Saiba tudo sobre Relações Ecológicas para não ser predado no vestibular!

Quer saber mais sobre Relações Ecológicas? Saca só esse resumo que vai salvar sua prova de biologia!

A predação é um dos exemplos mais visíveis de alelobiose entre os animais.
A predação é um dos exemplos mais visíveis de alelobiose entre os animais.

A Ecologia pode ser dividida em duas categorias: a alelobiose e a ecobiose. A ecobiose trata da relação entre os seres vivos e o meio, enquanto a alelobiose, que são as relações ecológicas, trata da relação entre seres vivos.

Essas relações podem ser harmônicas (ou seja, nenhum dos indivíduos envolvidos são prejudicados) ou desarmônicas (ou seja, um dos indivíduos é prejudicado por essa relação). Ainda, podem ser intraespecíficas (em que os indivíduos pertencem à mesma espécie) ou interespecíficas (em que os indivíduos pertencem a espécies diferentes).

Ao representar as relações ecológicas, são utilizados os símbolos de +, – e 0. O símbolo de + indica que um indivíduo recebe vantagens da relação, enquanto o símbolo de – indica que o indivíduo é prejudicado nessa relação, enquanto 0 representa indiferença. Relações harmônicas são marcadas por +, enquanto relações desarmônicas são marcadas por -.

Relações Harmônicas Intraespecíficas

Colônia (+/+)

Trata-se de indivíduos de uma mesma espécie anatomicamente associados, formando uma nova entidade, na qual indivíduos específicos podem desempenhar funções diferenciadas, necessárias para a manutenção da colônia. No caso da caravela-portuguesa, ela é formada por inúmeros indivíduos chamados zooides, que são incapazes de viver individualmente, necessitando dos demais membros da colônia. O motivo dessa associação ser +/+ fica evidente, já que ela garante a sobrevivência dos indivíduos. Outros exemplos de colônia são os recifes de corais e colônias de bactérias.

Sociedade (+/+)

Um clássico exemplo de sociedade é a relação das abelhas.
Um clássico exemplo de sociedade é a relação das abelhas.

A sociedade e a colônia se assemelham no que diz respeito a serem relações permanentes +/+ de indivíduos de mesma espécie, mas na sociedade não há agregação anatômica entre os indivíduos, e pode-se observar uma divisão de trabalho. Seguindo o exemplo das colmeias de abelhas, é notável a organização da colmeia, na qual operárias inférteis realizam funções como a busca de alimento para os integrantes da colmeia (como Rainha e larvas), a defesa da colmeia contra possíveis invasores, etc; a Rainha, única fêmea fértil da colmeia, tem como função originar novas abelhas (tanto operárias quanto zangões e uma futura Rainha), e o zangão, com função única de copular com uma Rainha, proveniente de um óvulo não-fecundado.

Na própria espécie humana é possível observar o padrão de sociedade, no qual indivíduos de mesma espécie se associam de forma organizada e demonstram uma divisão de trabalho para a manutenção desta sociedade.

Relações Harmônicas Interespecíficas

Mutualismo (+/+)

O mutualismo trata-se de uma associação obrigatória entre dois organismos de espécies diferentes, na qual ambos se beneficiam. Por exemplo, no líquen, que é uma associação entre um fungo e uma alga, o fungo tem papel de proteger a alga, bem como fornecer água, sais minerais e CO2, através de seus processos metabólicos. A alga, por outro lado, é fotossintetizante, e fornece parte do alimento do fungo através da fixação da matéria orgânica. A retirada de um destes dois causa a morte do outro. Outro exemplo de mutualismo são ruminantes, como o boi, e as bactérias digestoras de celulose em seu sistema digestivo. As bactérias são fundamentais na digestão dos vegetais que o boi come, e o boi fornece abrigo e suprimentos para as bactérias em seu corpo.

Protocooperação (+/+)

O paguro e as anêmonas realizam uma relação de protocooperação.
O paguro e as anêmonas realizam uma relação de protocooperação.

A protocooperação se assemelha ao mutualismo, sendo uma relação +/+ entre dois organismos de espécies diferentes, mas, ao contrário do mutualismo, não é obrigatória. Por exemplo, o paguro habita conchas vazias de gastrópodes, nas quais anêmonas podem se instalar. O paguro, arrastando a concha, serve de transporte para a anêmona, aumentando sua possibilidade de dispersão, enquanto os tentáculos urticantes das anêmonas servem de defesa aos paguros contra predadores. O paguro não é fundamental à sobrevivência da anêmona e nem a anêmona ao paguro, mas a relação beneficia ambos. Outro possível exemplo é o crocodilo e o pássaro-palito, no qual o pássaro realiza a higiene bucal do crocodilo, se alimentando de restos de comida presos nos dentes do réptil.

Comensalismo (+/0)

O tubarão e a rêmora são um exemplo de relação comensal.
O tubarão e a rêmora são um exemplo de relação comensal.

O comensalismo é uma relação interespecífica harmônica em que apenas um indivíduo leva vantagem, enquanto o outro é indiferente à atuação deste primeiro. No exemplo do tubarão e da rêmora, a rêmora é acoplada ao tubarão por uma ventosa, que não atrapalha o tubarão em sua natação, esperando que ele se alimente. Quando o tubarão ataca outro animal e se alimenta, a rêmora se alimenta dos restos. Ela leva vantagem, já que não gasta energia abatendo sua presa, recebendo comida fácil, e o tubarão é indiferente a rêmora, já que a rêmora se alimenta apenas daquilo que ele não quis. A rêmora então procura outro tubarão faminto ao qual se acoplar. Outro exemplo são as hienas, que aguardam a caça de clãs de leões e, quando os felinos se alimentam, elas consomem o que sobra da carcaça.

Pode-se citar também o inquilinismo, uma relação +/0 na qual um ser vivo obtém abrigo no corpo de outro sem causar prejuízo (o que configuraria um caso de parasitismo). Nas plantas, o nome dado a isso é epifitismo, quando uma planta usa outra como suporte, como fazem muitas orquídeas e bromélias.

Exemplo de epifitismo.
Exemplo de epifitismo.

Relações Desarmônicas Intraespecíficas

Canibalismo (+/-)

Algumas espécies de louva-deus praticam o canibalismo sexual.
Algumas espécies de louva-deus praticam o canibalismo sexual.

O canibalismo é uma relação desarmônica na qual um indivíduo se alimenta de outro de sua própria espécie. Pode ser observado como comportamento sexual em alguns artrópodes, bem como em alguns aspectos da cultura humana.

Competição (-/-)

É comum o combate entre indivíduos de mesma espécie pelos mais diversos recursos, como território, alimento ou fêmeas.
É comum o combate entre indivíduos de mesma espécie pelos mais diversos recursos, como território, alimento ou fêmeas.

A competição intraespecífica ocorre quando dois membros da mesma espécie disputam por um recurso do meio. É um exemplo extremamente comum que, durante a época de acasalamento, machos disputem pela fêmea das mais diversas formas, bem como disputas por território. Na competição, ambos os indivíduos são prejudicados, tendo em vista que mesmo o vencedor da disputa gastou energia e tempo para vencer o seu concorrente.

Relações Desarmônicas Interespecíficas

Predação (+/-)

A predação é uma relação +/- na qual um ser vivo se alimenta de outro. O termo é mais utilizado para designar animais que se alimentam de outros, ou seja, consumidores secundários, em especial carnívoros, predadores por excelência. Quando um animal se alimenta de um vegetal, pode-se utilizar o termo herbivoria. De forma geral, a predação tem efeito letal sobre a presa, ainda que o objetivo primário do predador seja a alimentação, e não o abate.

Parasitismo (+/-)

Larva de besouro infestada por larvas parasitas de vespa.
Larva de besouro infestada por larvas parasitas de vespa.

O parasitismo é uma relação +/- na qual um ser vivo vive no corpo de outro, causando-o prejuízos, retirando alimento deste hospedeiro. No exemplo mostrado, uma vespa depositou seus ovos em uma larva de besouro, e essas larvas se alimentaram do hospedeiro evitando seus órgãos vitais, mantendo a fonte de abrigo e alimento viva pelo máximo de tempo possível, de forma que aquele recurso não seja esgotado precocemente. Para o parasita, não é interessante a morte do hospedeiro, tendo em vista que isso significaria que o parasita necessitaria encontrar outro hospedeiro. Sendo assim, a tendência é que os bons parasitas não causem a morte do hospedeiro, estendendo assim a utilidade deste.

Amensalismo (-/0)

Fungo responsável pela produção da penicilina.
Fungo responsável pela produção da penicilina.

No amensalismo, ou antibiose, um organismo produz substâncias que inibem ou impedem o crescimento de outro. O exemplo clássico é o fungo responsável pela produção da penicilina, substância com efeito bactericida, ou seja, que impede o crescimento das bactérias em sua proximidade imediata. O fungo não apresenta nenhuma vantagem direta com o fim das bactérias, enquanto as bactérias saem prejudicadas pela produção de penicilina, natural deste fungo. Outro exemplo é a maré vermelha, a superproliferação de dinoflagelados, algas microscópicas, que liberam toxinas na água, eliminando assim uma grande parcela da fauna marinha da área afetada pela maré vermelha.

Competição Interespecífica (-/-)

Carniceiros disputando por alimento.
Carniceiros disputando por alimento.

Da mesma forma que pode haver competição intraespecífica por recursos, pode haver também interespecífica. Quando dois animais de espécies diferentes possuem nichos ecológicos semelhantes, ou seja, suas necessidades e papeis são semelhantes, pode ocorrer competição. No caso do exemplo, dois animais com hábitos necrófagos disputam por uma carcaça, possível fonte de alimento para ambos. Como na competição intraespecífica, ambos saem prejudicados, pois gastaram energia e tempo para vencer o concorrente e conquistar o recurso disputado.

Para fixar tudo o que você acabou de aprender sobre relações ecológicas e fazer os exercícios abaixo, assista ao nosso mapa mental em vídeo sobre o assunto:

Baixe aqui o mapa mental e revise sempre que precisar!

Exercícios sobre Relações Ecológicas

1) (ENEM) Existem bactérias que inibem o crescimento de um fungo causador de doenças no tomateiro, por consumirem o ferro disponível no meio. As bactérias também fazem fixação de nitrogênio, disponibilizam cálcio e produzem auxinas, substâncias que estimulam diretamente o crescimento do tomateiro.

PELZER, G. Q. et al. Mecanismos de controle da murcha-de-esclerócio e promoção de crescimento em tomateiro mediados por rizobactérias. Tropical Plant Pathology. v. 36, n. 2, mar-abr. 2011 (adaptado).

Qual dos processos biológicos mencionados indica uma relação ecológica de competição?

a) Fixação de nitrogênio para o tomateiro.

b) Disponibilização de cálcio para o tomateiro.

c) Diminuição da quantidade de ferro disponível para o fungo.

d) Liberação de substâncias que inibem o crescimento do fungo.

e) Liberação de auxinas que estimulam o crescimento do tomateiro.

2) (ENEM)  Os vaga-lumes machos e fêmeas emitem sinais luminosos para se atraírem para o acasalamento. O macho reconhece a fêmea de sua espécie e, atraído por ela, vai ao seu encontro. Porém, existe um tipo de vaga-lume, o ‘Photuris’, cuja fêmea engana e atrai os machos de outro tipo, o ‘Photinus’, fingindo ser desse gênero. Quando o macho ‘Photinus’ se aproxima da fêmea ‘Photuris’, muito maior que ele, é atacado e devorado por ela.

A relação descrita no texto, entre a fêmea do gênero ‘Photuris’ e o macho do gênero ‘Photinus’, é um exemplo de:

a) comensalismo.

b) inquilinismo.

c) cooperação.

d) predatismo.

e) mutualismo.

3) (UFF) Populações de Aedes aegypti têm desenvolvido resistência aos inseticidas organofosforados. Desta forma, uma alternativa para o controle destes insetos vem sendo a utilização de inseticida microbiológico.

Nova arma contra a dengue
Bactéria é a matéria-prima de bioinseticidas que matam larvas do mosquito Aedes.

O inseticida aplicado em regiões epidêmicas por meio de vaporizadores, conhecido como fumacê, elimina apenas a forma adulta, mas não tem nenhuma eficácia para acabar com as larvas. Para controlar esses criadouros do mosquito pode-se utilizar um bioinseticida líquido que tem como principal componente o Bacillus thuringiensis israelensis . Essa bactéria, inimiga natural do Aedes, produz uma toxina que, ao ser ingerida pela larva, causa danos ao intestino do inseto, provocando sua morte. (Revista Pesquisa Fapesp, Edição 85, 03/03).

Assinale a alternativa que classifica corretamente a relação ecológica entre a larva do mosquito e a bactéria Bacillus thuringiensis israelensis.

a) Parasitismo

b) Predatismo

c) Inquilinismo

d) Amensalismo

e) Mutualismo

Gabarito

1) C

2) D

3) D

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