejam generalizantes são metafísicas. Sei que parece loucura, mas vou tornar isso mais palatável.

Para Aristóteles entender algo é entender como algo veio a ser, isso é o que chamamos de causa, mas vamos falar de outros conceitos primeiro e depois falaremos desse. Primeiramente vamos entender as noções de essência e acidente. Para ele cada ser que existe é uma substância, isto significa que não existem dois mundos, a ideia e a matéria formam a substancialidade.  Esse conceito diz respeito àquilo que é em si mesmo. Mas ele pode receber atributos essenciais ou acidentais.

  • Essência: é o que dá identidade à substância, de modo que, se lhe faltasse ela, não poderia ser ela mesma.
  • Acidente: a substância pode ter ou não sem que sua identidade seja alterada por isso.

Além das noções de essência e acidente, os conceitos de matéria e forma são indispensáveis ao pensamento aristotélico. Todo ser contém as duas realidades.

  • Matéria: Princípio indeterminado que compõe o mundo.
  • Forma: é o que faz que uma coisa seja o que é. É o que faz que os cachorros sejam cachorros mesmo pertencendo à raças diferentes.

A forma é inteligível e faz com que todos que pertencem à mesma espécie sejam o que são, já a matéria é passividade e tende a realizar a forma e a potência.

Aristóteles concilia em sua filosofia os pensamentos de Heráclito e Parmênides com as noções de ato e potência.

  • Potência: é a capacidade de se tornar alguma coisa, mas para que a mudança ocorra é necessária a ação do ato.
  • Ato é a essência da coisa (forma).

Ficou claro? O homem, por exemplo, todos os seres humanos são identificados como pertencentes à mesma espécie pela forma que possuem. Um bebê é um adulto em potência, não é possível que ele se torne um passarinho, mas um homem adulto, pois a forma se impõe sobre a matéria.

Lindos, essa é a metafísica aristotélica, beijos e até aproxima semana.

 

Exercícios

1. (UEL-PR) Leia o texto de Platão a seguir:

“Logo, desde o nascimento, tanto os homens como os animais têm o poder de captar as impressões que atingem a alma por intermédio do corpo. Porém relacioná-las com a essência e considerar a sua utilidade, é o que só com tempo, trabalho e estudo conseguem os raros a quem é dada semelhante faculdade. Naquelas impressões, por conseguinte, não é que reside o conhecimento, mas no raciocínio a seu respeito; é o único caminho, ao que parece, para atingir a essência e a verdade; de outra forma é impossível.”

(PLATÃO. Teeteto. Belém: Universidade Federal do Pará, 1973. p. 80.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria do conhecimento de Platão, considere as afirmativas a seguir.

I. Homens e animais podem confiar nas impressões que recebem do mundo sensível, e assim atingem a verdade.

II. As impressões são comuns a homens e animais, mas apenas os homens têm a capacidade de formar, a partir delas, o conhecimento.

III. As impressões não constituem o conhecimento sensível, mas são consideradas como núcleo do conhecimento inteligível.

IV. O raciocínio a respeito das impressões constitui a base para se chegar ao conhecimento verdadeiro.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.

 

2. (FCC-SP)

“A arte imita a natureza.”

Aristóteles

A citação acima refere-se ao princípio da:

a) Sturm und Drang.
b) mimesis.
c) formatividade.
d) arte como objeto imaginário.
e) arte como análogo da razão.

 

3. (PMP-TO) Aristóteles centrou sua atenção numa questão essencial do filosofar – o ser –, partindo do real enquanto substância, para compreendê-lo, e daí formular entendimento sobre o conhecer e o agir. Seu projeto filosófico está revelado em:

a) a essência do ser humano, ou de qualquer outro objeto do conhecimento, não é desvendada no próprio ser humano ou no objeto que esteja sendo investigado.
b) o ser real é constituído de dois coprincípios que são indissociáveis, sendo que um expressa a potência para ser e o outro, a atualização do ser.
c) o mundo externo do sujeito é compreendido a partir do mundo racional, baseado em dois princípios: o ser em potência e o ser em ato.
d) as mutabilidades visíveis no cotidiano das coisas e da vida são perfeitamente conciliadas com a ideia de ser.
e) o ser verdadeiro é abstrato e não representa a realidade concreta do ser dual.

 

Gabarito

1. B

2. B

3. B

Leidiane Oliveira

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