Importância da Saúde Mental na trajetória do vestibular, por Thaís Albuquerque

14/05/2020 Comunidades Descomplica

Eu demorei muito tempo pra entender que pra passar no curso que eu sempre quis não bastava “só estudar” como dizem por aí. Eu cresci ouvindo que eu tinha que estudar até minha bunda ficar quadrada e, apesar disso carregar uma verdade (não absoluta), a ideia de estudar incansavelmente sem olhar para as outras esferas da vida foi, na verdade, muito mais prejudicial do que impulsionadora para a minha escalada em busca da medicina. Não, não estou dizendo que você não tem que estudar ou que têm estudar pouco. Muito menos que você tem que estudar 18 horas por dia… Na verdade não estou aqui pra quantificar suas horas de estudo, estou aqui pra te alertar que não é SÓ o estudo que vai trazer a sua aprovação.

Vou ilustrar te contando um caso muito emblemático de uma colega que conheci no meu último ano de cursinho. Já era o 7º ano de tentativas dela pra entrar no curso mais concorrido do Brasil e ela estudava muito, estudava horrores, participava de todas as aulas, palestras, cursos extras, simulados, era um gênio. Já faziam 2 anos que ela ia pra segunda fase da Fuvest pro curso dos sonhos e o que a distanciava da vaga desejada eram os desmaios que ela tinha quando estava fazendo as provas. Sim, ela DESMAIAVA em cima da prova da segunda fase da Fuvest, consequentemente era retirada do exame e acabava sendo desclassificada. Quando conversei com ela sobre isso, fiquei estarrecida… como assim desmaiar? É tipo nadar, nadar, nadar, nadar e se afogar no raso. Lembro que morri de vontade de abraçá-la, de jogar um colete salva vidas, mas só consegui fazer aquela cara meio embasbacada quando a gente se sente incrédula diante do que ouve/vê. Será que ela entendia que o que a afastava da profissão que ela queria não eram os estudos? Será que ela entendia os níveis patológicos que a ansiedade dela havia atingido e que, talvez, naquele ano específico valeria mais a pena “gastar” horas cuidando do emocional do que permanecer com a “bunda quadrada”? Eu só fui entender isso depois de formar psicóloga.

Muitos anos se passaram de lá pra cá e não consigo esquecê-la. Talvez ela tenha sido um dos fatores que alimentou a minha vontade/necessidade de manter esse contato com vestibulandos mesmo depois que passei em medicina e até hoje à beira de formar médica. Infelizmente não aprofundei a minha relação com ela a ponto de saber mais sobre sua intimidade nem de saber se ela conseguiu a vaga. Desejo profundamente que sim, desejo encontrá-la futuramente em algum congresso, em algum hospital… desejo mais intensamente que ela tenha se curado e sobretudo que tenha se cuidado.

Prestar vestibular é uma verdadeira maratona, portanto não basta só estudar, é preciso se alimentar bem, fazer exercícios físicos e teóricos, é preciso cuidar da alma e do coração que eu costumo resumir em saúde emocional. É preciso entender seus limites, saber se respeitar e se amar acima de qualquer outro objetivo da vida.

Estude sim, estude muito mas não se preocupe além do necessário. A sua vaguinha está lá te esperando, quanto mais saudável emocionalmente você estiver para conquistá-la, melhor será o seu aproveitamento. Acredite.

Até mês que vem!

Com amor,

Thais Albuquerque

Psicóloga formada pela USP e estudante do 5º ano de medicina na FAMERP.

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Comunidades Descomplica escreveu 18 artigos

2 Comentários para este artigo

  • Nicholas Aparecido David
    19/05/2020

    Eu assinei o plano Descomplica em Março, mas logo de cara aparece um vídeo relatando que estou um pouco atrasado e que no dia 22 de Maio iniciaria um plano semi extensivo para retomar o conteúdo perdido. Porém, até agora não entendi como isso irá funcionar.

    • Redação Descomplica
      29/05/2020

      Ei Nicholas, tudo bem?! Sou a Cleo, responsável por responder aqui no blog. Eu passei o seu contato para o setor de sucesso do aluno para entrarem em contato com com você. 💚

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