O que é Sociologia?

Entenda tudo sobre a história da disciplina e suas diferentes áreas.

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Entenda tudo sobre a história da disciplina e suas diferentes áreas

Você já se perguntou o que é Sociologia? Ou como surgem suas conclusões? Esses questionamentos mostram uma curiosidade muito comum sobre como funciona a ciência. A sociologia se dedica a produzir conhecimento científico sobre a sociedade.

O que poucos sabem é que o que aprendemos em Sociologia, é, na verdade o conjunto de três grandes áreas das Ciências Sociais. A Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política compõe este quadro. Vamos conhecer um pouco mais sobre essas disciplinas e, também, sobre o porquê de elas terem ficado conhecidas apenas como Sociologia na escola.

Para entender o que é sociologia, vamos começar pelas ciências sociais…

A vida coletiva não é uma exclusividade humana, porém a capacidade de produzir sentido em relação a essa experiência é a principal diferença entre nós e outros animais. Comer, por exemplo, é uma necessidade básica, mas um almoço de domingo em família e um churrasco com os amigos não possuem o mesmo sentido para nós.

Compartilhamos uma série de normas, valores e significados que vão além de nossas necessidades básicas. A relação que estabelecemos com essas normas, valores e significados pode ser chamada de vida social. As Ciências Sociais são o conjunto de disciplinas que estudam, de diferentes pontos de vista, essa “vida social” e a sociedade em si.

É importante ressaltar que esses “pontos de vista” não são “opiniões” ou “crenças”, mas o resultado de metodologias científicas e de observação empírica. Ao contrário do que se possa pensar, essas diferenças não são excludentes, mas complementares.

Para entender melhor como isso ocorre, vamos olhar mais de perto cada uma dessas áreas, e os aspectos da sociedade sobre o qual se debruçam.

Ciências Sociais

Antropologia

Ciência que estuda as variações que a vida social apresenta através das diferentes sociedades humanas. Se interessa pelo homem como um ser cultural, buscando dar resposta ao problema da diversidade humana.

Suas origens remetem às navegações e ao choque da sociedade europeia com outros povos. A Europa precisou conhecer a cultura desses povos para estabelecer trocas comerciais e um domínio colonial eficaz. Além disso, a investigação sobre as diferentes culturas serviu para firmar uma unidade entre os povos europeus e toda aquela diversidade cultural.

A princípio, essa unidade foi proposta em termos evolutivos, nos quais a cultura europeia se colocava como a mais evoluída. Com o passar dos anos, a Antropologia foi se remodelando e atualmente questiona a colocação dessa “investigação do outro”, com o estudo da “outridade”, onde o outro é quem conta sua própria história e realidade.

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Sociologia

A ciência da sociedade por definição. Ninguém nunca viu uma sociedade “caminhando” por aí. A Sociologia serve justamente para capturar essa experiência que é ao mesmo tempo muito próxima e muito distante de nós.

Essa ciência nasce da necessidade de explicar e entender as profundas transformações que a Europa vivenciou entre o fim do séc. XVIII e o início do século XIX. Estas transformações estão relacionadas ao desenvolvimento do capitalismo e proporcionaram a chegada da era moderna, num processo de ruptura radical com a antiga sociedade feudal e suas tradições.

A Sociologia estuda os processos de mudança e de conservação em nossa sociedade. São esses processos que ditam o ritmo das relações que os indivíduos estabelecem entre si. Através de suas observações sistemáticas, a Sociologia elabora modelos de interpretação que dão forma à sociedade.

Ciência Política

É o estudo dos sistemas de governo, modelos de participação política e qualquer fenômeno relacionado às estruturas políticas da sociedade em geral. Em algumas regiões, ela é tida como uma “ciência do Estado”.

Apesar de se consolidar como uma ciência em meados do séc. XIX, a ciência política remonta ao período absolutista. Teóricos como Maquiavel e Thomas Hobbes já elaboravam interpretações sobre a natureza do governo e do poder. Posteriormente, J.J Rousseau e John Locke avançaram na reflexão sobre as relações entre governo e indivíduo.

Entender a sociedade: um trabalho de muitas mãos

Como visto cada uma dessas ciências captura um aspecto específico da vida social: a sociedade e seus componentes, as diferenças culturais entre sociedades distintas, suas relações de poder e participação política… Juntas essas disciplinas nos dão uma perspectiva ampla para interpretar os fenômenos que acontecem em nosso cotidiano.

Um ponto comum entre essas três grandes áreas que formam as Ciências Sociais é o contexto no qual elas surgiram e se desenvolveram. Todas elas buscaram responder diferentes questões que despontaram no desenvolvimento da modernidade no Ocidente. Mas por que então aprendemos Sociologia na escola, e não “Ciências Sociais”?

Ciências Sociais = Sociologia?

Como visto no início do texto, essa diferença é apenas uma questão de denominação, e ocorre devido à influência da Sociologia Francesa no Brasil. As primeiras experiências de institucionalização das Ciências Sociais no nosso país foram muito influenciadas pela Sociologia Francesa. Antes de conhecer melhor a Sociologia Francesa, vamos entender o contexto histórico no qual a Sociologia começa a se desenvolver como ciência.

História

Precedentes históricos da era moderna

A modernidade é o período histórico que se estende da revolução industrial inglesa até os dias atuais. Esse período se caracteriza por uma série de mudanças econômicas, políticas e sociais ocorridas na Europa e que depois se espalharam para o resto do mundo. Essas mudanças também foram bastante influenciadas pelo projeto intelectual dos filósofos iluministas.

No campo econômico, a Revolução Industrial Inglesa (séc. XVIII, a partir de 1760), modificou profundamente as relações de produção. A manufatura foi substituída pelas máquinas a vapor. Os antigos artesãos perderam o controle do processo produtivo e se tornaram empregados daqueles que detinham as máquinas.

Esse processo junto com o colapso da antiga propriedade comunal (terras compartilhadas no regime feudal) levou a uma forte migração para os centros urbanos, onde as novas indústrias se instalavam. A necessidade de escoar a abundante produção industrial levou a uma intensificação das trocas comerciais, encurtando a distância entre os continentes.

No campo das ideias, O Iluminismo agitava a mente dos filósofos e intelectuais desde o séc. XVII com novas ideias centradas no indivíduo e na racionalidade. Essa ênfase na razão contribuiu para validação da ciência como busca de uma explicação racional do mundo.

Também ocorre nesse ambiente intelectual uma gradual desmistificação das explicações religiosas de mundo, o que contribuiu para as revoluções políticas vistas na França (1789) e na América (1776). Os iluministas rejeitavam o poder absoluto dos reis, pois não existia uma base racional que justificasse seus privilégios.

Essa tensão crescente levou à Revolução Francesa, um processo violento que alterou profundamente o cenário político da Europa. Inspirados pelos ideais iluministas, os franceses guilhotinaram aristocratas, clérigos e até mesmo o rei. Por meio desse processo, estabeleceram um novo regime político e social baseado nos direitos fundamentais do homem e nos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

As principais mudanças ocorridas nesse período podem ser resumidas da seguinte forma:

  • Novas relações de trabalho

  • Urbanização

  • Intensificação das trocas comerciais mundiais

  • Encurtamento das distâncias

  • Abolição dos privilégios aristocráticos

  • Surgimento do Estado moderno e da República

  • Ampliação de direitos individuais

  • Consolidação da ciência como explicação racional do mundo

Primeiros problemas

A sociedade europeia do século XIX era diferente de tudo aquilo que conheciam. Apesar dos inúmeros progressos, as pessoas se sentiam atordoadas com o ritmo intenso da vida cotidiana. Havia um conflito entre tradição e mudança, que impunha a necessidade de reorganizar a sociedade sobre outras bases.

Nesse contexto começa a surgir um corpo ideias sobre as mudanças ocorridas até a sociedade moderna. Elas se caracterizam por uma definição da modernidade e, quase sempre, por uma proposta de intervenção para superar seus problemas. Com o passar do tempo seriam agrupadas e conhecidas como Sociologia.

Essa ideias possuíam diferentes origens, sendo influenciadas por várias correntes filosóficas. Mas uma das mais influentes nos “primeiros passos” da Sociologia foi sem dúvida o Positivismo, como veremos a seguir.

A influência positivista sobre a Sociologia

A Sociologia em suas origens foi fortemente influenciada pelo Positivismo, uma corrente filosófica surgida na França do séc. XIX. Essa corrente acreditava no progresso contínuo da humanidade. Para estes pensadores, o progresso humano deveria sempre que possível ser reforçado através das ciências positivas.

É nesse contexto que Auguste Comte, um dos maiores expoentes do Positivismo, funda a Sociologia. Por meio dela, Comte acreditava ser possível descobrir as leis que levariam a sociedade ao progresso. Se a sociedade desviasse dessas leis, a Sociologia poderia apontar novamente o “caminho correto”.

Essa “primeira versão” da Sociologia não escondia sua aproximação com as Ciências da Natureza. Também conhecida como “Física Social”, a Sociologia deveria se espelhar em outras ciências para cumprir seu propósito segundo Comte. A Sociologia deveria descobrir e decodificar as leis sociais assim como a Física e a Biologia descobriam e decodificavam as leis naturais.

A aproximação com a Biologia levou a modelos de explicação que concebiam a sociedade como um grande organismo, com diferentes funções colaborando para o bem comum. Esta abordagem é bastante presente na obra de Émile Durkheim, responsável por instituir a Sociologia como disciplina acadêmica na França.

A Sociologia avança como Ciência

A partir de Durkheim, a Sociologia passa a ser reconhecida como uma ciência dentro das universidades. Esse autor se preocupava muito em desenvolver métodos de pesquisa para fundamentar suas interpretações sobre a sociedade. Influenciado pelas ideias de Comte e do Positivismo, Durkheim propôs o modelo de Fato Social para explicar os fenômenos sociais.

Os Fatos Sociais teriam 3 características: seriam externos, gerais e coercitivos. Do mesmo modo que o Positivismo buscava nas leis da sociedade o seu progresso, Durkheim buscava nos fatos sociais as leis coletivas que organizavam o comportamento das pessoas.

Essas leis também organizavam os diversos segmentos da sociedade: O Estado, a Nação, as relações de trabalho, de compra e venda, a religião… Por ser uma ciência que se voltava para a sociedade como um organismo, analisando cada elemento como uma função, a Sociologia de Durkheim dialogava profundamente com áreas correlatas ao seu objeto de estudo.

Dessa forma, a Sociologia Francesa inaugurada por Durkheim abrangia diversas áreas do conhecimento envolvidas com a sociedade: o direito, a economia, a antropologia e a ciência política são alguns exemplos. Para cada uma dessas áreas de estudo, a Sociologia Francesa, inspirada por Durkheim, buscava aplicar seus próprios métodos.

Agora que você sabe o que é Sociologia, confira outros conteúdos sobre o assunto.

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