Frida Kahlo e o feminismo: obras e curiosidades

Pintora surrealista do século XX, Frida Kahlo constituiu nas obras um poder único de expressão de sua cultura mexicana e de percepções sobre si mesma.Entretanto, nos dias atuais tornou-se símbolo feminista não só pelas pinturas, mas por seu engajamento e empoderamento social frente a um cenário ainda conservador.

Dessa forma, é uma tema que pode ser tratado na sua redação para vestibular ou cair em uma das questões do ENEM. Aqui, mostraremos alguns fatos e curiosidades que a tornaram uma referência global de cultura, arte e feminismo.

Biografia

De essência mexicana, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu em 6 de julho de 1907, na cidade de Coyoacán. Embora tenha vivido apenas 47 anos, consagrou uma das maiores fontes da arte moderna fora da Europa.

Sendo a terceira das quatro irmãs da família, Frida tivera, ao longo de toda sua trajetória, uma série de complicações em relação à saúde. Logo aos seis anos de idade teve poliomielite, doença que deixou como resquício uma lesão no pé direito. Depois do primeiro episódio, passou a utilizar vestimentas que cobrissem suas pernas, o que, posteriormente, iria se tornar uma de suas marcas principais.

Aos treze anos, então, o ônibus em que estava colidiu-se com um trem. O para-choque de um dos veículos perfurou suas costas, causando fraturas e hemorragias em diversas partes do corpo. Após meses de recuperação, Frida ainda precisaria de coletes ortopédicos que ajudariam na reconstrução postural e pouco esforço, fato que lhe acendeu a necessidade de se expressar por meio da arte.

Além da força na pintura, ela também foi um símbolo de engajamento político. Em 1928 entrou para o Partido Comunista Mexicano, local em que conheceu seu marido, e também pintor, Diogo Rivera. O casamento conturbado, e também aberto, permitiu a relação amorosa com Leon Trótski, intelectual marxista e revolucionário na Guerra Civil Russa.

Em 13 de julho 1954, Frida é encontrada morta após complicações decorrentes de uma forte pneumonia. Suas cinzas ainda permanecem em sua casa, hoje apresentada como Museu Frida Kahlo.

Frida Kahlo
Frida Kahlo

Sem padrões e rótulos: uma mulher vanguarda

Excêntrica. Ímpar. Exótica. Talvez essas sejam três das principais características atribuídas à artista surrealista. Como, então, ela deixou seu legado sobressair às telas?

Frida nunca se importou com padrões estéticos ou convenções sociais que disponibilizavam às mulheres. Apesar de nunca ter se intitulado como feminista, ou até mesmo pintado obras com esse cunho explícito, durante toda sua vida necessitou se impor frente ao patriarcado velado de sua posição social.

Seja pelas condições físicas que não lhe permitiam ser como as moças da época, ou pelos fortes traços de seu rosto, o fato é que nunca quis se dedicar a uma objetificação corporal, muito menos esconder sua verdadeira essência; isso pode ser visto nesta foto em família, em que ela - rejeitando o esperado traje feminino - se veste com um terno de seu pai.

Frida e Família, 1924
Frida e Família, 1924

Também, e como já mencionado, sua marca cativa posteriormente se tornou o uso das longas saias simbolizando a cultura mexicana, chamadas de roupas tehuanas. Além de caricata e memorável, sua abolição pelo cumprimento de normas de beleza, como retirar os pêlos da sobrancelha, trouxe para a atualidade certo empoderamento, incentivando a livre escolha de mulheres sobre seus corpos e desejos.

Assim, também foi pioneira sobre sua sexualidade e relação matrimonial, pois jamais escondeu sua bissexualidade e seu relacionamento aberto com Diogo Rivera, que inclusive tinha conhecimento de suas outras relações. Ainda que no início o casamento tentou persistir em certa normatividade e conservadorismo esperado da época, os gênios fortes de Rivera e Frida tornaram, posteriormente, impossível o cumprimento de padrões.

O feminismo de Frida Kahlo e a arte

Livre e decidida na vida, complexa e subjetiva na arte. Frida Kahlo ganhou espaço e notoriedade por suas obras surrealistas, sobretudo retratando o universo da mulher em relação aos próprios acontecimentos de sua trajetória pessoal. Vejamos as principais pinturas da artista:

As duas Fridas (1939)

Quadro: As Duas Fridas
Quadro: As Duas Fridas

A obra apresenta duas mulheres sentadas em um banco sem encosto, uma ao lado da outra, de mãos dadas e conectadas por um só fio que entrelaça seus corações.Em meio a um céu escuro e tempestuoso, as duas Fridas fazem parte de um único sentimento, uma vez que estão olhando para a mesma direção. Uma com vestido branco, de gola alta e coração dilacerado; a outra, vestida com as roupas típicas e seu coração aparentemente inteiro.

A da direita carrega na mão uma tesoura, simbolizando a ruptura; a da direita uma foto de Diego Rivera, seu marido. Nesse quadro, é possível perceber a cruel vivência de Frida com seus sentimentos, de modo a demonstrar que, mesmo dilacerada, ainda permanece unida a si mesma, como forma de força.

Hospital Henry Ford (1932)
Hospital Henry Ford (1932)

Após sofrer seu segundo aborto, Frida pinta Hospital Henry Ford (1932), ou também conhecido como A Cama Voadora (1932). Nele, é possível perceber uma representação da artista deitada no leito, ligada por um feto,um caramujo e uma espécie de abdômem pélvico flutuantes.

Seu corpo, extremamente inferior ao tamanho do feto, é uma forma de expressar sua relação com a impossibilidade de ter filhos, assim como também demonstrar fraqueza sobre o trágico acontecimento.

O que a água me deu (1938)
O que a água me deu (1938)

A obra surrealista se apresenta, em certa maneira, na perspectiva da primeira pessoa. Uma pessoa submersa na banheira, analisando a si mesma por meio das águas, retrata uma série de objetos e pessoas em meio a aparições ficcionais, como seus pais, um pássaro gigante, um vulcão, entre outros. De modo a colocar o espectador em sua visão, razão pela qual não há a artista no quadro, é uma representação de suas reflexões, pautadas em espetáculo e memórias, como a lembrança da estrutura familiar e de figuras da natureza que simbolizam, também, certo saudosismo.

Símbolo atual: curiosidades sobre a pintora

Como você pôde perceber, Frida deixou sua marca nas artes e representa, para a atualidade, um dos maiores símbolos de resistência e empoderamento. Ainda no mundo diversificado, fez história para a representação feminina em outras áreas, seja na moda, nos filmes ou, até mesmo, escrevendo. Vejamos algumas:

Capa Vogue México (2012)
Capa Vogue México (2012)

Por fim, é importante reconhecer não somente a pintora que há em Frida, mas também a mulher que se tornou símbolo por algumas de suas citações em cadernos de notas. E, nada melhor do que compreender a importância dela para o feminismo e o mundo das artes com sua mais famosa reflexão: “Pés, pra que te quero, se tenho asas para voar?”.

Agora que você conheceu um pouco mais sobre Frida Kahlo, o que acha de conferir outras dicas para mandar bem na redação?

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