Modelo de Redação: A cultura de assédio no Brasil

Modelo de Redação: A cultura de assédio no Brasil

Sabe aquele tema de redação que nós indicamos para você na semana 19 de 2017? Ele virou um modelo de redação aqui no blog, feito pela monitora Maria Carolina, para você se inspirar e comparar com a sua própria redação. > Veja aqui a coletânea de textos completa para este tema e faça já a sua redação: A cultura de assédio no Brasil.


Quer saber como ficaria uma redação mediana sobre esse tema? Confira:

Muitos problemas comprometem a sociedade brasileira atualmente. Em grande maioria somente os considerados interessantes pela mídia ou que causam grande impacto são divulgados, contudo, muitos são esquecidos. Os crimes e assédios contra a mulher acontecem diariamente nas cidades e raramente algo é feito para que isso seja amenizado.

Em um país onde homens costumam falar somente de futebol e mulheres, o assédio é consequentemente grande. Andar nas ruas de cidades grandes torna-se um desafio. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), assédio é um ato de insinuação, convite impertinente e contato físico forçado,desde que humilhe, insulte ou intimide a vítima.

Muitas mulheres tentam lutar contra este problema presente na sociedade, através de manifestações sociais. No último mês houve, em várias cidades do Brasil, a “Marcha da Vadias”, um movimento conscientização que tenta combater o machismo e no cartaz de uma das jovens estava escrita a seguinte frase “Tire seus padrões do meu corpo”. Com o mesmo objetivo, uma mulher dos Estados Unidos gravou um vídeo em forma de protesto, no mesmo, filmando a própria caminhada pelas ruas da cidade, com roupas normais do uso feminino no dia a dia e em menos de 30 minutos ela recebeu mais de 10 cantadas.

É importante mostrar que as mulheres conquistaram seu lugar na sociedade e também ensiná-las quais são os seus direitos em casos de assédio. Por parte do estado deve haver maiores fiscalizações e punições aos praticantes do desrespeito, com uma maior quantidade de delegacias das mulheres e garantido às mesmas a proteção contra os agressores após as denúncias.

Análise da redação

Introdução

Muitos problemas comprometem a sociedade brasileira atualmente. Em grande maioria somente os considerados interessantes pela mídia ou que causam grande impacto são divulgados, contudo, muitos são esquecidos. Os crimes e assédios contra a mulher acontecem diariamente nas cidades e raramente algo é feito para que isso seja amenizado.

Comentário:

O parágrafo de introdução não conta com uma estratégia interessante de contextualização. A conjunção adversativa “contudo” foi mal empregada. Além disso, a tese está bastante superficial.

Sugestão de reescrita:

No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma conduta de submissão feminina que compactuava com os valores morais da época. Nos dias atuais, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie alega que o problema do gênero consiste em descrever como devemos ser, em vez de reconhecer quem somos, o que comprova um modelo arcaico enraizado na sociedade. Nesse sentido, a cultura de assédio no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para garantir o respeito e liberdade à mulher, intervenções são necessárias.

Desenvolvimento I

Em um país onde homens costumam falar somente de futebol e mulheres, o assédio é consequentemente grande. Andar nas ruas de cidades grandes torna-se um desafio. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), assédio é um ato de insinuação, convite impertinente e contato físico forçado,desde que humilhe, insulte ou intimide a vítima.

Comentário:

O parágrafo de desenvolvimento está pobre em relação à argumentação. O fato de homens falarem de futebol não tem a ver com o assédio sofrido pelas mulheres. Além disso, deveria estar claro quem enfrenta o desafio de andar nas grandes cidades. E por que só nas cidades grandes? A definição de assédio pela OIT não foi relacionada às mulheres. Por fim, a coesão também não está bem feita.

Sugestão de reescrita:

Primeiramente, uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a conduta feminina. Mesmo que o Feminismo tenha assegurado maior autonomia política e social à mulher, o patriarcalismo ainda a subjuga pela sua vestimenta, direito de ir e vir e empoderamento. Desse modo, os ideais conservadores se sobrepõem à realidade. Em 2016, a revista Veja entrevistou a esposa do vice-presidente Michel Temer, em uma reportagem intitulada “bela, recatada e do lar”. Tal chamada unifica o papel da mulher, pois o machismo justifica que aquelas que fujam a esse padrão ao usarem roupas curtas e saírem desacompanhadas estão propícias ao abuso.

Desenvolvimento 2

Muitas mulheres tentam lutar contra este problema presente na sociedade, através de manifestações sociais. No último mês houve, em várias cidades do Brasil, a “Marcha da Vadias”, um movimento conscientização que tenta combater o machismo e no cartaz de uma das jovens estava escrita a seguinte frase “Tire seus padrões do meu corpo”. Com o mesmo objetivo, uma mulher dos Estados Unidos gravou um vídeo em forma de protesto, no mesmo, filmando a própria caminhada pelas ruas da cidade, com roupas normais do uso feminino no dia a dia e em menos de 30 minutos ela recebeu mais de 10 cantadas.

Comentário:

O segundo parágrafo de desenvolvimento apresenta bons fatos para representar a situação do assédio sofrido pelas mulheres. No entanto, está expositivo e faltando mais ênfase no ponto de vista do autor. Além disso, o pronome “este”, em “este problema”, está incorreto, pois refere-se a algo dito anteriormente, deveria, portanto, ser “esse”.

Sugestão de reescrita:

Além disso, há hoje a banalização do assédio e as redes sociais se tornaram uma ferramenta para tentar combatê-lo. Nas ruas, festas, trabalho e até dentro da própria casa as cantadas, puxadas no cabelo e as tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizaram, já que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Para engajar jovens e adultas contra a sensação de impunidade, campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio”, “Me avisa quando chegar” e “Vamos juntas?” percorreram o Facebook e o Twitter a fim de denunciar as opressões vividas, trocar experiências e atrair a atenção da mídia e das pessoas para conterem esse mal.

Conclusão

É importante mostrar que as mulheres conquistaram seu lugar na sociedade e também ensiná-las quais são os seus direitos em casos de assédio. Por parte do estado deve haver maiores fiscalizações e punições aos praticantes do desrespeito, com uma maior quantidade de delegacias das mulheres e garantido às mesmas a proteção contra os agressores após as denúncias.

Comentários:

O autor não retomou, no parágrafo de conclusão, exatamente a tese que propôs no texto. Além disso, poderia ter explorado mais a proposta de intervenção.

Sugestão de reescrita:

Portanto, a cultura de assédio se solidificou na sociedade brasileira. A fim de alterar o olhar machista, debates e aulas de conscientização às crianças nas escolas fomentarão o respeito aos direitos da mulher. Ademais, os meios de comunicação, com impacto apelativo, devem transmitir noticiários sobre a equidade de gêneros e problematizar a banalização do abuso, induzindo a reflexão e mudança na conduta dos indivíduos. O Governo, ainda, sendo mais punitivo nas leis contra essa situação garantirá o reconhecimento da liberdade feminina, como anseia Chimamanda.

Redação Exemplar

Belas, respeitadas, do lar e do bar

No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma conduta de submissão feminina que compactuava com os valores morais da época. Nos dias atuais, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie alega que o problema do gênero consiste em descrever como devemos ser, em vez de reconhecer quem somos, o que comprova um modelo arcaico enraizado na sociedade. Nesse sentido, a cultura de assédio no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para garantir o respeito e liberdade à mulher, intervenções são necessárias.

Primeiramente, uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a conduta feminina. Mesmo que o Feminismo tenha assegurado maior autonomia política e social à mulher, o patriarcalismo ainda a subjuga pela sua vestimenta, direito de ir e vir e empoderamento. Desse modo, os ideais conservadores se sobrepõem à realidade. Em 2016, a revista Veja entrevistou a esposa do vice-presidente Michel Temer, em uma reportagem intitulada “bela, recatada e do lar”. Tal chamada unifica o papel da mulher, pois o machismo justifica que aquelas que fujam a esse padrão ao usarem roupas curtas e saírem desacompanhadas estão propícias ao abuso.

Além disso, há hoje a banalização do assédio e as redes sociais se tornaram uma ferramenta para tentar combatê-lo. Nas ruas, festas, trabalho e até dentro da própria casa as cantadas, puxadas no cabelo e as tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizaram, já que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Para engajar jovens e adultas contra a sensação de impunidade, campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio”, “Me avisa quando chegar” e “Vamos juntas?” percorreram o Facebook e o Twitter a fim de denunciar as opressões vividas, trocar experiências e atrair a atenção da mídia e das pessoas para conterem esse mal.

Portanto, a cultura de assédio se solidificou na sociedade brasileira. A fim de alterar o olhar machista, debates e aulas de conscientização às crianças nas escolas fomentarão o respeito aos direitos da mulher. Ademais, os meios de comunicação, com impacto apelativo, devem transmitir noticiários sobre a equidade de gêneros e problematizar a banalização do abuso, induzindo a reflexão e mudança na conduta dos indivíduos. O Governo, ainda, sendo mais punitivo nas leis contra essa situação garantirá o reconhecimento da liberdade feminina, como anseia Chimamanda.

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