Questões Comentadas: Coesão Textual

Leia o resumo “O que é Coesão Textual e Coerência Textual?” e resolva o exercício abaixo.

1. (Simulado INEP)

Aumento do efeito estufa ameaça plantas, diz estudo.

O aumento de dióxido de carbono na atmosfera, resultante do uso de combustíveis fósseis e das queimadas, pode ter consequências calamitosas para o clima mundial, mas também pode afetar diretamente o crescimento das plantas. Cientistas da Universidade de Basel, na Suíça, mostraram que, embora o dióxido de carbono seja essencial para o crescimento dos vegetais, quantidades excessivas desse gás prejudicam a saúde das plantas e têm efeitos incalculáveis na agricultura de vários países.

O Estado de São Paulo, 20 set. 1992, p.32.

O texto acima possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva, conclui-se que

a) a palavra “mas”, na linha 2, contradiz a afirmação inicial do texto: linhas 1 e 2.
b) a palavra “embora”, na linha 4, introduz uma explicação que não encontra complemento no restante do texto.
c) as expressões: “consequências calamitosas”, na linha 2, e “efeitos incalculáveis”, na linha 6, reforçam a ideia que perpassa o texto sobre o perigo do efeito estufa.
d) o uso da palavra “cientistas”, na linha 3, é desnecessário para dar credibilidade ao texto, uma vez que se fala em “estudo” no título do texto.
e) a palavra “gás”, na linha 5, refere-se a “combustíveis fósseis” e “queimadas”, nas linhas 1 e 2, reforçando a ideia de catástrofe.

2. (ENEM – 2014)

Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal ‒ eu não fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes também é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar: moderna demais, antiquada demais.
Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem passar despercebidos, outros rendem um montão de recados: “Você escreveu exatamente o que eu sinto”, “Isso é exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo para meus pais”, “Comentei com minha namorada”. Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo ‒ também eu preciso. Na verdade, nunca fui tão posta no colo por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com alguns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério… mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar.

LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de janeiro: Record, 2004.

Os textos fazem uso constante de recurso que permitem a articulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento, o elemento

a) “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.
b) “assim” é uma paráfrase de “é como me botarem no colo”.
c) “isso” remete a “escondia em poesia e ficção”.
d) “alguns” antecipa a informação “É isso que digo para meus pais”.
e) “essa” recupera a informação anterior “janela do jornal”.

3. (ENEM – 2012)

Labaredas nas trevas Fragmentos do diário secreto de Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski

20 DE JULHO [1912]

Peter Sumerville pede-me que escreva um artigo sobre Crane. Envio-lhe uma carta: “Acredite-me, prezado senhor, nenhum jornal ou revista se interessaria por qualquer coisa que eu, ou outra pessoa, escrevesse sobre Stephen Crane. Ririam da sugestão. […] Dificilmente encontro alguém, agora, que saiba quem é Stephen Crane ou lembre-se de algo dele. Para os jovens escritores que estão surgindo ele simplesmente não existe.”

20 DE DEZEMBRO [1919]

Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal. Sou reconhecido como o maior escritor vivo da língua inglesa. Já se passaram dezenove anos desde que Crane morreu, mas eu não o esqueço. E parece que outros também não. The London Mercury resolveu celebrar os vinte e cinco anos de publicação de um livro que, segundo eles, foi “um fenômeno hoje esquecido” e me pediram um artigo.

FONSECA, R. Romance negro e outras histórias. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 (fragmento).

Na construção de textos literários, os autores recorrem com frequência a expressões metafóricas. Ao empregar o enunciado metafórico “Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal”, pretendeu-se estabelecer, entre os dois fragmentos do texto em questão, uma relação semântica de

a) causalidade, segundo a qual se relacionam as partes de um texto, em que uma contém a causa e a outra, a consequência.
b) temporalidade, segundo a qual se articulam as partes de um texto, situando no tempo o que é relatado nas partes em questão.
c) condicionalidade, segundo a qual se combinam duas partes de um texto, em que uma resulta ou depende de circunstâncias apresentadas na outra.
d) adversidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta uma orientação argumentativa distinta e oposta à outra.
e)finalidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta o meio, por exemplo, para uma ação e a outra, o desfecho da mesma.

4. (ENEM – 2011)

Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de infarto, mas também de problemas como morte súbita e derrame. Significa que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos, com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável.

ATALIA, M. Nossa vida. Época . 23 mar. 2009.

As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que

a) a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias.
b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste.
c) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma generalização.
d) o termo “Também” exprime uma justificativa.
e) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol e de glicose no sangue”.

5. (ENEM – 2010)

O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma forte marcação no meio campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros rubro-negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade de chegar à área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área.

No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabeceou por cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para o fundo da rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0.

Disponível em: http://momentodofutebol.blogspot.com (adaptado).

O texto, que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009, contém vários conectivos, sendo que

a) após é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de cabeça.
b) enquanto tem um significado alternativo, porque conecta duas opções possíveis para serem aplicadas no jogo.
c) no entanto tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem cronológica de ocorrência.
d) mesmo traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado.
e) por causa de indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o Botafogo a fazer um bloqueio.

6. (ENEM – 2010)

Os filhos de Anna eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas.

LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

A autora emprega por duas vezes o conectivo mas no fragmento apresentado. Observando aspectos da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas

a) expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em que aparece no texto.
b) quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, se usado no início da frase.
c) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase.
d) contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor.
e) assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso.

7. (Enem – 2013)

Gripado, penso entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.

RODRIGUES. S. Sobre palavras. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011.

Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:

a) “[…] a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas.”
b) “Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe […]”.
c) “O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava ‘influência dos astros sobre os homens’.”
d) “O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper […]”.
e) “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.”

8. (2º EQ UERJ – 2012)

Na coesão textual, os pronomes podem ser empregados para fazer a ligação entre o que está sendo dito e o que foi enunciado anteriormente. O pronome sublinhado que estabelece ligação com uma parte anterior do texto está na seguinte passagem:

a) “A configuração do mundo do trabalho é cada vez mais volátil” (l. 8)
b) Outra grande consequência, de acordo com o professor, diz respeito à saúde dos trabalhadores, (l. 16)
c) “Trata-se de um cenário em que todos perdem,” (l. 17-18)
d) qual o tipo de desenvolvimento que nós, como cidadãos, queremos ter? (l. 22)

9. (1º EQ UERJ – 2009)

Nos processos de coesão textual, há vocábulos que substituem palavras, expressões ou idéias anteriormente expostas. Um exemplo em que o vocábulo grifado retoma algo enunciado em parágrafo anterior é:

a) “a proporção entre essas duas categorias” (l. 29-30)
b) “é porque esse mesmo fenômeno” (l. 35-36)
c) “ou para manifestar suapostura política” (l. 40-41)
d) “e tenho plena consciência de que ela é.” (l. 48-49)

10. (2º EQ UERJ – 2012)

Na coesão textual, ocorre o que se chama catáfora quando um termo se refere a algo que ainda vai ser enunciado na frase. Um exemplo em que o termo destacado constrói uma catáfora é:

a) Como seelarestituísse, (l. 7)
b) Pode ser queessassuposições tenham algo de utópico, (l. 17)
c) não numa partícula verbal externa aelas, (l. 22-23)
d) Noseuestado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam (l. 30)

Gabarito

1. C

Comentário: As demais alternativas apresentam afirmações incorretas acerca da manutenção temática do texto. O conectivo mas não exprime uma oposição de idéias, o que é afirmado na opção A, mas uma adição à sequenciação anteriormente feita, assim como o conectivo embora introduz uma concessão, ao contrário da explicação que a opção B sugere. Na opção C, no entanto, encontramos uma informação correta, já que as expressões relacionadas retomam o tema central do texto, as conseqüências do efeito estufa. No entanto, nas opções D e E, novamente encontramos falsas assertivas, já que a expressão cientistas é necessária para efeito de credibilidade da informação, e gás faz referencia não a combustíveis fosseis e queimadas, como sugere a opção E, mas a dióxido de carbono.

2. A

Comentário: Comecemos, então, de trás para frente. A opção E está incorreta, já que, embora apresente uma anáfora, como é sugerido, o trecho a que se faz referência não é “janela do jornal”, mas “levo a sério ser sério… mesmo quando parece que estou brincando”. Na opção D também encontramos uma assertiva incorreta, já que, na verdade, “nisso” não antecipa uma informação, mas retoma o elemento “escritor”. Na opção C, o elemento o qual se refere os pronomes “isso” é “botar a cara na janela em crônica de jornal”, o que torna a opção incorreta. Isso, por sua vez, é o que torna a opção A correta, já que o elemento a que o pronome “nisso” faz referência é o mesmo, sendo a referencia uma catáfora, isto é, uma introdução do elemento a ser enunciado posteriormente. A opção B, portanto, também é incorreta, já que o termo “assim” não faz referência a um elemento presente no texto, mas cumpre a função de um adjetivo.

3. B

A única alternativa que exprime a noção pretendida pela expressão “Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal” é a alternativa B, a qual trata de temporalidade. Em nenhuma outra alternativa encontramos o sentido expresso por esse termo, que revela o que muito tempo se passou desde que o último registro em diário foi feito, algo que se assemelha à expressão “muitas águas rolaram”, que é bastante usada. Uma pista que nos leva a essa consideração é a própria data dos registros, um em 1912, outro em 1919: 7 anos se passaram desde então.

4. A

Por eliminação, chegamos à alternativa correta. Basta localizarmos o trecho em que os termos em destaque em cada opção se encontram, e a que eles fazem referência. Na opção E, por exemplo, afirma-se que o termo “fatores” retoma “níveis de colesterol e de glicose no sangue”. Ao analisar o termo “fatores”, chegamos a conclusão de que, na verdade, há uma referência a diminuição do estresse e aumento da capacidade física. Na opção D, o termo “Também” não exprime uma justificativa, mas uma adição. O termo “como”, apresentado pela opção C, introduz uma exemplificação, não uma generalização, assim como, na opção B, o conectivo “mas também” exprime não um contraste, mas uma adição. No entanto, a opção A faz uma afirmação correta, já que uma sequenciação e idéias é introduzida pela natureza adicional da expressão “além disso”.

5. D

A alternativa D é a única que apresenta um conectivo seguido de sua semântica corretamente analisada. “após”, na opção A, exprime não uma causa, mas uma noção de tempo, assim como “embora”, na opção B, que não indica alternância, como se afirma. Na opção C, o termo “no entanto” indica adversidade, como “por causa de” indica uma causa e não uma conseqüência. A alternativa correta, portanto, é a D, em que é apresentada a ideia concessiva do termo “mesmo”.

6. E

Os dois “mas” contidos no texto possuem significações opostas, já que o primeiro apresenta uma noção de contraste e, o segundo, de adição. Isso nos faz chegar a conclusão de que a resposta correta é a opção A. A opção D, porém, parte do pressuposto de que o conectivo “mas” contém uma noção de temporalidade, o que a torna incorreta, como também são incorretas as opções B e C, por apresentarem uma característica que não é própria desse conectivo, uma vez que ele possui uma posição flexível, podendo, inclusive, estar em início de frase.

7. E

Em todos os trechos, exceto em “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.”, os sujeitos estão explícitos. N opção A, por exemplo, o sujeito é “a palavra gripe”, assim como em B o sujeito é “a epidemia de gripe”, e em C e D, respectivamente, os sujeitos são “O primeiro” e “O segundo”.

Na opção E, porém, o sujeito do verbo fazer está elíptico. Caso contrário, o sujeito estando explicito, o trecho seria Supõe-se que o vocábulo fizesse referência ao modo violento (…), o que nos leva a concluir que a opção E está correta.

8. B

O único termo que faz uma referência com uma parte anterior do texto é outra, já que o termo todos, na opção C, está realizando uma catáfora, isto é, fazendo referência a algo que ainda será enunciado e, nas opções A e D, os termos se referem a elementos que não estão explícitos e explicitados em partes do texto. Isso nos permite afirmar que somente  a opção B está correta.

9. A

O termo “duas”, na opção A, é o único que se refere a um elemento apresentado no parágrafo anterior, já que todos os outros contêm referentes no mesmo parágrafo. Logo, a opção A é a única correta.

10. D

Nas opções A, B e C, encontramos anáforas, isto é, uma referência a algo que já foi enunciado. Na opção D, porém, encontramos uma catáfora, isto é, uma referência a algo que está para ser enunciado. A única opção correta, portanto, é a D.

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