#Resumão: Mayombe, de Pepetela

Entre 1961 e 1975, guerrilheiros angolanos se jogam na mata para lutar pela independência de seu país contra a colonização portuguesa. Esse é o contexto do livro “Mayombe”, de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, mais conhecido pelo seu pseudônimo de combate: Pepetela. O escritor participou do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA) e seu livro é super engajado politicamente. Isso nos ajuda a entender sobre o sentimento nacionalista que surgiu nas colônias africanas, asiáticas e latino americanas entre os anos 50 a 70.

No calor do momento

Pepetela escreveu Mayombe enquanto viveu a Guerra de Independência de Angola. Então, uma das críticas feitas ao livro é que não existe um distanciamento necessário para que o trabalho seja tendencioso em relação aos fatos que aconteceram. O próprio autor confirma isso, mas, por outro lado, essa característica é crucial para usarmos um discurso mais próximo do verossímil. Os guerrilheiros deixam suas vidas para trás para lutar pelo ideal do povo, deixando claro o maniqueísmo da obra que é atemporal: nós contra eles. Em diversos cenários políticos, inclusive o brasileiro, podemos fazer essa interlocução.

Narrativa polifônica

Uma característica muito interessante da história é que existe um narrador onisciente e onipresente que intercala a prosa com outros personagens. Essa é uma forma que Pepetela encontra para dar autonomia aos guerrilheiros e explorar as suas personalidades. Cada um deles dá a sua interpretação dos fatos e acaba por exporem algumas fraquezas. O recurso também é uma analogia a união que estava surgindo naquele período: a cada guerrilheiro que assume a narrativa, o povo angolano se auto afirma enquanto grupo que se identificada como nação.

Discussões políticas

Muito por causa da imparcialidade dos fatos, Pepetela foi acusado de usar “Moyambe” como uma propaganda política do MPLA. Mas a própria narrativa polifônica é uma forma de contestar essas críticas. Como os personagens falam sobre as suas frustrações, o autor mostra as fraquezas do movimento. O grupo militante tem um dificuldade enorme de colocar os ideais nacionalistas acima de tudo. Inclusive, dos valores da tribo de cada um. Os guerrilheiros vêm de contextos muito distintos: alguns são proletários, enquanto outros são intelectuais. Logo, essas diferenças dificultam a coesão do movimento.

Ondina

Em meio a tantos personagens masculinos, Ondina se destaca na história. A professora encoberta as ações do MPLA e atrai a atenção do Comissário Político, um dos guerrilheiros. Mesmo assim, sempre põe a sua autonomia em primeiro lugar. A personagem luta contra os machismos da região e demarca seu espaço no ambiente conflituoso da guerra. Sua postura, em um contexto da década de 70 no século XX, dialoga com alguns movimentos sociais que são debatidos hoje, como o feminismo. Seu posicionamento só confirma que suas atitudes estão muito à frente daquele tempo. 

Sem Medo

Um dos personagens mais emblemáticos de “Mayombe” é o comandante Sem Medo. O líder é um dos líderes do movimento guerrilheiro narrado no livro que personifica algumas das críticas que Pepetela passa na obra. Sem Medo, como dirigente das ações políticas do grupo, põe em xeque em passagens do livro o papel de um intelectual em uma revolução proletária. Mesmo se identificando pela causa do povo, Sem Medo e seus companheiros jamais serão, de fato, do povo por conta do seu nível de instrução.

O texto faz uma crítica política por meio do personagem de Sem Medo denunciando a demagogia e a hipocrisia de líderes daquela época. Comportamento que ainda é latente em vários contextos políticos do cenário internacional hoje. Enquanto você estiver lendo a obra, fica ligado nas passagens em que Sem Medo aparece. Ele está presente nos diálogos chave de “Mayombe”! Muito provavelmente, será cobrado nas futuras provas da Fuvest 😉

“Desglamourização” do herói

Ao mesmo tempo que os guerrilheiros são colocados em uma posição de herói por lutarem pela libertação de Angola do domínio dos “tugas”, como os portugueses são chamados na história, eles não são perfeitos. Os personagens se perguntam se estão seguindo o caminho certo. Também duvidam uns dos outros e discordam quanto aos meios de conscientizar o povo sobre o movimento. Cada um deles é gente como a gente, imperfeitos, que só conseguem trabalhar em grupo quando pensam em prol de um ideal coletivo.

Multiculturalismo

O livro é marcado por muitas referências mitológicas de várias vertentes. Pepetela compara elementos da história à Zeus, deus supremo na cultura grega. O autor também faz referência à Ogum, divindade da crença africana candomblé. Isso representa o sincretismo do povo angolano, a diversidade de referências cria uma cultura completamente nova e faz com que os guerrilheiros se agarrem a essa realidade que é apenas deles.

Certeza que as provas da Fuvest vão ter várias questões sobre “Mayombe”. Principalmente por causa das semelhanças com os contextos políticos de vários países. Fala pra gente aqui nos comentários se você já leu o livro e qual a parte que você mais curtiu. A gente aqui do Descomplica ama saber como os nossos alunos estão se preparando para o vestibular! 😉

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