Segredos de como incluir referências na redação

Aprenda como utilizar referências de maneira eficiente no seu texto a partir de dicas e exemplos.

A leitura é a melhor ferramenta para se obter boas referências.
A leitura é a melhor ferramenta para se obter boas referências.

Para garantir uma boa nota na redação, você precisa arrasar na sua argumentação! Dessa forma, o uso de referências é um dos maiores segredos para alcançar uma argumentação bem consistente.

Você já ouviu falar de citações, dados estatísticos, argumento de autoridade e alusão histórica? Essas são algumas possibilidades de referências que podem – e devem – ser utilizadas no seu texto. Nesse post, veremos qual a melhor forma de incluí-las na sua dissertação.

1. Tipos de referências

Boas referências são o diferencial das redações exemplares, pois a maioria das pessoas domina a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, mas não consegue obter um bom repertório. Por isso, vamos listar, aqui, os tipos de referências que podem ser utilizados para garantir bons argumentos.

a) Citações filosóficas

b) Argumento de autoridade

c) Alusões históricas

d) Alusões culturais - filmes, séries, personagens, música, manifestações artísticas, entre outros.

e) Alusões literárias – autores, livros, movimentos literários, mitologia, etc.

f) Interdisciplinaridade – referências a outras áreas do conhecimento como Sociologia, Filosofia, Geografia, Biologia, etc.

g) Dados estatísticos (Se utilizar, é necessário apresentar a fonte).

h) Fatos da atualidade

2. ONDE e COMO colocar as referências no texto?

As referências são bem vistas em todas as partes do texto. Entretanto, é no desenvolvimento que elas fazem a maior diferença. Vamos analisar como utilizá-las em cada parágrafo:

a) Introdução: No parágrafo introdutório, antes de apresentarmos a tese, precisamos contextualizar o leitor sobre o que vamos escrever. É nesse momento que as referências e alusões são bem-vindas. (Veremos exemplo no item 4)

b) Desenvolvimento: No parágrafo de desenvolvimento, as referências devem vir como forma de ampliação do argumento que você está defendendo. Para isso, você pode, por exemplo, utilizar um dado estatístico que comprove a sua ideia; utilizar um fato histórico como base de comparação; confrontar uma citação; ilustrar uma ideia com uma alusão cultural. Veremos no item 5 alguns exemplos.

c) Conclusão: Atenção! O parágrafo conclusivo não deve apresentar ideias novas, mas sim concluir o que foi dito. Dessa forma, só devemos utilizar referências que retomem o que já foi discutido ao longo do texto (texto-circular).

3. Citações: como fazer?

A citação é uma das estratégias preferidas do candidato. Inclusive, muitos perguntam se é obrigatório ter pelo menos uma citação no texto. Resposta: não é necessário. Como vimos, existem, também, outras estratégias tão eficientes quanto elas. No entanto, veremos, a seguir, como incluir citações no nosso texto.

a) Citação direta: Neste caso, reproduz-se exatamente o que o autor falou. Para fazer uma citação direta, é necessário o uso de aspas e o nome da pessoa a quem se atribui a citação.

Ex.: Como disse o filósofo francês Rousseau, “o Homem nasce bom e a sociedade o corrompe”.

b) Citação indireta: Neste caso, as aspas não são necessárias, mas devemos dar o crédito ao autor da citação.

Ex.: De acordo com o filósofo francês, Jean-Jacques Rousseau, o homem nasce bom e é corrompido pela sociedade.

c) Paráfrase: Esse é um tipo de citação indireta, em que reescrevemos com as nossas palavras a ideia defendida pelo autor. Nesse caso, as aspas não são necessárias, mas devemos, também, deixar claro de quem é a autoria.

Ex.: Para o filósofo francês, a sociedade tem o poder de corromper o homem que, por natureza, nasce bom.

Obs.: Caso você não lembre exatamente a citação, mas tem certeza sobre o autor e compreende a ideia que ela transmite, a melhor opção é parafrasear o conteúdo.

4. Exemplos

I. Tema: Os efeitos da má alimentação na sociedade brasileira

Argumento de autoridade (introdução)

“Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação”. A frase é de Bela Gil, chef e nutricionista, fundamentando a escolha de sua dieta em meio a tanto desequilíbrio nutricional. De fato, a sociedade atual, acelerada e sintética, está recheada de problemas relacionados à má alimentação e, principalmente, ao peso excessivo. Nesse sentido, em um contexto em que o tempo engole o homem, a preferência por uma alimentação irregular parece até aceitável, mas não inteligente, uma vez que a obesidade, neste cenário, surge como um dos menores efeitos.

II. Tema: A prática de bullying nas escolas do Brasil

Alusão cultural (introdução)

No drama “Preciosa”, de 2009, a personagem Claireece comprova que há 29 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso bullying. Violentada pelo pai e negligenciada pela mãe, a menina de 16 anos, já com um filho, ainda precisava lidar com os duros deboches em sala de aula, alimentando o seu isolamento e, consequentemente, o distanciamento do aprendizado escolar. No Brasil, a realidade não é diferente; porém, a verdadeira preocupação só chegou às instituições de ensino em 2016, ano em que a prevenção e o combate à prática tornou-se lei no país. Isso confirma que, diferentemente da situação norte-americana, a luta aqui é recente e precisa ser valorizada, tanto no ambiente escolar quanto no familiar.

III. Tema: (ENEM 2019) “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”

Alusão à Filosofia (desenvolvimento)

A princípio, é necessário avaliar como o uso de dados pessoais por servidores de tecnologia contribui para fomentar condutas intolerantes nas redes sociais. Em consonância com a filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados à convivência com o diferente. Todavia, a filtragem de informações efetivada pelas redes digitais inibe o contato do usuário com conteúdos que divergem dos seus pontos de vista, uma vez que os algoritmos utilizados favorecem publicações compatíveis com o perfil do internauta. Observam-se, por consequência, restrições ao debate e à confrontação de opiniões, que, por sua vez, favorecem a segmentação da comunidade virtual. Esse cenário dificulta o exercício da convivência com a diferença, conforme defendido por Arendt, o que reforça condutas intransigentes como a discriminação.

(LUISA SOUSA LIMA LEITE)

A redação do Enem 2019

IV. Tema: (ENEM 2019) “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”

Alusão literária (desenvolvimento)

Em primeira análise, é lícito postular que a informação é um bem de valor social, o qual é responsável por modular a cosmovisão antropológica pessoal e influenciar os processos de decisão humana. Nesse raciocínio, as notícias e acontecimentos que chegam a um indivíduo exercem forte poder sobre tal, estimulando ou suprimindo sentimentos como empatia, medo e insegurança. É factual, portanto, que a capacidade de selecionar – via algoritmos – as reportagens e artigos que serão vistos por determinado público constitui uma ameaça à liberdade de pensamento crítico. Evidenciando o supracitado, há o livro “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, do especialista comportamental Daniel Khaneman, no qual esse expõe e comprova – por meio de décadas de experimentos socioculturais – a incisiva influência dos meios de comunicação no julgamento humano. Torna-se clara, por dedução analítica, a potencial relação negativa entre a manipulação digital por dados e a autonomia psicológica e racional da população.

(PEDRO ASSAAD SALLOUM MOREIRA DA ROCHA)

A redação do Enem 2019

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V. Tema: Redução da maioridade penal no Brasil

Citação filosófica (conclusão)

Torna-se claro, portanto, que a redução não é a solução mais adequada e que, a fim de resolver os problemas e extinguir de vez essa possibilidade, algo precisa ser feito a curto prazo. Quanto à questão emergencial, é importante que as autoridades responsáveis façam valer as medidas presentes no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que preveem, inclusive, a privação de liberdade, mas visam à reeducação social desses infratores. A escola também tem papel fundamental na formação de cidadãos que respeitem os valores de sua sociedade. Por isso, o governo deve observar os ensinamentos de Pitágoras e “educar as crianças para que não precisemos punir os adultos”. Assim, poderemos vislumbrar um futuro mais esperançoso e seguro para todos.

5. O que não fazer

I. Não invente referências.

Essa prática é bastante arriscada, pois o corretor pode perceber que não se trata de uma informação verdadeira.

II. Não utilize uma referência sem ter certeza sobre ela

Se você está na dúvida sobre o autor de uma citação, por exemplo, melhor trocar a estratégia.

III. Não encha seu texto de referências de forma que ele fique expositivo.

O equilíbrio é tudo na vida! Por isso, não exagere no uso de referências. Lembre-se de que é um texto ARGUMENTATIVO; portanto, você precisa argumentar sobre o tema e não só expor dados sobre ele.

IV. Não utilize referências que não agreguem valor à argumentação.

Muitos alunos desenvolvem o hábito de “decorar” algumas referências e colocá-las em todos os textos. No entanto, muitas vezes essas referências não se encaixam bem na argumentação e ficam “jogadas”. Por isso, varie seu repertório e utilize dados, de fato, relevantes 😉.

V. Não deixe de explicar por que a referência tem a ver com o texto

A relação entre a referência e o texto não pode ficar subentendida. Além disso, o corretor não tem obrigação de conhecer todas as referências (filmes, músicas, filósofos, etc.); por isso, é necessária, também, uma breve explicação sobre o que você está introduzindo. Ex.: Ao escrever um texto sobre “bullying”, você pode querer utilizar como referência a série “Os 13 porquês”. No entanto, é necessário explicar, brevemente, sobre o que a série tratar para que o corretor entenda a relação.

6. Dicas

  • Tenha um caderninho (ou bloco de notas virtual) para anotar possíveis referências. É muito comum nos depararmos com conteúdos, ao longo do nosso dia a dia, que possam ser utilizados na dissertação. Esses “insights” podem acontecer durante uma aula, durante a leitura de um livro, ou, até mesmo, no seu momento de lazer assistindo a um filme ou uma série. Para não esquecer, tenha um espaço reservado para essas anotações.

  • Separe um tempo de pesquisa. Mesmo que você já esteja na fase de escrever sobre um tema sem pesquisá-lo previamente (o que é muito importante), separe um tempo depois para anotar possíveis referências sobre ele. Perto da prova, você terá um caderno com várias ideias para vários temas.

  • Tenha a sagacidade de perceber que diversas referências podem ser encaixadas em vários temas. A prática constante da escrita vai te mostrar isso. Só cuidado para não encaixar referências de maneira superficial.

  • Todos os títulos de obras (livros, filmes, músicas, etc.) devem vir entre aspas.

  • Por fim, tenha o hábito de ler redações exemplares, pois elas te mostrarão diversas formas de encaixar boas referências no texto, além de servir como inspiração.

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