A agricultura e seus modelos produtivos

A Agricultura

Desde a mudança na forma de ocupação da superfície terrestre, do nomadismo para o sedentarismo, o ser humano começou a dominar a natureza com a finalidade da produção agrícola. Talvez por ser uma prática bastante antiga e ser passível a sua execução com baixa quantidade de técnica, ela muitas vezes é menosprezada como atividade econômica por cientistas, professores e alunos no processo de aprendizado e ensino. A agricultura com baixa técnica e produtividade é apenas um modelo produtivo, muitos outros podem ser altamente capitalizados, com grande quantidade de técnica empregada, valor agregado e alta taxa de produtividade.

Os modelos produtivos

Existem três erros bastante comuns quando se pensa em agricultura. O primeiro deles é pensar em agricultura como produção de alimentos. Agricultura também é produção de alimentos, porém, produção agrícola encontra mais mercado, no mundo contemporâneo, na alimentação de animais de abate e no abastecimento fabril. Outro mito comum é o de relacionar agricultura com uma atividade econômica do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento. Os maiores produtores de alimentos são alguns dos países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos e a região que compreende a União Européia. O terceiro e último mito é pensar na agricultura como algo único e simples, sem diversidade. Na realidade, existem diversos modelos produtivos com diversas características únicas que os diferenciam. Vamos a alguns:

Rotação de Culturas

Sistema ligado ao continente Europeu, mas difundido com a colonização de outros territórios, com bastante influência dos invernos rigorosos e dos limites impostos pelo solo. A terra é dividida em unidades e em cada unidade de terra é colocada uma determinada cultura. Além disso, uma unidade de terra fica em repouso, o chamado “pouzio”, para recuperar os nutrientes. A cada safra, as unidades rodam, fazendo com que os nutrientes do solo tenham tempo para se recuperar e não se esgotem.

Agricultura Tradicional

Agricultura bastante influenciada pelos limites do clima e do solo, com baixa produtividade e extensiva. Para aumentar sua produção, precisa incorporar novas áreas, já que possui baixa quantidade de técnica e capital.

Agricultura Moderna

Alta produtividade, bastante ligada ao agronegócio, com muito capital e técnica empregada. Pode ser integrada ao setor de pesquisa e desenvolvimento, aumentando vertiginosamente sua capacidade de produção. Sendo intensiva, este tipo de agricultura pode aumentar a sua produção sem incorporar novas terras.

Mão de Obra Familiar

Conceito ligado à predominância da mão de obra em um determinado estabelecimento rural. Se em uma fazenda, é o núcleo familiar que controla a produção agrícola. Pode ser tanto moderna quanto tradicional, intensiva ou extensiva, capitalizada ou não capitalizada, porém, no Brasil, a realidade de grande parte da mão de obra familiar é de uma agricultura tradicional de subsistência pouco capitalizada e com baixa produtividade.

Plantation

Era o modelo produtivo das colônias, organizada em latifúndios, com mão de obra escrava e voltada principalmente ao mercado externo. Hoje em dia se usa “Plantation” para designar o modelo produtivo agroexportador dos países semi-periféricos, porém, com a ausência da mão de obra escrava.

Agricultura de Jardinagem ou de terraceamento

Agricultura que advém do circuito asiático, voltada predominantemente para a produção de arroz. Utiliza curvas em ângulo para diminuir a erosão superficial laminar – o nome desta técnica é terraceamento – das chuvas e seus movimentos de massa. Utiliza grande quantidade de mão de obra por conta das altas taxas populacionais da região e também emprega quantidade razoável de técnicas.

Exercícios

1. (ENEM 2010)

O gráfico representa a relação entre o tamanho e a totalidade dos imóveis rurais no Brasil. Que característica da estrutura fundiária brasileira está evidenciada no gráfico apresentado?

a) A concentração de terras nas mãos de poucos.
b) A existência de poucas terras agricultáveis.
c) O domínio territorial dos minifúndios.
d) A primazia da agricultura familiar.
e) A debilidade dos plantations modernos.

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2. (ENEM 2010) Antes, eram apenas as grandes cidades que se apresentavam como o império da técnica, objeto de modificações, suspensões, acréscimos, cada vez mais sofisticadas e carregadas de artifício. Esse mundo artificial inclui, hoje, o mundo rural.

SANTOS, M. A Natureza do Espaço. São Paulo: Hucitec, 1996.

Considerando a transformação mencionada no texto, uma consequência socioespacial que caracteriza o atual mundo rural brasileiro é

a) a redução do processo de concentração de terras.
b) o aumento do aproveitamento de solos menos férteis.
c) a ampliação do isolamento do espaço rural.
d) a estagnação da fronteira agrícola do país.
e) a diminuição do nível de emprego formal.

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3. (ENEM 2008) “Calcula-se que 78% do desmatamento na Amazônia tenha sido motivado pela pecuária – cerca de 35% do rebanho nacional está na região – e que pelo menos 50 milhões de hectares de pastos são pouco produtivos. Enquanto o custo médio para aumentar a produtividade de 1 hectare de pastagem é de 2 mil reais, o custo para derrubar igual área de floresta é estimado em 800 reais, o que estimula novos desmatamentos. Adicionalmente, madeireiras retiram as árvores de valor comercial que foram abatidas para a criação de pastagens. Os pecuaristas sabem que problemas ambientais como esses podem provocar restrições à pecuária nessas áreas, a exemplo do que ocorreu em 2006 com o plantio da soja, o qual, posteriormente, foi proibido em áreas de floresta.”

(Revista Época, 3/3/2008 e 9/6/2008, com adaptações)

A partir da situação-problema descrita, conclui-se que:

a) o desmatamento na Amazônia decorre principalmente da exploração ilegal de árvores de valor comercial.
b) um dos problemas que os pecuaristas vêm enfrentando na Amazônia é a proibição do plantio de soja.
c) a mobilização de máquinas e de força humana torna o desmatamento mais caro que o aumento da produtividade de pastagens.
d) o superávit comercial decorrente da exportação de carne produzida na Amazônia compensa a possível degradação ambiental.
e) a recuperação de áreas desmatadas e o aumento de produtividade das pastagens podem contribuir para a redução do desmatamento na Amazônia.

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Gabarito

1. A

2. B

3. E

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