Questões Comentadas: Arcadismo

1. (MACKENZIE) Texto para as questões 1 e 2:

Já sobre o coche de ébano estrelado
Deu meio giro a noite escura e feia;
Que profundo silêncio me rodeia
Neste deserto bosque, à luz vedado!

Jaz entre as folhas Zéfiro abafado,
O Tejo adormeceu na lisa areia;
Nem o mavioso rouxinol gorjeia,
Nem pia o mocho, às trevas costumado:

Só eu velo, só eu, pedindo à sorte
Que o fio, com que está minha alma presa
À vil matéria lânguida me corte:

Consola-me este horror, esta tristeza;
Porque a meus olhos se afigura a morte
No silêncio total da natureza.
(Bocage)

Vocabulário:
coche de ébano: carruagem de madeira escura
jaz: está ou parece morto
mocho: coruja
lânguida: doentia
mocho: coruja
lânguida: doentia

Nesse poema, a referência à cultura mitológica (Zéfiro) revela influência da estética:
a) romântica.
b) simbolista.
c) trovadoresca.
d) árcade.
e) parnasiana.

Gabarito: d

Comentários/Resolução/Passo-a-passo: A escola árcade possui como uma de suas principais características a retomada da valorização da cultura clássica. Com isso, é possível perceber em sua temática a abordagem de elementos greco-latinos, como também a presença da cultura mitológica, servindo como elemento estético, o que confirma a letra D. As demais letras (A, B, C e E) estão incorretas, pois essas escolas literárias não fazem referências ao elemento mitológico, principalmente o Trovadorismo, que surgiu antes do Classicismo.

2.Está presente no texto o seguinte traço característico da poesia de Bocage:
a) temática religiosa.
b) idealização do “locus amoenus”.
c) quebra dos padrões formais clássicos.
d) supremacia dos efeitos sonoros em detrimento da ideia.
e) linguagem emotivo-confessional.

Gabarito: e

Comentários/Resolução/Passo-a-passo: O poema de Bocage não aborda a temática religiosa, tampouco aprofunda a questão dos efeitos sonoros como superioridade, o que torna as alternativas A e D incorretas. Embora a escola árcade faça uma relação entre o sentimento do eu lírico com a natureza, neste caso, não há a predominância do lema “locus amoenus” ao longo do poema, o que também anula a letra B. Ademais, não há quebra da formalidade clássica, visto que o poema é estruturado como um soneto, o que anula a letra C. Logo, percebemos uma expressão de sentimentos do eu lírico sobre a mensagem do texto, confirmando como gabarito a letra E.

3. (UNIFESP) Leia o poema de Bocage: 

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre flores?

Vê como ali, beijando-se, os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha para,
Ora nos ares, sussurrando, gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.

O soneto de Bocage é uma obra do Arcadismo português, que apresenta, dentre suas características, o bucolismo e a valorização da cultura greco-romana, que estão exemplificados, respectivamente, em:
a) Tudo o que vês, se eu te não vira/Olha, Marília, as flautas dos pastores.
b) Ei-las de planta em planta as inocentes/Naquele arbusto o rouxinol suspira.
c) Que bem que soam, como estão cadentes!/Os Zéfiros brincar por entre flores?
d) Mais tristeza que a morte me causara./Olha o Tejo a sorrir- se! Olha, não sentes.
e) Que alegre campo! Que manhã tão clara!/Vê como ali, beijando-se, os Amores.

Gabarito: e

Comentários/Resolução/Passo-a-passo: O próprio enunciado já nos apresenta alguns aspectos da escola árcade, fazendo com que interpretemos os versos que exemplificam esses elementos. A letra E é a que confirma essa expectativa, uma vez que Bocage valoriza o ambiente campestre no primeiro verso e, no segundo verso, faz uma referência aos Zéfiros (elemento mitológico), que brincam entre as flores. Nas letras A e B, não há referência à cultura mitológica, o que já torna as alternativas incorretas. Já nas letras C e D, não há a presença do sentimento pastoril, bucólico.
4. (MACKENZIE)
Ornemos nossas testas com as flores,
e façamos de feno um brando leito;
prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de sãos amores (…)
(…) aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.
(Tomás Antônio Gonzaga)

Quanto ao estilo, os versos:
a) revelam a presença não só de formas mais exageradas de inversão sintática – hipérbatos -, como também de comparações excessivas, resíduos do estilo cultista.
b) comprovam a predileção pelo verso branco e pela ordem direta da frase, característicos da naturalidade desejada pelos poetas do Arcadismo.
c) denotam – pela singeleza do vocabulário, pela sintaxe quase prosaica – a vontade de alcançar a simplicidade da linguagem, em oposição à artificialidade do Barroco.
d) organizam-se em torno de antíteses, na busca de caracterizar, em atitude pré-romântica, o amor ideal e a pureza do lavor da terra.
e) constroem-se pelo desdobramento contínuo de imagens, compondo um quadro em que a emoção é tratada de modo abstrato, de acordo com a convenção árcade.

Gabarito: c

Comentários/Resolução/Passo-a-passo: O estilo e a linguagem árcade prezavam pela simplicidade, para compor junto ao cenário e a temática. As alternativas A e D estão erradas, porque abordam sobre a linguagem expressa na escola barroca. Embora o Arcadismo tenha feito uso de versos brancos, não há uma predileção por esses, pois a estrutura clássica é muito valorizada, o que anula a letra B. Na letra E, não há a predominância da emoção e sim, uma posição do eu lírico, abordando sobre a efemeridade da vida. A letra C – e gabarito da questão – corresponde à intenção da linguagem árcade e à abordagem da simplicidade, que se opõe à estética barroca.

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