Sociologia: Origens e Contexto

Caros amigos do Descomplica, tudo bem com vocês?

Em nosso último papo sobre a sociologia, nós procuramos entender o que ela é. Vimos então que a sociologia é a ciência da sociedade, o estudo das relações sociais. Isso não quer dizer, é claro, que antes da ciência sociológica não se falasse sobre a vida social. É óbvio que não. O homem sempre procurou compreender a sua relação com os indivíduos à sua volta. O ponto é que, antes do nascimento dessa ciência, quando se procurava explicar a vida social, fazia-se isso baseado ou na religião ou na filosofia. Não havia um modo científico de se falar sobre a sociedade. Foi justamente isto que a sociologia nos trouxe de novo.

Pois bem, se em nosso último encontro nós conversamos sobre o que é a sociologia, hoje nós falaremos sobre o seu surgimento. A ciência sociológica foi criada pelo pensador francês Augusto Comte. Ela surgiu, assim, na Europa, no século XIX.

Calma! Eu sei que segundo alguns livros e vestibulares a sociologia surgiu no século XVIII. Inclusive a Larissa, nossa professora do Descomplica, nos explica assim. Isso acontece porque Comte foi de fato o primeiro intelectual a ter o projeto claro de construir uma ciência unicamente voltada para a explicação da sociedade, mas sua ideia teve vários precursores importantes desde o século anterior, tais como o iluminista Montesquieu, os pensadores contrarrevolucionários e os primeiros socialistas. É por isso que, levando em conta esses precursores e não o fundador propriamente dito, pode-se dizer que a sociologia surgiu no século XVIII. De qualquer modo, isto é um apenas um detalhe, que jamais vai ser cobrado diretamente no vestibular. O que deve estar claro para nós e que não podemos esquecer sobre o surgimento da sociologia é que foi Augusto Comte o criador dessa ciência.

Ora, e o que se passava na cabeça do pensador francês ao dar origem à ciência da sociedade? Qual era o seu propósito ao fazer isso? Bem, como dissemos acima, o fato da sociologia só ter surgido no século XIX não significa que antes não se procurasse explicar as relações sociais. É claro que não. O ponto, porém, é que Comte não se contentava nem com as compreensões religiosas nem com as compreensões filosóficas da vida social. As explicações da religião não satisfaziam Comte, pois ele desejava adquirir uma visão da sociedade que fosse justificada, demonstrada, argumentada, isto é, que estivesse baseada na racionalidade e não na fé. Por outro lado, as teses filosóficas também não lhe agradavam por completo, pois Comte tinha da filosofia aquela experiência que muitas vezes também é a nossa. É aquela sensação de que os filósofos de fato falam sobre temas muito relevantes, são sujeitos engenhosos, inteligentes e dizem coisas bacanas, mas o problema é que eles nunca entram em acordo. Essa aparente incapacidade da filosofia em chegar a uma verdade absoluta, essa sua suposta dificuldade em alcançar uma certeza plena incomodava o pensador francês. Que fazer então?

Foi aí que Comte teve sua grande ideia. Se as explicações filosóficas não lhe satisfaziam, se ao ler a Bíblia ou Aristóteles, ele jamais se sentia convencido, havia algo de diferente quando ele estudava ciência, em especial a física. Quando lia Newton, por exemplo, quando compreendia a lei da gravidade, Comte não tinha mais aquelas sensações de dúvida ou de irracionalidade. As conclusões da física newtoniana não só lhe pareciam plenamente verdadeiras, como também rigorosas e absolutamente válidas. Essa admiração diante da precisão da física é algo muito comum entre os que a estudam. Não é justamente disto que quem é de exatas gosta de vangloriar? Pois foi daí, eu repito, que Comte teve sua grande ideia: criar a sociologia, a ciência da sociedade. Como ele desejava explicar a vida social e como só o conhecimento científico lhe parecia completamente válido, não restava alternativa. Seu projeto foi criar uma ciência que, ao falar sobre a sociedade, seria tão precisa quanto a física é ao falar da natureza. Não à toa, o primeiro nome que Comte deu à sociologia foi física social.

Até a próxima!

Esse resumo foi produzido pelo monitor Pedro Ribeiro.

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