Todos os "paranauê" sobre concordância verbal para você manjar

A concordância verbal trata das alterações do verbo para se acomodar ao seu sujeito.

Concordância é o modo pelo qual as palavras alteram suas terminações para se acomodarem a outras palavras. Logo, a concordância verbal trata das alterações do verbo para se acomodar ao seu sujeito. Como regra geral, a concordância verbal é o processo em que o verbo da oração altera suas desinências para ajustar-se em pessoa e número ao seu sujeito, o que significa que verbo e sujeito deverão concordar mesmo que a frase esteja na ordem inversa (verbo anteposto ao sujeito).

No entanto, há muitos casos em que o sujeito simples é constituído de formas que fazem o falante cometer erros, de acordo com a norma culta, no momento de estabelecer a concordância verbal. Normalmente, as infrações às normas da concordância ocorrem devido ao significado de expressões que nos transmitem noção de plural, como os substantivos coletivos, apesar de terem forma de singular, ou vice-versa. Para evitar problemas gramaticais, é importante ter atenção aos seguintes casos:

Casos de concordância verbal com sujeito simples

  1. Quando o sujeito é um coletivo, a concordância verbal se dá com o verbo acompanhando o número do substantivo coletivo.
    Ex.: O bando perturbou a pacata cidade./ Os bandos perturbaram a pacata cidade.

    Se o coletivo vier especificado ou modificado por adjunto adnominal, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural. Ex.: A multidão de fãs gritou./ A multidão de fãs gritaram.

  2. Quando o sujeito for uma expressão partitiva (a maioria de, a maior parte de, grande parte de, metade de etc.) antes do verbo, o verbo pode ficar no singular ou no plural.
    Ex.: Grande parte dos torcedores compareceu/compareceram ao estádio.
  3. Quando o sujeito é um pronome de tratamento, as regras de concordância verbal definem que o verbo deve ficar sempre na 3ª pessoa (do singular ou do plural).
    Ex.: Vossa Santidade esteve no Brasil./ Vossas Altezas pediram silêncio.
  4. Quando o sujeito é representado pelo pronome relativo “que”, o verbo concorda com o antecedente do pronome relativo.
    Ex.: Paulo foi a pessoa que despachou a mercadoria.

    Com a expressão “um dos que”, “uma das que”, a norma da concordância verbal dita que o verbo deve assumir a forma plural, exceto quando a ação se refere a um só agente. Ex.: Você é um dos que admiram os escritores de novelas. (Dos que admiram novelas, ele é um.)/ Ele é um dos jogadores que foram expulsos. (Dos jogadores que foram expulsos, ele é um.)

  5. Quando o sujeito é representado pelo pronome relativo “quem”, o verbo deve ficar na terceira pessoa do singular, concordando com esse pronome.
    Ex.: Desta vez sou eu quem paga a conta.
  6. Quando o sujeito é formado por locuções pronominais (“Alguns de nós”, “poucos de vós”, “quais de…”, “quantos de…”, etc.), o verbo fica no singular se o primeiro pronome estiver no singular. Se o pronome estiver no plural, a concordância verbal poderá se dar com o pronome interrogativo/indefinido ou com o pronome pessoal (nós ou vós).
    Ex.: Quais de vós me punirão?/ Quais de vós me punireis?
    Quais de nós são capazes?/ Quais de nós somos capazes?
  7. Quando o sujeito é um nome que só se usa no plural e não vem precedido de artigo, o verbo fica no singular. Caso esse nome venha precedido de artigo, o verbo deverá estar no mesmo número em que estiver o artigo.
    Ex.: Os Estados Unidos são um grande país da América do Norte.
  8. Quando o sujeito é formado pelas expressões “mais de um”, “mais de dois”, “mais de…”, o verbo deverá estar no mesmo número em que estiver o numeral dessas expressões.
    Ex.: Mais de um aluno faltou.
  9. Quando os núcleos do sujeito são unidos pela preposição “com”, o verbo pode ficar no singular ou no plural. No plural, os núcleos recebem um mesmo grau de importância e a palavra “com” tem sentido muito próximo ao de “e”. Para enfatizar o primeiro elemento, usa-se o singular.
    O governador com o secretariado traçaram os planos.
    O governador com o secretariado traçou os planos.
  10. Quando o sujeito é formado pelas expressões cerca de ou perto de, que indicam a quantidade aproximada, o verbo irá para o plural.
    Ex.: Cerca de cinco alunos faltaram.

Casos de concordância verbal com sujeito composto

  1. Quando o sujeito composto é formado de pessoas gramaticais diferentes e entre elas houver primeira pessoa, o verbo irá obrigatoriamente para a primeira pessoa do plural.
    Ex.: Eu, tu e ele resolvemos o exercício.
  2. Quando os núcleos do sujeito estão coordenados assindeticamente ou ligados pela conjunção “e”, o verbo concordará com os dois núcleos.
    Ex.: A jovem e a sua amiga seguiram a pé.
  3. Quando o sujeito estiver posposto, permite-se a concordância verbal por atração com o núcleo mais próximo do verbo.
    Ex.: Seguiria a pé a jovem e a sua amiga.
  4. Quando os núcleos do sujeito composto são sinônimos ou semelhantes e estão no singular, o verbo pode ficar no plural (concordância lógica) ou no singular (concordância atrativa).
    Ex.: A angústia e ansiedade não o ajudavam a se concentrar.
  5. Quando há gradação entre os núcleos do sujeito composto, a concordância verbal se dará com todos os núcleos (lógica) ou apenas com o núcleo mais próximo (concordância atrativa).
    Ex.: Uma palavra, um gesto, um olhar bastavam/bastava.
  6. Quando os sujeitos forem resumidos pelos pronomes “nada”, “tudo”, “ninguém”, etc., o verbo concorda com o aposto resumidor.
    Ex.: Os pedidos, as súplicas, o desespero, nada o comoveu.
  7. Quando o sujeito for constituído pelas expressões “um e outro”, “nem um nem outro”, o verbo pode ficar no singular ou no plural.
    Ex.: Um e outro já veio/vieram.
  8. Quando os núcleos do sujeito composto são unidos por “ou” ou “nem”, o verbo deve ficar no plural se a declaração contida no predicado puder ser atribuída a todos os núcleos.
    Ex.: Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.

Caso de concordância verbal com sujeito oracional

  1. Quando o sujeito é uma oração subordinada substantiva subjetiva, o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular.
    Ex.: Ainda falta comprar os últimos presentes do Natal.

Casos de concordância verbal com verbo + partícula SE

  1. Quando o verbo estiver acompanhado pelo índice de indeterminação do sujeito SE, ficará obrigatoriamente na terceira pessoa do singular.
    Ex.: Precisa-se de datilógrafos.
  2. Quando vier acompanhado pelo pronome apassivador SE, o verbo concordará normalmente com o sujeito, que estará expresso na oração.
    Ex.: Vende-se uma casa de praia.

Caso de concordância verbal com verbos impessoais

  1. O verbo HAVER (no sentido de existir, ou indicando tempo transcorrido) e o verbo FAZER (indicando tempo transcorrido) são impessoais, isto é, não possuem sujeito. Assim, devem ficar na terceira pessoa do singular.
    Ex.: Havia sérios obstáculos./ Fazia dez anos que não te via.

Caso de concordância verbal com os verbos dar, bater e soar

  1. Quando os verbos dar, bater e soar são usados na indicação de horas, possuem sujeito (relógio, hora, horas, badaladas…) e com ele devem concordar.
    Ex.: O relógio deu duas horas.
    O sino da igreja bateu cinco horas.
    Soaram dez badaladas no relógio da escola.

Caso de concordância verbal com a expressão “haja vista”

  1. A expressão “haja vista” não varia, mesmo seguida de expressão no plural.
    Ex.: O ator deverá receber vários prêmios, haja vista suas excelentes atuações.

Casos de concordância verbal com expressões que representam porcentagem

  1. Quando o sujeito é uma expressão que representa porcentagem, o verbo acompanhará o numeral dessas expressões.
    Ex.: Vinte por cento se ausentaram.
  2. Quando a expressão que representa porcentagem é acompanhada de um partitivo (de + substantivo), a concordância se faz em geral com esse substantivo (singular ou plural).
    Ex.: Vinte por cento da população votou contra o projeto.
    Vinte por cento dos habitantes votaram contra o projeto.

Casos de concordância verbal com o verbo SER

  1. Quando o sujeito é representado por um dos pronomes interrogativos “quem” ou “que”, o verbo concorda obrigatoriamente com o predicativo.
    Ex.: Quem foram os artilheiros do campeonato?
  2. Quando o verbo “ser” indica hora ou distância, concorda obrigatoriamente com o predicativo.
    Ex.: São duas horas.
  3. Quando há pronome pessoal, independente de exercer função de sujeito ou predicativo, o verbo concorda com ele.
    Ex.: Nós somos os responsáveis.
  4. Quando há nome de pessoa, independente de exercer função de sujeito ou predicativo, o verbo “ser” concorda obrigatoriamente com ele.
    Ex.: O atacante Fred era as esperanças do time.
  5. Quando há dois substantivos comuns de números diferentes, o verbo “ser” concorda, de preferência, com aquele que estiver no plural.
    Ex: A felicidade da mãe eram os seus dois filhos pequenos.
  6. Quando o sujeito do verbo “ser” é o pronome indefinido “tudo”, ou os demonstrativos “isto”, “isso”, “aquilo” e “o”, a concordância se faz, de preferência, com o predicativo.
    Ex.: Tudo são flores.
  7. O verbo “ser” que aparece nas expressões “é muito”, “é pouco”, “é suficiente” e “é bastante” fica sempre no singular.
    Ex.: Cem metros é muito.

Exercícios de vestibular sobre concordância verbal

1) “Não ___________ condições para se ____________ os trabalhos; mesmo que as _____________, era tarde”. Complete as lacunas com a forma correta de concordância verbal dos verbos abaixo.

a) havia / recomeçarem / houvesse.

b) haviam / recomeçarem / houvessem.

c) haviam / recomeçar / houvesse.

d) haviam / recomeçar / houvessem.

e) havia / recomeçar / houvessem.

2) (Unicamp-SP)

Sem comentários

Do delegado regional do Ministério da Educação no Rio, Antônio Carlos Reboredo, ao ler ontem um discurso de agradecimento ao seu chefe, o ministro Eraldo Tinoco: “Os convênios assinados traduz (sic)* os esforços…” (Painel do Leitor, Folha de S. Paulo)

*sic: palavra latina que significa “assim”; no caso é usado pelo jornal com o sentido de “exatamente desta forma”.

O título da nota acima, Sem comentários, é, na verdade, um comentário que expressa o ponto de vista do jornal, motivado por um problema gramatical no discurso lido por A. C. Reboredo.

a) Que problema gramatical provocou o comentário do jornal?

b) Explicite o comentário que está sugerido, neste caso específico, pela expressão Sem comentários.

3) (PUC-SP) A sintaxe de concordância é determinada por regras presentes na Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Uma delas refere-se ao sujeito constituído por palavras que têm forma plural precedidos ou não de artigo. Identifique o caso em que o sujeito é um plural aparente:

a) “Comparados os países com veículos, veremos que os Estados Unidos são uma locomotiva elétrica; a Argentina um automóvel; o México uma carroça; e o Brasil um carro de boi”.

b) “A colossal produção agrícola e industrial dos americanos voa para os mercados com a velocidade média de 100 km por hora”.

c) “Os trigos e carnes argentinas afluem para os portos em autos e locomotivas que uns 50 km por hora, na certa, desenvolvem”.

d) “As fibras do México saem por carroças e se um general revolucionário não as pilha em caminho, chegam a salvo com relativa presteza”.

e) “E lá seguem bois, homens, o diabo para desatolar o carro”.

4) A concordância verbal está incorreta em:

a) Havia dias em que, para ele, a face das criaturas e das coisas se apresentava fria.

b) Considerai os lírios do campo. Eles não fiam nem tecem e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se cobriu como um deles.

c) O mundo está cheio de criaturas perversas, audaciosas e egoístas, que não escolhem meios para conseguir a satisfação de seus desejos.

d) “Retruquei-lhe que, falando com sinceridade, eu não acreditava em que conseguisse um mundo perfeito, mas, por outro lado, tinha uma confiança absoluta em que, ao cabo de algumas dezenas de anos de reeducação, uma sensível melhoria de vida se havia de operar”.

e) “Congregar os homens de boa vontade partidários do pacifismo e determinar a cada um a sua tarefa, tendo em vista que todos, desde o artesão mais humilde até o intelectual mais reputado, pode prestar serviços à causa dentro do raio de sua atividade”.

5) (Fatec-SP) Assinale a alternativa incorreta:

a) No período “Outro dia mesmo tinha um homem gordo cantando em alemão”, a forma tinha de largo uso, é considerada coloquial; a Gramática Normativa recomenda substituí-la por havia.

b) A pluralização do termo sintático destacado em “Houve / Teve grande festa para o craque” acarreta a flexão dos verbos para houveram e Tiveram.

c) Ter e haver possuem o mesmo sentido e o mesmo comportamento sintático (são verbos pessoais, ambos) em “tinha de conseguir” e “havia de tentar”; entretanto, possuem sentido e comportamento sintático diferentes em “Caso sério havia entre eles, mas ninguém sabia” e “Caso sério tinha nas mãos o advogado do distinto político.

d) O verbo ter empregado em “e tem uma porção de gente diferente” possui sentido idêntico em “Por isso é que tem tanto fio na rua”, mas diferente em “A gente tem um rádio bacana em casa”.

e) Haver e fazer são equivalentes em “”Há dez anos trabalho aqui” e “Faz dez anos que trabalho aqui”. Nesse sentido, de tempo decorrido, não podem ser usados no plural.

Gabarito

1- A

2- a) O comentário do jornal provocou problema gramatical pois não seguiu a regra de concordância verbal que define que o verbo do predicado concorda com o sujeito da frase. No lugar de “os convênios assinados traduz”, deveria ter sido escrito “os convênios assinados traduzem”.
b) Como afirmado pelo enunciado da questão, o título Sem comentários da nota expressa o ponto de vista do jornal de maneira irônica pois sugere que um delegado regional do Ministério da Educação não pode cometer erros que desobedecem à norma culta de concordância verbal.

3- A

4- E

5- B

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