Modelo de Redação: Publicação de imagens trágicas – banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?

Modelo de Redação: Publicação de imagens trágicas – banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?

Sabe aquele tema de redação que nós indicamos para você na semana 24? Ele virou um modelo de redação aqui no blog, feito pela monitora Isadora Picanço, para você se inspirar e comparar com a sua própria redação.

Veja aqui a coletânea de textos completa para este tema e faça já a sua redação: Publicação de imagens trágicas – banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?


Embora publicado em 1885, o conto machadiano A causa secreta, por meio do personagem Fortunato, aborda um tema universal e atemporal: a falta de empatia, o comportamento sádico. A racionalidade que rege essa conduta pode ser enquadrada na atualidade, visto que é extremamente entristecedor e preocupante o quadro atual de menos valia que a humanidade está atribuindo ao sofrimento do outro no ato, apático e cético, de publicação e compartilhamento de imagens trágicas.

Com a consolidação da internet, não só como fonte de informação, mas também como ferramenta para a produção e a disseminação de conteúdo, mudou-se o modo de fazer jornalismo, o que provocou um questionamento sobre o comportamento da mídia. A prática sensacionalista desses meios transforma as notícias em objetos de espetacularização, supervalorizando aspectos emocionais em detrimento de uma informação e, consequentemente, comove a opinião pública principalmente quando imagens de pessoas mortas são veiculadas. Como exemplo de situação trágica exposta, tem-se a foto que registrou um grupo de banhistas se divertindo, na praia, ao lado dos corpos de duas vítimas do desabamento de parte da ciclovia Tim Maia.

Em contraposição a esse tipo de atitude, o site Vox Media, por exemplo, acredita que a publicação de uma imagem violenta contém aspecto viral e acarreta uma superexposição desnecessária em vez de promover compaixão e empatia. Nesse sentido, na busca por audiência fácil, o sensacionalismo atiça a curiosidade das pessoas, que, por sua vez, buscam mais informações. A relação entre o público e o grotesco deixa evidente a perda de sensibilização diante dessas imagens, o que configura a banalização da dor, do horror e da angústia, garantindo a indiferença das massas frente a esses aspectos e até mesmo o conformismo da sociedade brasileira diante das tragédias.

Fica claro, portanto, que, em uma sociedade em que os meios de comunicação possuem grande representatividade, o resguardo privado e a imagem são mais facilmente agredidos. A fim de alterar esse quadro, o governo brasileiro deve regular e adequar as normas de direito à imagem, assegurado pela Constituição Federal do Brasil, e não construir novos mecanismos de proteção jurídica. Por meio da Lei Marco Civil da Internet, garante-se a inviolabilidade da intimidade, o direito a sua proteção e a indenização por dano decorrente de violação, defendendo a proteção integral da imagem de qualquer indivíduo caso não haja consentimento específico para qualquer fim. Dessa maneira, contribui-se na constante formação da humanidade para se afastar de condutas sociais e éticas como a de Fortunato.

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