Português: A Linguagem e suas funções

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Português: A Linguagem e suas Funções

Turma da Manhã: 18:30 às 19:30, com o professor Eduardo Valladares

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Lista de Exercícios

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Em primeiro lugar, devemos atentar para o fato de que, em qualquer situação comunicacional plena, seis elementos estão presentes:

a) emissor: é o responsável pela mensagem. É ele quem, como o próprio nome sugere, emite o enunciado. O emissor deve, necessariamente, estar na 1a pessoa do discurso (eu ou nós).

b) receptor: recebe a mensagem. Deve estar representado pela 2a pessoa do discurso (tu, vós ou você). Naturalmente, em uma conversação, o receptor, a partir do momento em que comece a falar, passará a ser o emissor, e vice-versa.

c) código: é o conjunto de signos (escritos, visuais, sonoros) utilizados para transmissão da mensagem.

d) mensagem: é a enunciação que o emissor transmite ao receptor. Caracteriza a 3a pessoa do discurso (ele ou ela), que é de quem se fala.

e) referente: é o conjunto de elementos que permite que a mensagem produza sentido para o receptor. É o assunto em si.

f) canal: é o meio através do qual se dá a comunicação. O canal pode ser percebido de forma mais concreta (como a linha através da qual se processa uma ligação telefônica) ou mais abstrata (a atenção dispensada pelo receptor ao emissor).

Cada uma das seis funções que a linguagem desempenha está centrada em um dos elementos acima, ou na forma como alguns desses elementos se relacionam com os outros.

1. Metalinguística
Refere-se ao próprio código. Por exemplo:

– A palavra “analisar” é escrita com “s” ou com “z”?
– “Analisar” se escreve com “s”, Marcelo.

Consiste no uso do código para falar dele próprio, ou seja, a linguagem para explicar a própria linguagem. Pode ser encontrada, por exemplo, nos dicionários, que usam palavras para explicar o significado de outras. Do mesmo modo, um poeta pode escrever um poema que fale da própria poesia (metapoema), bem como uma narrativa pode estar comentando o próprio ato de narrar.

2. Referencial
Centraliza-se no contexto, no referente. Transmite dados de maneira objetiva, direta, impessoal.

A dissertação argumentativa é o tipo de texto em que um determinado ponto de vista é defendido de maneira objetiva, a partir da utilização de argumentos.

Os textos jornalísticos, encontrados em jornais e revistas, são excelentes exemplos de uso dessa função. Além disso, nossos livros didáticos e apostilas costumam ser escritos com predominância da função referencial.

3. Conativa
Procura influenciar o receptor da mensagem. É centrada na segunda pessoa do discurso. É bastante comum em propagandas.

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Essa função encerra um apelo, uma intenção de atingir o comportamento do receptor da mensagem ou chamar a sua atenção. Para identificá-la, devemos observar o uso do vocativo, pronomes na segunda pessoa, ou pronomes de tratamento, bem como verbos no modo imperativo.

4. Fática
Está centrada no canal. Objetiva estabelecer, prolongar ou interromper o processo de comunicação.

— Olá, como vai?
— Eu vou indo e você, tudo bem?
— Tudo bem, eu vou indo…

A função fática envolve o contato entre o emissor e o receptor, seja para iniciar, prolongar, interromper ou simplesmente testar a eficiência do canal de comunicação. Na língua escrita, qualquer recurso gráfico utilizado para chamar atenção para o próprio canal (negrito, mudar o padrão de letra, criar imagem com a distribuição das palavras na página em branco) constitui um exemplo de função fática. Na língua falada, existem várias pequenas frases que são utilizadas como marcas dela.

5. Emotiva
De forma simplista, pode-se dizer que expressa sentimentos, emoções e opiniões. Está centrada no próprio emissor – e, por isso, aparece na primeira pessoa do discurso.

Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores.
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores.

(Álvares de Azevedo)

Nessa função, valem os estados de alma do emissor, seus sentimentos e impressões a respeito de algo. Estando centrada no emissor, o reconhecimento da função emotiva é feito quando observamos verbos e pronomes na primeira pessoa, adjetivação abundante, pontuação expressiva (exclamações e reticências), bem como a possível ocorrência de interjeições.

6. Poética
Centraliza-se na própria mensagem. É o trabalho poético realizado em um determinado contexto.

“De repente do risco fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.”

(Vinícius de Morais)

Como é centrada na própria mensagem, a função poética existe, predominantemente, em textos literários, resultantes da elaboração da linguagem, por meio de vários recursos estilísticos que a língua oferece. Contudo, é comum, hoje, observarmos textos técnicos que se utilizam de elementos literários para poder evidenciar um determinado sentido.

QUESTÕES

1. São Cosme e São Damião
Escrevo no dia dos meninos. Se eu fosse escolher santos, escolheria sem dúvida nenhuma São Cosme e São Damião, que morreram decapitados já homens feitos, mas sempre são representados como dois meninos, dois gêmeos de ar bobinho, na cerâmica ingênua dos santeiros do povo.
São Cosme e São Damião passaram o dia de hoje visitando os meninos que estão com febre e dor no corpo e na cabeça por causa da asiática, e deram muitos doces e balas aos meninos sãos. E diante deles sentimos vontade de ser bons meninos e também de ser meninos bons. E rezar uma oração.
“São Cosme e São Damião, protegei os meninos do Brasil, todos os meninos e meninas do Brasil. Protegei os meninos ricos, pois toda a riqueza não impede que eles possam ficar doentes ou tristes, ou viver coisas tristes, ou ouvir ou ver coisas ruins. Protegei os meninos dos casais que se separam e sofrem com isso, e protegei os meninos dos casais que não se separam e se dizem coisas amargas e fazem coisas que os meninos vêem, ouvem, sentem. Protegei os filhos dos homens bêbados e estúpidos, e também os meninos das mães histéricas e ruins. Protegei o menino mimado a quem os mimos podem fazer mal e protegei os órfãos, os filhos sem pai, e os enjeitados. Protegei o menino que estuda e o menino que trabalha, e protegei o menino que é apenas moleque de rua e só sabe pedir esmolas e furtar. Protegei, ó São Cosme e São Damião! — protegei os meninos protegidos pelos asilos e orfanatos, e que aprendem a rezar e obedecer e andar na fila e ser humildes, e os meninos protegidos pelo SAM*, ah! São Cosme e São Damião, protegei muito os pobres meninos protegidos!
E protegei sobretudo os meninos pobres dos morros e dos mocambos, os tristes meninos da cidade e os meninos amarelos e barrigudinhos da roça, protegei suas canelinhas finas, suas cabecinhas sujas, seus pés que podem pisar em cobra e seus olhos que podem pegar tracoma — e afastai de todo perigo e de toda maldade os meninos do Brasil, os louros e os escurinhos, todos os milhões deste grande e pobre e abandonado meninão triste que é o nosso Brasil, ó Glorioso São Cosme, Glorioso São Damião!”

(BRAGA, Rubem. 200 Crônicas escolhidas. 10ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1996 p. 212).
*SAM – Serviço de Assistência ao Menor – equivalente à FUNABEM.

No texto, observa-se uma nítida mudança de atitude do emissor: nos dois parágrafos iniciais, ele fala sobre São Cosme e São Damião; a partir do terceiro parágrafo, ele se dirige a São Cosme e São Damião.
a) (UFRJ) No terceiro parágrafo, além do uso das aspas, identifique dois recursos gramaticais que expressam essa mudança de atitude do emissor.
b) São, portanto, manifestadas diferentes funções da linguagem em cada um dos trechos acima apresentados. Cite-as, justificando sua resposta.

2. O texto usa a interjeição e o ponto de exclamação para marcar a afetividade, a emoção do emissor.
a) (UFRJ) Observando o último parágrafo do texto de Rubem Braga, identifique três outros recursos gramaticais utilizados para expressar a afetividade do emissor.
b) Que função da linguagem se evidencia através da utilização desses recursos?

3. (ENEM 2014)
eu acho um fato interessante… né… foi como meu pai e minha mãe vieram se conhecer… né… que… minha mãe morava no Piauí com toda família… né… meu… meu avô… materno no caso… era maquinista… ele sofreu um acidente… infelizmente morreu… minha mãe tinha cinco anos… né… e o irmão mais velho dela… meu padrinho… tinha dezessete e ele foi obrigado a trabalhar… foi trabalhar no banco… e… ele foi… o banco… no caso… estava… com um número de funcionários cheio e ele teve que ir para outro local e pediu transferência prum local mais perto de Parnaíba que era a cidade onde eles moravam e por engano o… o… escrivão entendeu Paraíba… né… e meu… e minha família veio parar em Mossoró que era exatamente o local mais perto onde tinha vaga pra funcionário do Banco do Brasil e:: ela foi parar na rua do meu pai… né… e começaram a se conhecer… namoraram onze anos… né… pararam algum tempo… brigaram… é lógico… porque todo relacionamento tem uma briga… né… e eu achei esse fato muito interessante porque foi uma coincidência incrível… né… como vieram a se conhecer… namoraram e hoje… e até hoje estão juntos… dezessete anos de casados…

CUNHA, M. A. F. (Org.) . Corpus discurso & gramática: a língua falada e escrita na cidade do Natal. Natal: EdUFRN, 1998.

Na transcrição de fala, há um breve relato de experiência pessoal, no qual se observa a frequente repetição de “né”. Essa repetição é um (a):

a) índice de baixa escolaridade do falante.
b) estratégia típica de manutenção da interação oral.
c) marca de conexão lógica entre conteúdos na fala.
d) manifestação característica da fala regional nordestina.
e) recurso enfatizador da informação mais relevante da narrativa.

4. Observe:

No Ar
FORÇA AÉREA BRASILEIRA ABRE CONCURSO PARA FORMAR PRIMEIRA TURMA DE AVIADORAS

Uma mulher pode estar à frente do Comando da Aeronáutica no futuro. Em Portaria publicada dia 31 de julho, no Diário Oficial da União, o Comandante da Aeronáutica, Ten.- Brig.- do- Ar Carlos de Almeida Baptista, autorizou a abertura de 20 vagas para as candidatas, em caráter excepcional, ao 1º ano do Curso de Formação de Oficiais Aviadores, da Academia da Força Aérea (AFA).

A função da linguagem PREDOMINANTE no texto acima é

a) fática.
b) conativa.
c) referencial.
d) emotiva ou expressiva.

GABARITO

1.
a) O uso da segunda pessoa do plural e o vocativo.
b) Referencial e apelativa.

2. a) Uso do diminutivo e aumentativo e a adjetivação.
b) Emotiva.

3. B

4. C

Lista de Exercícios

1. ENEM 2009 – Prova cancelada

Ouvir estrelas
“Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo
perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las, muita vez desperto
e abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda noite, enquanto
a Via-Láctea, como um pálio aberto,
cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,
inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?” Que sentido
tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919.

Ouvir estrelas
Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo
que estás beirando a maluquice extrema.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema.
Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
que mais eu gozo se escabroso é o tema.
Uma boca de estrela dando beijo
é, meu amigo, assunto p’ra um poema.
Direis agora: Mas, enfim, meu caro,
As estrelas que dizem? Que sentido
têm suas frases de sabor tão raro?
Amigo, aprende inglês para entendê-las,
Pois só sabendo inglês se tem ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: Becker, I. Humor e humorismo: Antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961.

A partir da comparação entre os poemas, verifica-se que,

a) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em linguagem conotativa.
b) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as ouvem e as entendem.
c) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada, como se observa no uso de estruturas como “dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.
d) no texto de Tigre, percebe-se o uso da linguagem metalinguística no trecho “Uma boca de estrela dando beijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema.”
e) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu poema com a recomendação de compreensão de outras línguas

2. ENEM 2009
Em uma famosa discussão entre profissionais das ciências biológicas, em 1959, C. P. Snow lançou uma frase definitiva: “Não sei como era a vida antes do clorofórmio”. De modo parecido, hoje podemos dizer que não sabemos como era a vida antes do computador. Hoje não é mais possível visualizar um biólogo em atividade com apenas um microscópio diante de si; todos trabalham com o auxílio de computadores. Lembramo-nos, obviamente, como era a vida sem computador pessoal. Mas não sabemos como ela seria se ele não tivesse sido inventado.

PIZA, D. Como era a vida antes do computador? OceanAir em Revista, nº- 1, 2007 (adaptado).

Neste texto, a função da linguagem predominante é:

a) emotiva, porque o texto é escrito em primeira pessoa do plural.
b) referencial, porque o texto trata das ciências biológicas, em que elementos como o clorofórmio e o computador impulsionaram o fazer científico.
c) metalinguística, porque há uma analogia entre dois mundos distintos: o das ciências biológicas e o da tecnologia.
d) poética, porque o autor do texto tenta convencer seu leitor de que o clorofórmio é tão importante para as ciências médicas quanto o computador para as exatas.
e) apelativa, porque, mesmo sem ser uma propaganda, o redator está tentando convencer o leitor de que é impossível trabalhar sem computador, atualmente.

3.
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[…]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades…
O vento varria as mulheres…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos…
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

Predomina no texto a função da linguagem:

a) fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
b) metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
d) referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos reais.
e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.

4.
Texto I: Porquinho-Da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Por que o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava: Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…
O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Texto II: Madrigal Tão Engraçadinho

Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje
na minha vida, inclusive o porquinho-da-índia que me deram quando eu tinha seis anos.

BANDEIRA M. Libertinagem & Estrela da manhã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000, p. 36.

Os textos I e II:

a) utilizam metalinguagem e temática do cotidiano, que são características da estética do Modernismo.
b) apresentam características da estética do Modernismo, presentes nos versos livres e na reescritura de textos clássicos do passado.
c) apresentam concepções diversas em relação à primeira namorada, porque a linguagem do texto I se aproxima da prosa, ao passo que o texto II mantém a estrutura clássica do madrigal
d) estão em consonância com a estética do Modernismo, pois são construídos em versos livres e com linguagem que se aproxima da prosa, características pertinentes a esse estilo literário.
e) afastam-se da estética do Modernismo, pois apresentam distanciamento temporal: o eu lírico, no texto I, rememora a infância e, no texto II, foca-se no presente.

Texto: Marabá
Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá?
Se algum dentre os homens de mim não se esconde
— “ Tu és”, me responde,
“ Tu és Marabá!”

Meus olhos são garços, são cor das safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,
As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
— “Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “ mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’ anajá!”

É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
Da cor das areias batidas do mar;
As aves mais brancas, as conchas mais puras
Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.

Se ainda me escuta meus agros delírios:
— “ És alva de lírios” ,
Sorrindo responde, “ mas és Marabá:
“ Quero antes um rosto de jambo corado,
“ Um rosto crestado “
Do sol do deserto, não flor de cajá.”

Meu colo de leve se encurva engraçado,
Como hástea pendente do cáctus em flor;
Mimosa, indolente, resvalo no prado,
Como um soluçado suspiro de amor!
— “ Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira”,
Então me respondem; “ tu és Marabá:
Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
Que as flóreas campinas governa, onde está.”

Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
O oiro mais puro não tem seu fulgor;
As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
De os ver tão formosos como um beija-flor!

Mas eles respondem : — Teus longos cabelos,
“ São loiros, são belos,
Mas são anelados; tu és Marabá;
Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
Cabelos compridos,
Não cor d’ oiro fino, nem cor d’ anajá.”

E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi? O
ramo d’ acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:

Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!

Gonçalves Dias

Vocabulário

– marabá : mestiço de francês com índia.
– Tupá ou Tupã ( v. 3 )
– engraçado : gracioso ( v. 27 )
– arazóia ou araçóia : saiote de penas usado pelas mulheres indígenas.

5. Após leitura, análise e interpretação do poema Marabá, algumas afirmações como as seguintes podem ser feitas, com exceção de uma. Indique-a.

a) O poema se inicia com uma pergunta de ordem religiosa e termina com uma consideração de aspecto sensual. Além disso, a ocorrência de figuras de linguagem e o emprego da primeira pessoa marcam com ênfase, respectivamente, as funções da linguagem poética e emotiva
b) O poema é um profundo lamento construído com base na estrutura dialética, apresentando-se argumentação e contra-argumentação.
c) Ocorre interlocução registrada em discurso direto, estrutura que enfatiza assim o desprezo preconceituoso dado à Marabá.
d) Marabá é poema tecido com recurso a aspectos constitutivos da lírica clássica, como atesta o discurso lógico proferido pelo interlocutor do eu-poemático

6. A unidade dramática vivenciada pelo eu-lírico no poema Marabá concentra-se em dois núcleos semânticos que podem ser expressos pelas seguintes ideias:

a) tristeza e compreensão.
b) aflição e frustração.
c) beleza e feiura.
d) indignação e passividade.

7. O poema tende ao uso de metáforas, o que denota um comportamento linguístico voltado para a imagística em geral, tanto nas descrições apresentadas, quanto nas alegorias. O fragmento de texto que exemplifica, total ou parcialmente, o uso predominante da metáfora é:

a) “Jamais um guerreiro da minha arazóia/ Me desprenderá…”
b) “Meu colo de leve se encurva engraçado,/ Como hástea pendente do cáctus em flor;”
c) “As brisas nos bosques de os ver se enamoram”
d) “Meus olhos são garços, são cor das safiras, / têm luz das estrelas, têm meigo brilhar.”

GABARITO

1. D
O texto de Bilac trata do diálogo entre o eu lírico e as estrelas do céu, possível de se estabelecer apenas por pessoas apaixonadas, e o de Bastos Tigre, humorístico, do diálogo com as estrelas de cinema, que só acontece se o eu lírico aprender o inglês, a língua falada por tais estrelas. Quando o eu lírico, no texto de Bastos Tigre, menciona “uma boca de estrela dando beijo” como um assunto propício para compor um poema, está fazendo um comentário sobre o seu próprio texto, já que o poema aborda justamente essa temática. Esse procedimento exemplifica a função metalinguística da linguagem.

2. B
No texto, a função de linguagem característica é a referencial, uma vez que o elemento da comunicação que ganha destaque é o referente, isto é, o objeto de que se fala. Em outros termos, a finalidade do artigo é informar o leitor a respeito de algo: no caso, trata da importância tanto do clorofórmio quanto do computador para o fazer científico.

3. E
Textos que privilegiam a função poética da linguagem põem em evidência a maneira de dizer, a fim de obter efeitos expressivos. Por vezes, então, esses textos produzem significados não só por meio das palavras que empregam, mas também por intermédio do modo como elas se combinam. No poema Canção do vento e da minha vida, por exemplo, a repetição de estruturas de frase constrói um significado não explícito: a recorrência das mudanças na vida do eu lírico.

4. D

5. D

6. B

7. D

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